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Simples Nacional ou híbrido: PMEs correm contra o prazo de setembro

31/07/2026 15:554 min de leituraAtualizado há 31 dias

Vale para: MEI · Simples Nacional

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Faltam poucos meses para um prazo que pode pesar bastante no bolso de quem tem empresa no Simples Nacional. Em setembro de 2026, micro e pequenas empresas vão precisar decidir se continuam no recolhimento unificado de sempre ou se migram para o chamado regime híbrido, com os tributos segregados. E, segundo levantamento da Omie, empresa de sistemas de gestão para PMEs, quase metade dos pequenos negócios (48%) ainda nem começou a analisar o que essa escolha significa na prática. O cenário fica ainda mais preocupante quando se olha para os escritórios de contabilidade: 63% deles ainda não mapearam como a reforma vai impactar suas carteiras de clientes.

O estudo, batizado de Radar Setorial da Reforma Tributária, foi construído a partir de dados reais de contas a pagar e a receber processados pela própria Omie, equivalentes a cerca de 4% do PIB brasileiro. A análise cobre aproximadamente 750 CNAEs, organizados em 76 setores da economia, e teve como objetivo identificar onde a necessidade de adaptação é mais urgente. Não se trata de uma opinião genérica sobre a reforma, mas de um retrato baseado no comportamento financeiro efetivo das empresas.

Por que essa decisão pesa tanto

A escolha entre manter o Simples tradicional ou migrar para o modelo híbrido não é só uma questão burocrática. Ela vai determinar, a partir de 2027 (quando começa a vigorar a CBS), se a sua empresa consegue continuar competitiva, especialmente se você vende para outras empresas (modelo B2B). No regime híbrido, o negócio passa a operar dentro da lógica de não cumulatividade: gera crédito tributário para quem compra de você e também aproveita créditos sobre os insumos que compra dos seus fornecedores.

Na prática, isso significa que empresas que não se adaptarem correm o risco real de perder clientes para concorrentes que oferecem crédito tributário, ou de ver sua margem de lucro encolher, caso não revisem preços e a relação com fornecedores a tempo. Para quem vende diretamente ao consumidor final, o impacto tende a ser menor. Mas para quem está no meio da cadeia produtiva, fornecendo para outras empresas, a conta pode ficar bem mais complicada se a análise não for feita com antecedência.

Quem está mais exposto

O Radar da Omie criou um índice de exposição, que vai de 0 a 100, para medir o quanto cada setor vai precisar se esforçar para se adaptar às novas regras. Esse índice olha três frentes: a posição da empresa na cadeia produtiva (quanto mais ela intermedeia fornecedores e clientes B2B, maior a exposição), a sensibilidade da carga tributária às novas regras de crédito, e a resiliência de caixa e a dispersão da base de fornecedores.

O resultado apontou 26 dos 76 segmentos analisados como de alta exposição, ou seja, setores com forte presença em cadeias B2B e baixa capacidade de neutralizar o efeito tributário aproveitando créditos. Juntos, esses segmentos representam 14% do PIB nacional, 10 milhões de empregos formais e 2 milhões de empresas ativas (sem contar os MEIs), das quais 58% estão no Simples Nacional. Além da indústria, esse grupo inclui serviços especializados para construção e transporte terrestre, manutenção e reparação de máquinas, serviços auxiliares financeiros e de seguros, e seleção e locação de mão de obra.

IndicadorNúmero
PMEs sem análise estruturada da reforma48%
Escritórios contábeis sem mapeamento de impacto63%
Setores de alta exposição identificados26 de 76
Participação desses setores no PIB14%
Empregos formais nesses setores10 milhões
Empresas ativas nesses setores (exceto MEI)2 milhões

Como se preparar antes de setembro

Se a sua empresa atua no modelo B2B, vale a pena olhar com atenção para essa lista de setores mais expostos e verificar se o seu CNAE está entre eles. Mas mesmo quem não está nesse grupo não deve deixar a decisão para a última hora. O ponto central é entender como funciona a geração e o aproveitamento de créditos tributários no regime híbrido, quanto isso pode afetar o preço final dos seus produtos ou serviços e como seus principais fornecedores e clientes estão se posicionando diante da mudança.

O ideal é sentar com o seu contador o quanto antes para simular os dois cenários, permanecer no Simples tradicional ou migrar para o híbrido, e entender qual deles preserva melhor a competitividade e a margem do negócio. Como o próprio estudo aponta, boa parte dos escritórios contábeis ainda está no início desse mapeamento, então antecipar essa conversa pode fazer toda a diferença para não ser pego de surpresa quando o prazo de setembro chegar.

A Reforma Tributária ainda vai passar por ajustes até entrar em vigor por completo, mas a decisão sobre o enquadramento tributário das pequenas empresas tem data marcada. Quem começar a se organizar agora, revisando contratos, fornecedores e formação de preços, chega em setembro com uma decisão muito mais segura do que quem deixar para pensar nisso de última hora.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.