Imposto Seletivo sobre aviação: proposta de isenção para aeronaves sustentáveis
10/09/2026 15:304 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem negócio ligado à aviação, seja companhia aérea, empresa de táxi aéreo, operação agrícola ou frota corporativa, um novo capítulo da Reforma Tributária pode afetar diretamente o custo de comprar ou arrendar aeronaves. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta para isentar do Imposto Seletivo (IS) as aeronaves consideradas sustentáveis, além de sugerir regras de transição até a cobrança definitiva do tributo, prevista para 2027.
O Imposto Seletivo é o novo tributo criado pela Reforma Tributária, que incide sobre produtos considerados prejudiciais ao meio ambiente ou à saúde. A lei que criou o imposto já prevê que embarcações e aeronaves com zero emissão de carbono ou alta eficiência ambiental possam ter alíquota zero, desde que cumpram critérios técnicos. O que o MPor fez agora foi detalhar essas regras em uma minuta de Medida Provisória, propondo tanto um modelo para o período de transição quanto critérios permanentes de caráter ambiental.
O que muda na prática
Durante a transição, a proposta sugere manter uma lógica parecida com a que já existe hoje no IPI para aeronaves. Isso significa continuar com alíquota zero para aeronaves compradas ou arrendadas por empresas aéreas regulares, para aeronaves agrícolas registradas e para as usadas por órgãos de segurança pública e defesa civil. Já as aeronaves de táxi aéreo ficariam com alíquota reduzida de 3,25%, também nos moldes atuais do IPI.
Além dessa fase de transição, o documento propõe critérios ambientais permanentes para decidir quem paga o quê. Aeronaves elétricas ou híbridas, modelos que sigam os padrões mais recentes de emissões da Organização da Aviação Civil Internacional, aeronaves certificadas para usar apenas combustíveis sustentáveis e modelos pequenos com impacto ambiental considerado insignificante entrariam na lista de alíquota zero. A ideia do ministério é usar o imposto também como incentivo para renovar a frota com aeronaves mais limpas, e não só como fonte de receita.
Por que isso importa para o setor
Entidades que representam diferentes partes da aviação, como associações de aviação geral, táxi aéreo, aviação comercial, indústria aeroespacial e aviação agrícola, participaram das discussões e alertaram sobre o risco de incerteza regulatória. A preocupação central é que, sem regras claras, decisões de investimento e planos de renovação de frota podem ficar paralisados. O ministério também citou que o aumento de tributação sobre contratos de leasing de aeronaves e sobre IOF em operações internacionais já pressiona os custos do setor, o que reforça a preocupação com uma nova camada de imposto.
A fabricante Embraer também se manifestou sobre o tema. Segundo o gerente de Relações Institucionais da empresa, Daniel Bassani, se as reduções e isenções de IPI hoje aplicadas a segmentos como aviação comercial, defesa, agricultura e táxi aéreo forem retiradas na regulamentação do Imposto Seletivo, o custo de comprar uma aeronave no Brasil pode subir cerca de 6,5%. A empresa defende que critérios ambientais sejam usados para reduzir ou zerar a tributação de aeronaves mais eficientes, citando os mesmos tipos de modelo mencionados na proposta do MPor: elétricos, de baixa emissão, movidos a combustível sustentável e de pequeno porte com baixo impacto ambiental.
Como você pode se preparar
Até agora, o Ministério da Fazenda não se posicionou oficialmente sobre a proposta do MPor, e a regulamentação definitiva do Imposto Seletivo para aeronaves ainda está em construção. Isso significa que as regras podem mudar até a entrada em vigor em 2027, e quem depende de aeronaves no negócio precisa acompanhar de perto essa definição.
Verifique se sua empresa se encaixa em categorias com tratamento especial, como táxi aéreo, aviação agrícola ou serviços regulares.
Considere o possível impacto do Imposto Seletivo antes de fechar compra ou arrendamento de novas aeronaves.
Fique atento às definições da Fazenda sobre a Medida Provisória e os critérios ambientais permanentes.
Peça análise específica sobre como a transição do IS pode afetar contratos de leasing e operações internacionais da sua empresa.
Para quem cuida da contabilidade de empresas ligadas à aviação, o momento pede atenção redobrada. A diferença entre as regras de
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