Selic deve ficar parada em novembro: entenda o que muda para sua empresa
03/11/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você estava contando com juros mais baixos para baratear o crédito da sua empresa nos próximos meses, é hora de ajustar as expectativas. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 3 e 4 de novembro, deve resultar na manutenção da Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que vinha sendo construído desde o início de 2026. A mudança de cenário tem um nome: a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que alterou a percepção de risco dos investidores e pressionou o dólar para cima.
O que mudou
Antes do resultado eleitoral, o dólar era negociado perto de R$ 5. Depois da reeleição, passou para a faixa entre R$ 5,35 e R$ 5,50. Esse movimento não é só uma curiosidade de mercado financeiro: dólar mais caro encarece produtos importados, insumos industriais e combustíveis, o que pode pressionar os custos da sua operação, especialmente se você depende de matéria-prima estrangeira ou de peças e equipamentos importados.
Some a isso a alta do petróleo, que foi de cerca de US$ 90 para próximo de US$ 115 por barril. O combinado de câmbio mais caro e petróleo mais caro tende a se refletir em combustíveis, transporte e produção, afetando toda a cadeia de custos de quem vende produtos ou presta serviços no Brasil.
Por que a Selic deve parar de cair
O Banco Central vinha sinalizando que poderia continuar cortando os juros, apoiado na ideia de que a economia estava desacelerando e a inflação dava sinais de alívio. Mas os números recentes contam outra história: o IPCA subiu 0,82% em setembro, depois de uma deflação em agosto, levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,58%, acima do teto da meta (4,5%). A prévia de outubro (IPCA-15) trouxe um resultado mensal mais ameno, mas no acumulado de 12 meses a inflação subiu para 4,62%.
Analistas ouvidos sobre o tema divergem em detalhes, mas convergem na direção geral. Antonio Patrus, da Bossa Invest, aponta que a deterioração das expectativas de inflação, principalmente para 2027, limita o espaço para novos cortes e considera a manutenção da Selic a decisão mais prudente no momento. Stephan Kautz, da EQI Investimentos, lembra que o Banco Central vinha ganhando confiança para cortar os juros antes do período eleitoral, mas reconhece que o cenário ficou mais incerto. Já Marília Fontes, da Nord Investimentos, defende que os dados de inflação persistente e o estresse recente no câmbio e nos juros já justificam uma pausa, como forma de o Banco Central preservar credibilidade.
O Itaú BBA também prevê manutenção da Selic, segundo o economista-chefe Diogo Guillen, que atribui a piora do cenário a uma combinação de condições financeiras mais apertadas no exterior, alta do petróleo e um mercado de trabalho brasileiro ainda resiliente. Já a Warren Rena revisou sua projeção: esperava corte de 0,25 ponto percentual e agora também aposta em manutenção, com retomada dos cortes apenas em janeiro de 2027. Para o estrategista Luis Felipe Vital, parte da virada no mercado veio da reversão de expectativas que haviam sido montadas em torno de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, somada a um prêmio de risco fiscal que deve persistir enquanto não houver clareza sobre o plano econômico do governo para 2027.
O que isso significa para o seu negócio
Na prática, juros parados em um patamar elevado significam crédito mais caro por mais tempo: financiamentos, capital de giro e renegociações de dívida continuam custando mais caro do que se o ciclo de cortes tivesse seguido adiante. Isso tende a frear investimentos e a conter o consumo, afetando negócios de diversos setores, especialmente os que dependem de crédito para crescer ou de clientes com renda mais sensível a juros altos.
Outro ponto de atenção é a reforma tributária. A proposta de alíquota de 11,3% para a CBS, divulgada pelo Tribunal de Contas da União, veio acima do que o mercado esperava (em torno de 9%), o que amplia as dúvidas sobre como os preços vão se comportar nos próximos anos. Some isso à possibilidade, ainda discutida, de uma eventual alta da Selic caso o dólar continue subindo e o governo não apresente medidas fiscais concretas: o cenário pede cautela redobrada no planejamento financeiro da sua empresa.
Diante desse quadro, vale revisar prazos de renegociação de dívidas, evitar se comprometer com financiamentos de longo prazo em condições desfavoráveis e acompanhar de perto o comportamento do dólar, já que ele impacta diretamente custos de insumos importados e combustíveis. Se sua empresa trabalha com importação, exportação ou produtos atrelados a commodities, o momento pede atenção redobrada à formação de preços e às margens, para não ser pego de surpresa por repasses de custos que ainda estão por vir.
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