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Simples Nacional ou regime regular: como decidir antes do prazo do IBS/CBS

21/09/2026 09:464 min de leituraAtualizado há 1 hora

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem uma empresa no Simples Nacional e vende para outras empresas, uma decisão importante está batendo à porta: continuar no regime unificado ou migrar para o chamado Simples Híbrido, o regime regular de IBS e CBS. Essa escolha, que precisa ser avaliada cliente a cliente, ganhou agora um instrumento de apoio: um índice de competitividade que traduz o efeito da Reforma Tributária em uma nota de 0 a 100 para cada empresa.

O índice foi criado pela TAX SimpliQ, plataforma de inteligência fiscal voltada a escritórios de contabilidade, e nasce em um momento decisivo: a transição para o IBS e a CBS, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, mudou a lógica das vendas entre empresas. Hoje, o crédito tributário que o seu cliente consegue aproveitar ao comprar de você pesa tanto quanto o preço cobrado.

O que muda na prática

Se sua empresa permanece no Simples Nacional tradicional, o crédito que você transfere para quem compra de você fica limitado ao valor que você efetivamente recolheu dentro do regime simplificado. Já se você optar pelo regime regular, previsto no artigo 41 da LC 214/2025, o crédito repassado passa a ser integral, o que tende a deixar sua empresa mais atraente para clientes que também operam com créditos tributários. Em troca, você assume a responsabilidade de apurar os novos tributos, algo mais complexo que a guia única do Simples.

É exatamente esse trade-off, entre manter a simplicidade e ganhar competitividade comercial, que o índice busca traduzir em um número único. A nota é calculada a partir de arquivos que o seu escritório de contabilidade já possui: XMLs de notas de entrada e saída, faturamento e cadastro de NCM e NBS. Com esses dados, a ferramenta identifica inconsistências cadastrais e fiscais que poderiam gerar autuação, simula a carga tributária e a transferência de créditos nos dois cenários possíveis, e por fim calcula a nota final.

Como ler a nota do índice
85 a 100Competitivoa empresa mantém posição confortável no novo cenário.
60 a 84Atençãohá pontos de exposição que pedem ajustes antes de decisões comerciais.
Abaixo de 60Alto riscorisco concreto de perda de clientes e pressão sobre o capital de giro em vendas B2B.

Quem é afetado e por que isso importa para o seu caixa

A versão atual da ferramenta é voltada a empresas do Simples Nacional com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano, justamente a faixa em que a decisão sobre o regime regular tem maior impacto. Se você vende principalmente para consumidor final, o efeito tende a ser menor. Mas se sua carteira de clientes é formada por outras empresas, especialmente as que apuram créditos tributários de forma mais rigorosa, a escolha do regime pode influenciar diretamente sua margem, seu preço de venda e seu fluxo de caixa.

Os relatórios gerados foram pensados para serem lidos tanto pelo contador quanto por você, empresário, sem exigir conhecimento prévio da legislação do IBS e da CBS. A ideia é que a análise técnica se transforme em orientação prática, sem jargão. Julyana Schneider Blau, contadora e consultora que participou da validação da ferramenta, resume o ganho para a rotina do escritório: ter um segundo olhar automatizado sobre os dados tranquiliza e permite que o contador atue de forma preventiva, orientando o cliente antes que o problema apareça, em vez de apenas reagir a ele.

Prazos e como se preparar

O lançamento acontece às vésperas de 30 de setembro, data limite para que as empresas do Simples Nacional exerçam a opção pelo regime regular de IBS e CBS. É neste momento que escritórios de contabilidade precisam avaliar, cliente a cliente, se a mudança de regime compensa, considerando o perfil de cada carteira de vendas.

A ferramenta está disponível em dois formatos: um diagnóstico self-service para uso pontual e planos corporativos voltados a escritórios que administram múltiplos CNPJs de clientes. Os dados de cada empresa ficam isolados em uma arquitetura própria, e o tratamento das informações segue a Lei Geral de Proteção de Dados. Nas próximas versões, a cobertura deve se estender também aos demais regimes tributários, além do Simples Nacional.

Se você ainda não avaliou o impacto da Reforma Tributária sobre suas vendas para outras empresas, o prazo de 30 de setembro é o ponto de partida para essa conversa com seu contador. Levantar os XMLs de entrada e saída, revisar o cadastro de NCM e NBS e simular os dois cenários, permanência no Simples ou opção pelo regime regular, é o caminho mais seguro para decidir sem depender apenas de intuição.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.