Simples Nacional: como escolher o regime tributário em setembro de 2026
17/08/2026 17:004 min de leituraAtualizado há 16 dias
Vale para: MEI · Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem uma microempresa ou empresa de pequeno porte enrolada no Simples Nacional, reserve uma atenção especial para setembro de 2026. Nesse mês, todas as empresas do regime terão de decidir como vão recolher os novos tributos criados pela Reforma Tributária, o IBS e a CBS, que passam a valer a partir de 2027. A escolha feita nesse período vai definir o modelo de tributação do seu negócio nos primeiros meses da reforma, e por isso merece ser pensada com cuidado, junto com o seu contador.
O que muda
Até agora, o Simples Nacional funcionava com uma guia única, reunindo vários tributos em um só recolhimento. Com a reforma, surge uma segunda opção: o chamado regime híbrido. Nele, a empresa continua pagando a maior parte dos tributos pela guia tradicional do Simples, mas passa a apurar e recolher o IBS e a CBS separadamente, seguindo as regras do novo modelo de tributação sobre o consumo. Quem não fizer nenhuma escolha permanece automaticamente no Simples tradicional, sem precisar tomar nenhuma providência adicional.
No modelo tradicional, o IBS e a CBS vão substituir aos poucos tributos como PIS, Cofins e, em alguns casos, o IPI, mas a lógica de simplicidade da guia única é mantida. Já no regime híbrido, a CBS terá uma alíquota inicial estimada em 9%, e o IBS começará com uma alíquota-teste de 0,1% em 2027 e 2028. Ou seja, à primeira vista, o híbrido pode parecer mais caro, porque a tributação sobre a venda tende a subir.
Quem é afetado e por que vale a pena avaliar
A vantagem do regime híbrido não está no valor pago na venda, mas no que vem depois: o fim da cumulatividade. Isso significa que empresas clientes que também são pessoas jurídicas podem aproveitar créditos de IBS e CBS gerados na compra, reduzindo o custo final da operação para toda a cadeia. Além disso, despesas operacionais passam a gerar créditos, algo que não acontece hoje no Simples tradicional. Por isso, negócios que vendem principalmente para outras empresas podem sair ganhando ao migrar, mesmo pagando um pouco mais na ponta.
Já para quem vende diretamente ao consumidor final, a simplicidade operacional do Simples tradicional costuma ser mais vantajosa, já que o cliente pessoa física não aproveita créditos tributários. Vale observar também que, em algumas cadeias produtivas, grandes empresas contratantes já sinalizam preferência por fornecedores no regime híbrido, justamente para poder aproveitar os créditos. Isso pode gerar pressão comercial sobre pequenos fornecedores para que adotem o novo modelo, mesmo que a decisão pareça, isoladamente, menos vantajosa.
Simples tradicional
- Guia única de recolhimento
- IBS e CBS substituem PIS, Cofins e, em alguns casos, o IPI
- Mais indicado para vendas ao consumidor final
- Sem aproveitamento de créditos tributários
Regime híbrido
- IBS e CBS recolhidos separadamente
- CBS com alíquota inicial estimada em 9%
- IBS com alíquota-teste de 0,1% em 2027 e 2028
- Permite aproveitamento de créditos por clientes pessoa jurídica
Prazos que você precisa guardar
A janela para fazer a opção vai de 1º a 30 de setembro de 2026. A escolha feita nesse período começa a valer em 1º de janeiro de 2027. Quem optar pelo regime híbrido fica vinculado a essa decisão durante o primeiro semestre de 2027, sem poder voltar atrás nesse intervalo. Uma nova oportunidade de troca só vai surgir em março de 2027, quando será aberta outra janela para alterações.
Vale destacar que essa regra vale, por enquanto, para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) do Simples Nacional. O caso do MEI ainda não foi tratado nessa etapa e ficará para uma regulamentação específica mais adiante.
Como se preparar
Como a maioria dos pequenos negócios não tem uma área fiscal própria, a recomendação é simples: converse com seu contador antes de setembro chegar. Alguns pontos merecem entrar nessa conversa: o perfil dos seus clientes, se são principalmente pessoas físicas ou jurídicas; o potencial real de aproveitamento de créditos de IBS e CBS na sua operação; e o impacto que a mudança pode ter no seu fluxo de caixa ao longo dos próximos meses.
Setembro de 2026 tende a ser um dos momentos mais importantes da transição da Reforma Tributária para quem está no Simples Nacional. A decisão tomada nesse período vai influenciar não só a forma de recolhimento dos tributos, mas também a posição competitiva da sua empresa dentro da cadeia de fornecedores e clientes. Por isso, antecipar essa análise com o contador é o caminho mais seguro para evitar decisões apressadas ou custos inesperados lá na frente.
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