Pular para o conteúdo
VoltarReforma tributária

Reforma Tributária: por que PMEs precisam se adaptar agora

03/08/2026 14:303 min de leituraAtualizado há 30 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Um levantamento recente colocou números concretos em uma preocupação que já circulava entre empresários: a transição da Reforma Tributária vai exigir muito mais preparação do que se imagina, especialmente das pequenas e médias empresas. O chamado Radar Setorial da Reforma Tributária, estudo da Omie, analisou 76 segmentos da economia brasileira e identificou 26 atividades que precisam correr contra o tempo para se adaptar ao novo modelo de tributação sobre o consumo. Juntas, essas empresas somam cerca de 2 milhões de negócios, respondem por aproximadamente 14% do PIB nacional e empregam em torno de 10 milhões de trabalhadores. Se você comanda uma empresa em um desses setores, o recado é claro: quanto antes começar a se organizar, menor o risco de dor de cabeça mais adiante.

É importante entender um ponto que o próprio estudo destaca: estar entre os setores mais expostos não significa, necessariamente, pagar mais imposto. O que essas empresas têm em comum é a necessidade de revisar processos internos, sistemas de gestão e estratégias comerciais para se ajustar ao novo ambiente tributário, que muda a lógica de cobrança e de aproveitamento de créditos.

Quem é afetado

A pesquisa avaliou cada setor a partir de três critérios principais: o quanto a carga tributária pode variar com as novas regras, o grau de complexidade operacional exigido para a adaptação e o impacto da ampliação dos créditos tributários previstos no modelo de IVA dual (que reúne IBS e CBS). Com base nisso, 26 segmentos foram classificados como de alta prioridade, ou seja, precisam de planejamento antecipado para reduzir riscos durante a implementação. Entre os setores mais expostos estão empresas de descontaminação e gestão de resíduos, indústrias de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, e negócios de apoio à extração de minerais.

O estudo também chama atenção para um grupo específico: as empresas optantes pelo Simples Nacional, sobretudo aquelas ligadas a serviços especializados para construção. Esses contribuintes terão uma decisão estratégica pela frente, avaliar se vale a pena migrar para o chamado Simples Nacional híbrido, modelo criado pela Lei Complementar nº 214/2025. Nesse formato, a empresa continua recolhendo parte dos tributos dentro do Simples, mas passa a apurar IBS e CBS fora do DAS, o que permite que os clientes aproveitem integralmente os créditos tributários gerados pela compra de produtos ou serviços. Na prática, essa escolha pode influenciar diretamente a competitividade do seu negócio frente a concorrentes que optarem por caminhos diferentes.

Como se preparar

Segundo o levantamento, a adaptação não se resume a recalcular impostos. As empresas também precisam repensar o perfil da sua carteira de clientes e revisar a parametrização dos sistemas de gestão (ERPs) usados no dia a dia. Com a ampliação do sistema de créditos tributários trazida pela reforma, o relacionamento comercial entre empresas ganha peso ainda maior na competitividade: fornecedores e clientes vão passar a considerar, mais do que antes, quem oferece melhor aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.

Nesse contexto, o papel do contador deixa de ser apenas o de cumprir obrigações fiscais e passa a ser cada vez mais consultivo. Caberá aos escritórios de contabilidade apoiar os clientes na simulação de cenários, na avaliação dos impactos financeiros de cada opção e na definição do regime tributário mais vantajoso durante o período de transição. Essa mudança de postura é especialmente relevante porque as decisões tomadas ainda em 2026 devem influenciar diretamente a competitividade e o fluxo de caixa das empresas nos anos seguintes, à medida que o IBS e a CBS avançam em sua implementação.

Se sua empresa está entre os setores citados, ou mesmo se você tem dúvidas sobre como a reforma vai impactar seu negócio, o momento é de agir e não de esperar. Conversar com seu contador, revisar contratos, entender o perfil dos seus clientes e simular diferentes cenários tributários pode fazer a diferença entre atravessar a transição com tranquilidade ou enfrentar surpresas desagradáveis no fluxo de caixa. A GL Inteligência Contábil está à disposição para ajudar sua empresa a mapear os impactos específicos do seu setor e traçar o melhor caminho para essa adaptação.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.