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Reforma tributária: por que bares e restaurantes ainda não estão prontos

25/08/2026 14:304 min de leituraAtualizado há 8 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 60,9% dos empresários do setor de alimentação fora do lar não se sentem preparados para a nova etapa da Reforma Tributária do Consumo. O levantamento ouviu 1.480 empresários de todo o país e revela um cenário de dúvidas sobre regras, prazos e decisões que precisam ser tomadas agora, não mais no futuro. Se você tem um bar, restaurante ou outro negócio do ramo, esse dado importa porque 2026 deixou de ser apenas um ano de espera e passou a ser o momento de agir.

Do total de entrevistados, 43,9% se consideram pouco preparados e 17% se dizem nada preparados. Outros 16,3% nem conseguem avaliar o próprio nível de preparação. Somando tudo, apenas 22,9% afirmam estar preparados ou muito preparados para a transição. Isso significa que a grande maioria do setor ainda não sabe exatamente o que fazer diante das mudanças que já estão em curso.

Quem é mais afetado

A situação é ainda mais delicada entre as empresas do Simples Nacional, que representam 71,3% dos participantes da pesquisa. Apenas 10,6% desse grupo afirmam estar se preparando ativamente para as decisões tributárias que se aproximam. Entre os que ainda não se prepararam, 33,6% dizem não ter informação suficiente, 29% reconhecem a importância da decisão mas sentem falta de ferramentas e orientação, e 26,8% acreditam que o prazo é curto demais diante da falta de suporte do mercado. Juntos, esses três grupos somam 89,4% dos empresários do Simples ouvidos.

A maior dúvida dos empresários, apontada por 49,4% deles, é sobre o impacto da Reforma na formação de preços e nas margens de lucro. Em seguida vêm as incertezas sobre o funcionamento básico do IBS e da CBS, citadas por 48,1%, e sobre a redução de 40% na alíquota do setor e o aproveitamento de créditos, mencionadas por 46,8%. Ou seja, a preocupação não é só entender a lei, mas descobrir se o preço que você cobra hoje ainda vai sustentar o seu negócio amanhã.

O que mais preocupa o setor
49,4%formação de preçostêm dúvidas sobre o impacto na margem de lucro.
48,1%regras do IBS e CBSainda não entenderam o funcionamento básico dos novos tributos.
34%split paymentnão sabem como o mecanismo vai afetar o recebimento e o caixa.

A Lei Complementar nº 214/2025 criou um regime específico para bares, restaurantes e estabelecimentos de alimentação, com redução de 40% nas alíquotas de IBS e CBS. Mas essa redução não pode ser calculada como um simples desconto na conta: o regime tem regras próprias que precisam ser analisadas junto com o aproveitamento de créditos e a composição das receitas do negócio. Por isso, entender "quanto vou pagar a menos" exige uma análise mais detalhada do que apenas aplicar o percentual de redução.

Outro ponto de dúvida é a escolha entre o Simples tradicional, em que IBS e CBS ficam dentro da sistemática atual, e o modelo híbrido, em que a empresa continua no Simples para os demais tributos mas passa a apurar IBS e CBS separadamente, seguindo as regras gerais. Essa decisão depende do perfil da sua clientela: um restaurante que vende principalmente para o consumidor final pode ter um resultado diferente de um estabelecimento que fatura bastante com eventos corporativos ou fornecimento para empresas. Não existe uma resposta pronta que sirva para todo o setor.

O split payment, mecanismo que separa o IBS e a CBS diretamente no fluxo financeiro das operações, também gera dúvidas em 34% dos entrevistados. Para um setor com alto volume de transações e diferentes formas de pagamento, entender como isso vai funcionar é essencial para organizar a conciliação financeira, os sistemas de venda e o fluxo de caixa do dia a dia.

Prazos que já estão em andamento

As obrigações acessórias e a emissão de documentos fiscais também preocupam 26,6% dos empresários, enquanto 16,4% têm dúvidas sobre o próprio cronograma da Reforma. Um prazo já está definido: para os optantes pelo Simples Nacional, a emissão de documentos fiscais com as informações de IBS e CBS passa a ser obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2027. Isso significa que, mesmo quem decidir permanecer totalmente no Simples, vai precisar se adaptar operacionalmente dentro desse prazo.

Esse clima de incerteza também aparece na expectativa dos empresários sobre os efeitos da Reforma: 54,2% acreditam que o impacto será negativo ou muito negativo para o setor, e 52,9% esperam o mesmo resultado para o próprio negócio. Uma parcela relevante, cerca de 22%, ainda nem consegue avaliar esse impacto. Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, isso mostra que muitos empresários estão diante de uma mudança profunda sem ter acesso às informações necessárias para entender o que ela realmente representa.

Diante desse cenário, o papel do contador ganha ainda mais importância. Não basta explicar que o IBS e a CBS vão substituir os tributos atuais: é preciso mostrar, na prática, quanto cada alternativa pode representar no caixa do estabelecimento, como funcionam os créditos, quais operações têm tratamento diferenciado e como incorporar tudo isso na formação de preços. Se você é dono de bar ou restaurante, o momento é de procurar orientação contábil o quanto antes, já que pequenas variações de custo podem impactar diretamente a margem do seu negócio, e o prazo para tomar decisões concretas está cada vez mais curto.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.