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Reforma tributária: por que bares e restaurantes ainda não estão prontos

20/08/2026 19:153 min de leituraAtualizado há 13 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem um bar, restaurante, padaria ou lanchonete e ainda não entendeu direito como a reforma tributária vai afetar seu negócio, saiba que não está sozinho. Uma pesquisa nacional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que a maioria dos empresários do setor está perdida diante das novas regras, prazos e decisões que precisam ser tomadas. O problema não é falta de vontade de se adaptar, mas falta de informação clara sobre o que realmente muda na prática.

O levantamento ouviu 1.480 empresários do setor de alimentação fora do lar em todo o país, entre os dias 20 e 28 de julho de 2026. O resultado é preocupante: 60,9% dos entrevistados dizem não estar preparados para a transição tributária, sendo que 17% se consideram "nada preparados". Outros 16,3% nem conseguem avaliar o próprio nível de preparo. Apenas 22,9% se sentem preparados ou muito preparados para lidar com as mudanças.

Quem é mais afetado

A situação fica ainda mais delicada entre as empresas do Simples Nacional, que representam 71,3% dos entrevistados. Isso é relevante porque a maioria dos bares e restaurantes brasileiros se enquadra nesse regime. Segundo a pesquisa, apenas 10,6% desses empresários estão se preparando ativamente para a antecipação da escolha do regime tributário, que precisa ser feita em setembro de 2026. Ou seja, quase 90% do grupo ainda não tomou providências concretas para essa decisão, que é importante e tem prazo definido.

Entre os motivos para esse atraso, 33,6% dizem simplesmente não ter informações suficientes. Outros 29% reconhecem a importância da escolha, mas afirmam que precisam de mais dados e ferramentas para decidir com segurança. Já 26,8% acham o prazo curto e acreditam que o mercado ainda não tem estrutura para orientar as empresas nessa transição.

O que mais preocupa os empresários
49,4%preços e margensquerem entender como a reforma afeta a formação de preços e o lucro.
48,1%novos tributosbuscam informações básicas sobre o funcionamento do IBS e da CBS.
46,8%alíquota e créditosprecisam de orientação sobre a redução de 40% na alíquota do setor e sobre créditos tributários.

Além dessas dúvidas, 34,5% dos empresários não sabem se devem permanecer no Simples Nacional tradicional ou migrar para o modelo híbrido. O funcionamento do split payment, o sistema de recolhimento automático de tributos nas vendas, também preocupa 34% dos respondentes. Mudanças em obrigações acessórias, emissão de notas fiscais e risco de autuação são dúvidas de 26,6% dos entrevistados, e 16,4% ainda têm dificuldade para entender o próprio calendário da reforma.

O clima é de insegurança

A falta de clareza também aparece na forma como os empresários enxergam o futuro. Quando perguntados sobre os efeitos da reforma para o setor, 22,5% disseram não saber se serão positivos ou negativos, e 22,9% têm a mesma dúvida em relação ao próprio negócio. Entre quem já tem uma opinião formada, o pessimismo predomina: 54,2% acreditam que os efeitos serão negativos ou muito negativos para o setor, e 52,9% pensam o mesmo sobre seus próprios negócios.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o principal problema não é discutir se a reforma será boa ou ruim, mas garantir que o empresário entenda as regras antes de tomar decisões. Segundo ele, o governo federal deveria liderar esse processo de esclarecimento, mas tem falhado nessa missão, o que abre espaço para desinformação e falsos alertas nas redes sociais, confundindo ainda mais quem precisa decidir com segurança.

Como se preparar

Diante desse cenário, o caminho mais seguro é buscar orientação especializada antes que os prazos apertem, especialmente a definição do regime tributário prevista para setembro de 2026. Entender como o IBS, a CBS e a redução de alíquota do setor vão impactar seus preços e margens é essencial para não ser pego de surpresa. Avaliar com cuidado se vale mais a pena manter o Simples Nacional tradicional ou migrar para o modelo híbrido também exige análise caso a caso, considerando o perfil de cada negócio. O apoio de um contador de confiança é o que vai transformar essas dúvidas em decisões concretas, evitando erros que podem custar caro na adaptação ao novo sistema tributário.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.