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Simples Nacional híbrido: o que empresas B2B precisam decidir até setembro

18/08/2026 10:004 min de leituraAtualizado há 15 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se a sua empresa está no Simples Nacional e vende principalmente para outras empresas, a Reforma Tributária vai exigir uma decisão importante. A partir de 2027, você poderá optar por continuar recolhendo todos os tributos pela guia única do Simples ou escolher um modelo híbrido, no qual apenas o IBS e a CBS (os novos tributos sobre bens e serviços) passam a ser recolhidos pelo regime regular. Essa escolha pode afetar não só quanto imposto você paga, mas também como seus clientes empresariais avaliam a vantagem de comprar de você.

O que muda na prática

Hoje, o Simples Nacional funciona de forma simplificada: tudo é pago em uma guia única, sem a lógica de débito e crédito que existe no regime regular de tributação. Com a Reforma, isso continua valendo para quem quiser manter o modelo tradicional. Mas surge uma alternativa: recolher especificamente o IBS e a CBS pelo regime regular, enquanto os demais tributos continuam dentro do Simples. Esse formato ficou conhecido como Simples Nacional híbrido, e não significa sair do Simples, apenas tratar esses dois tributos de forma diferente.

A principal diferença entre os dois caminhos está no aproveitamento de créditos tributários. No regime regular, quem compra de um fornecedor pode aproveitar créditos de IBS e CBS pagos naquela compra, o que reduz o custo tributário da operação. Se sua empresa continuar integralmente no Simples tradicional, esse aproveitamento de crédito pelo cliente pode funcionar de forma diferente. Já se você optar pelo híbrido, seus clientes empresariais podem ter mais vantagem tributária ao comprar de você, o que pode se tornar um diferencial competitivo.

Simples tradicional

  • IBS e CBS permanecem na guia única simplificada
  • Cliente pode ter tratamento diferente no aproveitamento de créditos
  • Mais simplicidade nas obrigações fiscais

Simples híbrido

  • IBS e CBS recolhidos pelo regime regular, fora da guia única
  • Empresa opera na lógica de débito e crédito para esses dois tributos
  • Pode ampliar a atratividade da empresa para clientes B2B

Quem precisa ficar atento

Essa análise não é igual para todo mundo. Se a sua empresa vende principalmente para o consumidor final (modelo B2C), a tendência é que o Simples tradicional continue sendo a opção mais vantajosa, já que o consumidor final não usa créditos tributários para reduzir sua própria carga de impostos. Por isso, para esse perfil de negócio, manter a simplicidade do regime atual pode ser o caminho mais lógico.

Já para empresas B2B, especialmente aquelas que fazem parte de cadeias produtivas e atendem clientes que estão no regime regular de IBS e CBS, a decisão exige mais cuidado. É preciso avaliar o perfil dos seus clientes, o quanto suas vendas para empresas representam no faturamento total e se esses clientes teriam vantagem real em comprar de um fornecedor que gera créditos tributários.

Outro fator decisivo é a estrutura de custos da sua empresa. Negócios com volume relevante de compras de mercadorias, insumos e serviços sujeitos a IBS e CBS podem se beneficiar mais do regime regular, porque geram mais créditos para aproveitar. Já empresas com poucas despesas que geram crédito, como prestadoras de serviço cujo principal custo é a folha de pagamento, precisam analisar com mais atenção, já que nem todo custo operacional se transforma em crédito tributário. Por isso, comparar apenas alíquotas não é suficiente: é o conjunto da operação que vai definir a melhor escolha.

Prazos para decidir

O calendário dessa decisão é mais apertado do que parece. Segundo as regras de transição, as empresas deverão optar, em setembro de 2026, entre manter o IBS e a CBS dentro do Simples ou recolhê-los pelo regime regular. Essa escolha valerá para o período de janeiro a junho de 2027. Depois disso, haverá nova oportunidade de revisar a estratégia, mas isso não deve ser motivo para adiar os estudos: quanto antes você e seu contador analisarem os cenários, mais preparado estará para tomar a melhor decisão.

O que avaliar antes de decidir
01
Perfil dos clientes

Verifique quanto do seu faturamento vem de vendas para outras empresas e se esses clientes podem aproveitar créditos de IBS e CBS.

02
Estrutura de custos

Levante o volume de compras, insumos e serviços que sua empresa utiliza e o potencial de geração de créditos tributários.

03
Impacto financeiro

Analise os efeitos sobre preços, margens, fluxo de caixa e a complexidade adicional das obrigações fiscais.

04
Conversa com o contador

Simule os dois cenários com antecedência, já que a opção escolhida em setembro de 2026 valerá para o primeiro semestre de 2027.

No fim das contas, o Simples Nacional continua existindo, mas a Reforma Tributária muda o tipo de decisão que empresas B2B precisam tomar. Não se trata mais apenas de escolher o regime com menor carga tributária, mas de entender como essa escolha afeta a relação com seus clientes empresariais e a competitividade do seu negócio dentro da cadeia produtiva em que você está inserido. Avaliar esses cenários com antecedência, junto do seu contador, é o caminho mais seguro para chegar a setembro de 2026 preparado para decidir.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.