Pular para o conteúdo
VoltarReforma tributária

Reforma tributária: por que discutir só a alíquota da CBS é um erro

22/09/2026 07:044 min de leituraAtualizado há 8 horas

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Quase toda conversa sobre a Reforma Tributária hoje gira em torno da mesma pergunta: qual será a alíquota final da CBS e do IBS? É uma dúvida natural, mas que desvia a atenção do que realmente pode causar prejuízo em 2027. O motivo é simples: a alíquota é só um número. O que vai determinar se sua empresa vai operar bem ou mal com os novos tributos é a qualidade dos seus cadastros, contratos, sistemas e fornecedores.

Na prática, isso significa que problemas antigos e aparentemente pequenos, como um código de produto (NCM) cadastrado errado há anos e replicado em centenas de itens, deixam de ser um detalhe e passam a ser um risco real. Quando o novo sistema tributário entrar em vigor, esse tipo de erro será automatizado e repetido em milhares de notas fiscais, gerando prejuízo em escala. Quem corrige esse tipo de falha agora sai na frente. Quem deixa para depois vai descobrir o problema quando ele já estiver multiplicado.

O que muda na forma de se preparar

Muitas empresas acreditam que basta atualizar o ERP (sistema de gestão) para estar pronto para a CBS e o IBS. Não é bem assim. O sistema pode até receber os novos campos e regras exigidos pela reforma, mas ele continua dependendo de informações que só o próprio negócio pode validar, como regras de desconto, devolução, bonificação e cancelamento. Testar apenas se uma nota fiscal simples foi emitida com sucesso não garante que a empresa esteja preparada. O teste que realmente importa é aquele que acompanha toda a operação: da emissão da nota até a escrituração contábil, o contas a receber e a apuração dos impostos.

Há ainda um ponto que costuma ser tratado como problema de outra área, mas que afeta diretamente o caixa da empresa: o crédito de IBS e CBS depende da nota fiscal emitida pelo fornecedor. Isso quer dizer que o setor de compras precisará avaliar o risco fiscal de cada fornecedor com o mesmo cuidado que hoje dedica a preço e prazo de entrega. Contratos antigos, revisados apenas pelo departamento jurídico e sem conversa com quem cuida do faturamento e do crédito tributário, podem se transformar em um problema silencioso, que só aparece quando já é tarde para corrigir.

O impacto no caixa da empresa

Outra mudança relevante é o chamado split payment, mecanismo que vai aproximar o momento do recebimento financeiro do momento do recolhimento do imposto. Isso significa que a lógica atual usada para projetar o fluxo de caixa não vai funcionar da mesma forma em 2027. Empresas que continuarem planejando o caixa com base nas regras de hoje correm o risco de ter uma surpresa desagradável quando o novo sistema entrar em vigor.

Onde olhar antes de discutir alíquota
01
Revise os cadastros de produtos

Verifique se os códigos de NCM cadastrados estão corretos, especialmente os copiados de produto em produto ao longo dos anos.

02
Teste o sistema além da emissão da nota

Verifique se o ERP funciona corretamente em devoluções, bonificações, cancelamentos e remessas, não só na emissão simples.

03
Avalie o risco fiscal dos fornecedores

O crédito de IBS e CBS depende da nota emitida por quem vende para você, por isso compras precisa considerar esse risco.

04
Revise contratos antigos

Contratos analisados só pelo jurídico, sem diálogo com faturamento e crédito tributário, podem virar passivo escondido.

05
Repense a projeção de caixa

Com o split payment, a lógica de recebimento e recolhimento de imposto muda, e isso precisa entrar no planejamento financeiro.

Todos esses pontos, cadastro, contrato, fornecedor e sistema, não aparecem em uma planilha comparando alíquotas. Eles só ficam visíveis em um diagnóstico que acompanha o caminho completo da informação: desde onde o dado nasce até o momento em que ele se transforma em imposto pago ou em crédito perdido.

Como se preparar a partir de agora

A pergunta prática para quem lidera uma empresa, ou cuida da contabilidade de outras, é direta: se a CBS e o IBS precisassem funcionar amanhã, com os cadastros, contratos, fornecedores e sistemas que existem hoje, onde o processo quebraria primeiro? Buscar essa resposta agora exige apenas uma análise cuidadosa da operação. Deixar para descobrir isso durante o fechamento de 2027 pode sair muito mais caro, tanto em tempo quanto em dinheiro.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.