Simples Nacional: escolher modelo puro ou híbrido em setembro
22/09/2026 16:004 min de leituraAtualizado há 7 horas
Vale para: MEI · Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se a sua empresa está no Simples Nacional, você tem até 30 de setembro para decidir como vai recolher os novos tributos sobre o consumo, o IBS e a CBS, a partir de 2027. Essa escolha não é apenas uma formalidade fiscal: segundo especialistas, ela pode afetar preços, relacionamento com clientes e até o custo real das suas operações. Por isso, entender as opções disponíveis e o que levar em conta antes de decidir é fundamental para não tomar uma decisão baseada só no número da alíquota.
O que muda
Hoje, todo empresário do Simples Nacional paga seus tributos em uma guia única, o DAS. Com a reforma tributária, surge uma nova possibilidade: o chamado modelo híbrido. Nele, a empresa continua no Simples para a maior parte dos tributos, mas passa a recolher o IBS e a CBS separadamente, seguindo as regras do regime regular, fora do DAS. Já quem optar pelo Simples puro mantém tudo dentro da guia única, como acontece atualmente.
A escolha feita agora, em setembro, vale para o período de janeiro a junho de 2027. A Receita Federal já sinalizou que o modelo híbrido pode fazer mais sentido para empresas que vendem para outras empresas, já que esse formato permite que o cliente aproveite créditos tributários de forma mais ampla. Mas o próprio órgão reforça que a decisão precisa levar em conta as características específicas de cada negócio, não apenas essa regra geral.
Quem é afetado
Segundo especialistas que participaram de um webinar sobre o tema, a decisão não deve se basear apenas na alíquota da CBS. É preciso analisar quem são seus clientes: se você vende para outras empresas, pode haver pressão comercial para que elas consigam aproveitar créditos tributários nas compras que fazem de você. Duas empresas do mesmo setor podem chegar a conclusões diferentes, dependendo do perfil de clientes, dos fornecedores, da estrutura de custos e de como as operações são feitas no dia a dia.
A análise também passa pelos seus fornecedores e pelas suas despesas de rotina. Gastos com mídia, serviços de nuvem, aluguel, advocacia, contabilidade, internet, água e energia passam a exigir um olhar diferente, já que a possibilidade de gerar créditos nessas aquisições pode mudar o custo efetivo da operação. Isso vale mesmo para quem vende diretamente ao consumidor final: nesses casos, a decisão tende a depender mais da estrutura de custos e das compras da própria empresa do que da relação com o cliente.
Prazos
É importante saber que a escolha feita agora não é definitiva. Há uma nova janela prevista para março de 2027, com efeitos para o segundo semestre daquele ano. Além disso, é possível cancelar a opção feita em setembro até 30 de novembro de 2026, prazo que também vale para o cancelamento da permanência no Simples Nacional. O Sebrae reforça que a ideia de que essa escolha seria irreversível está equivocada: existem janelas periódicas para ajustar a opção conforme a realidade do negócio muda.
Uma exceção importante: o Microempreendedor Individual (MEI) não participa dessa escolha entre Simples puro e híbrido. Para o MEI, o prazo de opção ou permanência no regime continua sendo em janeiro, e não existe a possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular ou pelo modelo híbrido.
Como se preparar
Como a alíquota definitiva da CBS ainda não está fechada, a recomendação dos especialistas é simular diferentes cenários: um com estimativa mais baixa, outro intermediário e outro mais alto. O objetivo é entender como cada cenário impactaria seus custos, os créditos disponíveis, os preços praticados e o fluxo de caixa da empresa. O foco não deve estar só no percentual do tributo, mas no conjunto de compras, despesas e operações do negócio.
Essa mudança também aumenta a importância de ter controles financeiros e fiscais organizados. Empresas que ainda dependem de planilhas soltas ou deixam a análise das operações para a hora de fechar os impostos vão precisar melhorar seus processos, já que o acompanhamento de clientes, fornecedores, compras, despesas e créditos exige dados bem estruturados. Antes de decidir entre o Simples puro e o híbrido, o ideal é simular os dois cenários com os números reais da sua empresa e avaliar como cada opção se encaixa na forma como você opera e na cadeia produtiva em que está inserido.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
