Reforma tributária e IR 2026: o que sua empresa precisa ajustar agora
03/09/2026 15:154 min de leituraAtualizado há 58 minutos
Vale para: Simples Nacional
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você é empresário ou gestor, 2026 já chegou trazendo duas mudanças que vão exigir atenção direta da sua empresa: o início dos testes da Reforma Tributária e a nova faixa de isenção do Imposto de Renda. Não são apenas assuntos de bastidor da contabilidade. Ambos afetam desde a forma como suas notas fiscais são emitidas até o valor líquido que seus funcionários recebem no fim do mês. Entender o que está em jogo agora evita dor de cabeça mais adiante.
O que muda com o novo imposto sobre consumo
A partir de 2026 começa a fase de testes do IVA Dual, o novo modelo que vai substituir parte dos tributos sobre consumo no país. Ele é formado por dois impostos: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Nessa fase inicial, as alíquotas são simbólicas (0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS), justamente porque o objetivo não é cobrar mais imposto, mas sim testar se os sistemas de emissão de nota fiscal e os softwares de gestão das empresas conseguem calcular e emitir os documentos corretamente, sem travar a operação.
Na prática, isso significa que sua empresa precisa revisar com cuidado a classificação fiscal dos produtos e serviços que vende, os chamados códigos NCM e NBS. Esse detalhe, que pode parecer burocrático, é o que garante que o imposto seja destacado corretamente na nota fiscal. E esse destaque correto é justamente o que permite que as empresas da cadeia (fornecedores e clientes) consigam aproveitar os créditos tributários a que têm direito. Um cadastro de produtos desorganizado pode travar esse fluxo de créditos e gerar prejuízo para você ou para quem compra de você.
Se sua empresa está no Simples Nacional, vale um cuidado extra. A transição para o novo modelo traz regras específicas, e em alguns casos pode fazer sentido avaliar se compensa continuar no recolhimento unificado do Simples ou migrar parte da tributação de IBS/CBS para o regime regular, principalmente se você vende para empresas maiores que precisam aproveitar créditos. Essa é uma decisão que deve ser tomada junto com seu contador, avaliando o perfil da sua carteira de clientes.
Nova isenção do Imposto de Renda muda a folha e a declaração
A segunda grande mudança de 2026 é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Para o trabalhador, é alívio direto no bolso. Para a empresa, especialmente para o setor de Departamento Pessoal, é ajuste imediato: o cálculo da retenção na fonte precisou ser revisto nos holerites, com atenção especial para os descontos parciais aplicados às faixas salariais que ficam logo acima do novo limite de isenção.
Outro efeito prático é que menos pessoas físicas ficam obrigadas a entregar a declaração anual completa do Imposto de Renda. Isso reduz aquela corrida tradicional do início do ano para fechar declarações simples, mas também abre espaço para um tipo de atendimento diferente: sócios, investidores e pessoas de renda mais alta passam a demandar mais planejamento patrimonial e consultoria tributária personalizada, e não apenas o preenchimento padrão da declaração.
Como se preparar na prática
O primeiro passo é garantir que seus sistemas de emissão de nota fiscal e de gestão estejam atualizados para lidar com o novo modelo de cálculo do CBS e do IBS, ainda que as alíquotas de teste sejam baixas. É melhor identificar falhas agora, na fase simbólica, do que quando o imposto estiver em valor cheio. O segundo passo é revisar, junto com seu contador, o cadastro de produtos e serviços da empresa, corrigindo classificações fiscais desatualizadas.
No campo do Imposto de Renda, vale conferir se a folha de pagamento da empresa já está aplicando corretamente a nova tabela e os descontos parciais nas faixas de transição. E, principalmente, é hora de conversar com seu contador sobre novas oportunidades: se você é sócio ou tem renda mais alta, o momento é propício para discutir planejamento patrimonial e estratégias tributárias mais sofisticadas, que vão além da simples entrega de declaração.
No fim das contas, o que essas duas mudanças deixam claro é que o papel do contador está mudando junto com a legislação. Mais do que cumprir obrigações, o profissional que vai ajudar sua empresa a atravessar esse período com segurança é aquele que se senta ao seu lado, explica o impacto real das novas regras no seu negócio e ajuda a tomar decisões, sejam elas sobre a classificação fiscal dos seus produtos, a permanência no Simples Nacional ou o planejamento financeiro dos sócios. Antecipar-se a essas conversas agora, em 2026, é o que vai evitar sustos e custos desnecessários em 2027.
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