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Reforma tributária: o que grandes empresas já fazem e sua empresa pode copiar

21/09/2026 14:334 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A reforma tributária deixou de ser um tema restrito ao departamento fiscal e virou prioridade estratégica dentro das empresas. Isso porque a transição para o novo modelo de IVA dual, formado pelo IBS e pela CBS, exige mudanças em sistemas de gestão, na forma de precificar produtos e serviços, e até na organização logística das operações. Grandes companhias que atuam no Brasil já começaram a se movimentar, e o caminho que elas trilham serve de referência prática para negócios de qualquer tamanho.

Empresas como Meta, Ambev, Natura, Magalu, Petrobras, GPA e Boticário estão ajustando processos internos para lidar com o novo sistema tributário. Cada uma delas enfrenta um desafio diferente, de acordo com o setor em que atua, mas todas compartilham um ponto em comum: a necessidade de revisar sistemas, contratos e forma de calcular tributos antes que a transição avance.

O que essas empresas estão fazendo

A Meta, por exemplo, reorganizou seu sistema de faturamento para anunciantes no Brasil, ajustando a emissão de notas fiscais para já contemplar o IBS e a CBS e permitir que empresas e agências aproveitem créditos fiscais de forma mais clara. Já a Ambev lida com uma mudança dupla: de um lado, passa a recolher o chamado Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas; de outro, repensa a localização de seus centros de distribuição, já que a arrecadação vai migrar da origem do produto para o local de consumo, reduzindo o peso dos incentivos estaduais de ICMS nas decisões logísticas.

A Natura, que trabalha com venda direta e insumos vindos de várias regiões do país, criou comitês para recalcular margens e agilizar a recuperação de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva. O Magalu, por sua vez, está atualizando seus sistemas de gestão para calcular corretamente a alíquota do novo imposto no momento da compra, o que é especialmente complexo em um marketplace com vendedores de diferentes estados.

Já a Petrobras revisa contratos de infraestrutura de longo prazo, incluindo cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro, e acompanha de perto as regras específicas que serão aplicadas ao setor de combustíveis. O GPA trabalha na reclassificação fiscal de produtos para se adequar à Cesta Básica Nacional, que terá alíquota zero para itens essenciais. E o Boticário investiu em automação e inteligência artificial para testar, em paralelo, o cálculo de tributos pelo sistema atual e pelo novo modelo, preparando as equipes para operar nos dois regimes ao mesmo tempo durante a transição.

O que isso ensina para o seu negócio

Embora sejam empresas de grande porte, os movimentos delas revelam três lições que valem para negócios de qualquer tamanho. A primeira é que a reforma tributária não afeta apenas a área fiscal: ela impacta diretamente a forma como você precifica seus produtos, os investimentos em tecnologia e até a logística da empresa. A segunda é que, durante o período de transição, será necessário operar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo, o que exige que seus sistemas de emissão de notas e apuração de impostos estejam preparados para essa coexistência.

A terceira lição é talvez a mais estratégica: as empresas estão deixando de planejar suas operações em função de incentivos fiscais estaduais e passando a priorizar eficiência logística e atendimento ao cliente. Isso significa que decisões que antes faziam sentido só por causa de um benefício de ICMS podem perder a razão de ser no novo cenário.

Frentes de adaptação observadas nas grandes empresas
SistemasERPs e faturamentoAjuste de sistemas para calcular IBS e CBS na emissão de notas fiscais.
Preçosmargens e créditosRecálculo de margens para aproveitar créditos do novo IVA não cumulativo.
Contratosrevisão jurídicaCláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro em contratos de longo prazo.
Logísticafim do foco em incentivosRedesenho de centros de distribuição sem depender de benefícios de ICMS.

Se essas gigantes, com equipes inteiras dedicadas ao tema, já estão correndo contra o tempo para se adequar, o alerta para pequenas e médias empresas é ainda maior. A ausência de planejamento pode significar perda de margem, bitributação durante a fase de transição e até travamento de operações fiscais, como emissão de notas ou fechamento de vendas.

O caminho mais seguro é começar agora: revise seu cadastro fiscal, converse com seu contador sobre o impacto do IBS e da CBS na sua precificação, e verifique se os sistemas usados pela sua empresa já estão preparados para operar com as regras antigas e novas ao mesmo tempo. Quanto antes esse diagnóstico for feito, menor o risco de surpresas no caixa quando a transição avançar.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.