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Economia dos EUA antes das eleições: o que explica o pessimismo

02/11/2026 12:113 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Às vésperas de uma eleição importante nos Estados Unidos, existe uma contradição chamando atenção: os números econômicos oficiais parecem bons, mas o humor da população está ruim. Essa distância entre dados e percepção tem tudo a ver com o bolso de cada família, e também pode afetar negócios brasileiros que dependem de fornecedores, clientes ou investimentos ligados ao mercado americano.

O cenário é o seguinte: o desemprego nos Estados Unidos está historicamente baixo, mais gente está empregada do que em qualquer outro momento da história do país, e a economia como um todo está crescendo de forma consistente. O mercado de ações também vive um momento forte, puxado principalmente pelos investimentos em inteligência artificial, o que tem beneficiado quem tem dinheiro aplicado em ações, incluindo fundos de aposentadoria. Por outro lado, a inflação segue alta o suficiente para pesar no dia a dia: no posto de gasolina, na conta de luz, no delivery.

O que explica o descontentamento

Mesmo com indicadores positivos, pesquisas mostram que a confiança do consumidor americano piorou desde o início do atual governo. Um dos levantamentos mais importantes do país, feito pela Universidade de Michigan, registrou um dos níveis mais baixos de confiança já vistos. Já outro indicador, do Conference Board, mostrou leve melhora recente, o que indica que o sentimento da população está dividido e instável.

Uma das explicações para esse clima negativo é a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que durou oito meses e pressionou para cima o preço dos combustíveis em escala global. Some-se a isso o impacto de tarifas comerciais e o próprio avanço da demanda por inteligência artificial, que também tem contribuído para pressionar os preços de forma mais ampla, segundo analistas e autoridades do banco central americano.

Do lado do trabalho, a notícia é mais tranquilizadora: os pedidos de seguro-desemprego estão perto da menor marca em 57 anos, e a taxa de desemprego, de 4,2%, está estável há cinco anos sem ultrapassar 4,5%, um recorde de estabilidade. Ainda assim, as contratações estão mais lentas, e quem está se formando agora encontra mais dificuldade para conseguir o primeiro emprego.

Economia dos EUA em números
4,2%taxa de desempregosem ultrapassar 4,5% há cinco anos seguidos, recorde histórico.
3,4%crescimento do PIBtaxa anualizada no último trimestre, melhor resultado do ano.
5,5%alta de preços e saláriosdesde janeiro de 2025, deixando o poder de compra praticamente estável.

O papel do mercado de ações e da inflação

Os ganhos no mercado de ações têm sido um fator importante para sustentar o consumo nos Estados Unidos, principalmente entre as famílias de renda mais alta, que concentram a maior parte das aplicações. Esse grupo tem gastado mais por se sentir mais rico com a valorização de suas carteiras, o que ajuda a explicar por que o crescimento econômico segue firme mesmo com parte da população insatisfeita.

O problema é que esse otimismo do mercado financeiro começou a mostrar sinais de fragilidade. Resultados recentes de grandes empresas de tecnologia, como Amazon e Intel, acenderam um alerta sobre até quando o boom de investimentos em inteligência artificial pode se sustentar, provocando quedas em índices importantes da bolsa americana.

Enquanto isso, o custo de vida segue sendo o principal incômodo das famílias. A inflação está bem acima da meta perseguida pelo banco central americano, e os juros dos financiamentos de longo prazo, como o de imóveis, também subiram, com taxas de hipoteca superando 7% ao ano. Combinado com a escassez de imóveis disponíveis, isso tem tornado a compra da casa própria mais difícil para boa parte da população.

Para empresários brasileiros que acompanham o mercado americano, seja por exportação, investimentos ou relação com fornecedores, vale ficar de olho nesse cenário de instabilidade: juros americanos em alta, inflação persistente e incerteza sobre o apetite de consumo das famílias podem影响 o câmbio, o custo de importações e a confiança de investidores internacionais nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.