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Imposto Seletivo: o que empresas devem ajustar nos preços até 2027

14/09/2026 06:573 min de leituraAtualizado há 53 minutos

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Você já ouviu falar do Imposto Seletivo, mas talvez ainda não tenha percebido o quanto ele pode mexer nos preços da sua empresa. Esse novo tributo, criado pela Reforma Tributária, tem um objetivo claro: encarecer produtos e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente. Só que, na prática, ele exige uma reestruturação completa de como sua empresa forma preços e organiza seus sistemas de cálculo de impostos, e o prazo para se preparar é mais curto do que parece.

O que muda

A lei que instituiu a Reforma Tributária já definiu quais setores estarão sujeitos ao Imposto Seletivo, mas não estabeleceu ainda os percentuais de cobrança. Essa definição ficará por conta de leis específicas, que são mais simples de aprovar e de alterar. Na prática, isso significa que as alíquotas do Imposto Seletivo podem mudar com mais frequência do que as de outros tributos da reforma, exigindo atenção constante de quem cuida das finanças da empresa.

Outro ponto importante é a forma de cobrança. O Imposto Seletivo é recolhido uma única vez, direto na saída da fábrica ou na importação do produto. Isso pode parecer simples, mas gera um efeito em cadeia: como o imposto já está embutido no preço desde a origem, distribuidores, atacadistas e varejistas compram o produto mais caro. Consequentemente, cada elo da cadeia aplica sua margem de lucro sobre um valor que já está mais alto, e esse custo acumulado acaba chegando ao consumidor final ainda maior.

Há ainda uma complexidade adicional na forma de calcular esse imposto junto com o IBS e a CBS, os outros dois tributos centrais da reforma. O Imposto Seletivo é calculado "por fora" e somado ao preço do produto antes da aplicação dos demais impostos. Como o IBS e a CBS incidem sobre o valor total, que já inclui o Imposto Seletivo, o resultado é uma cobrança de imposto sobre imposto.

Como o efeito cascata funciona na prática
R$ 100,00preço original do produtovalor de partida antes da incidência do Imposto Seletivo.
R$ 110,00preço com IS de 10%novo valor base sobre o qual incidirão o IBS e a CBS.

Quem é afetado

Empresas dos setores já indicados como elegíveis para o Imposto Seletivo precisam começar agora a repensar suas planilhas de custos e seus sistemas de gestão. O modelo atual de precificação, construído em torno do IPI, está com os dias contados: a substituição gradual desse imposto pelo Imposto Seletivo, somada à nova lógica do IBS e da CBS, torna obsoletas as fórmulas de cálculo que sua empresa provavelmente usa hoje.

Prazos e como se preparar

Enquanto o IBS e a CBS já entram em fase de testes com alíquotas reduzidas em 2026, o Imposto Seletivo só começa a ser cobrado em 2027. Esse intervalo funciona como uma janela de oportunidade: é o tempo que sua empresa tem para simular cenários, ajustar contratos e atualizar sistemas antes que a cobrança comece de fato.

O que fazer
01
Simule cenários de alíquota

Construa modelos de precificação com alíquotas conservadoras, moderadas e agressivas para entender o impacto em cada faixa na sua margem de lucro.

02
Revise contratos de longo prazo

Inclua cláusulas de reajuste automático por variação tributária em contratos de fornecimento, evitando prejuízos com mudanças futuras nas alíquotas.

03
Atualize seu sistema de gestão

Ajuste as regras do ERP para automatizar a nova parametrização fiscal, eliminando controles manuais e ganhando agilidade quando as alíquotas forem publicadas.

O acompanhamento legislativo constante também precisa entrar na rotina da sua empresa, ou pelo menos do escritório de contabilidade que cuida dela. Como as alíquotas do Imposto Seletivo podem ser alteradas com mais facilidade do que as demais regras da Reforma Tributária, ficar de olho nas publicações de novas leis será essencial para reagir rápido e evitar surpresas na precificação.

Se sua empresa atua em algum dos setores afetados pelo Imposto Seletivo, o momento de agir é agora, não em 2027. Buscar orientação contábil especializada para simular os impactos, revisar contratos e preparar os sistemas pode ser a diferença entre repassar o custo de forma organizada ou ser pego de surpresa quando a cobrança começar a valer.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.