Simples Nacional em 2027: como a Reforma Tributária muda sua escolha
04/09/2026 18:304 min de leituraAtualizado há 1 hora
Vale para: Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se a sua empresa está no Simples Nacional, prepare-se para uma decisão mais complexa a partir de 2027. O regime continua existindo e pode seguir sendo vantajoso, mas a Reforma Tributária vai exigir que você olhe além da conta simples de "quanto pago de imposto". Com a chegada da CBS e a transição para o IBS, fatores como quem são seus clientes, quanto de crédito tributário sua empresa gera e o efeito disso sobre seu fluxo de caixa passam a pesar diretamente na escolha do regime tributário.
O que muda
A partir de 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir e são substituídos pela CBS, enquanto o IBS entra em processo de transição para substituir outros tributos sobre consumo. Para quem está no Simples Nacional, a principal novidade é a possibilidade de continuar no regime simplificado para a maioria dos tributos, mas optar por apurar IBS e CBS separadamente, fora da guia única do DAS. Ao fazer essa escolha, a empresa passa a seguir o sistema de débitos e créditos desses novos tributos, igual ao que vale para empresas do regime regular.
Na prática, isso significa que o Simples deixa de ser uma resposta automática para todo pequeno negócio. A decisão vai depender de como sua empresa se relaciona com clientes e fornecedores, e não apenas do valor final pago em impostos.
Quem é afetado
O impacto é maior para empresas que vendem para outras empresas, no chamado mercado B2B. Isso porque, nesse tipo de relação comercial, o crédito tributário que o comprador consegue aproveitar pode pesar na escolha do fornecedor. Se sua empresa mantiver o IBS e a CBS dentro do Simples, o cliente que compra de você e está no regime regular ainda poderá aproveitar um crédito correspondente, seguindo regras específicas. Já se você optar por apurar esses tributos fora do Simples, entra na sistemática geral de créditos e débitos.
Prestadores de serviços de tecnologia, consultoria, segurança e engenharia, além de atacadistas e distribuidores, estão entre os negócios que mais precisam ficar atentos a essa questão, já que costumam vender para outras empresas e disputar contratos onde o crédito tributário faz diferença no custo final para o comprador. Já negócios voltados ao consumidor final tendem a sentir menos esse efeito, pois o cliente pessoa física não aproveita crédito tributário da mesma forma.
Permanecer integralmente no Simples
- Continua recolhendo tudo pelo DAS
- Cliente do regime regular aproveita crédito conforme regras específicas do Simples
- Simplicidade operacional mantida
Apurar IBS e CBS fora do Simples
- Entra na sistemática geral de débitos e créditos
- Pode gerar mais crédito para o cliente comprador
- Exige controle mais detalhado de créditos e débitos
Vale lembrar que existe ainda um terceiro caminho: avaliar se outro regime tributário, diferente do Simples, se encaixa melhor na estrutura da empresa. Não há uma resposta pronta que sirva para todos os negócios, a escolha depende da atividade, da composição de custos, do faturamento e do perfil de quem compra e vende com a empresa.
Como se preparar
A formação de preços também merece atenção redobrada em operações B2B. Duas propostas comerciais com valores parecidos podem representar custos bem diferentes para quem compra, dependendo do crédito tributário embutido na operação. Por isso, é importante analisar o preço tanto do ponto de vista de quem vende quanto de quem compra, entendendo se a estrutura tributária da sua empresa continua competitiva diante dessa nova lógica.
O fluxo de caixa é outro ponto que exige cuidado. O novo sistema prevê mecanismos como o split payment, que muda a forma e o momento em que os tributos são recolhidos. Dependendo de como isso for regulamentado, sua empresa pode precisar revisar o capital de giro e as projeções financeiras. Por isso, o ideal é começar já a mapear suas vendas para empresas e para consumidores finais, revisar a classificação fiscal dos produtos e serviços, e simular diferentes cenários tributários, considerando preço, margem, créditos e necessidade de caixa.
Contratos de médio e longo prazo também precisam entrar nessa revisão, já que a transição pode afetar preços e condições combinadas anteriormente. Além disso, sistemas de gestão, faturamento e emissão de notas fiscais precisarão se adaptar às exigências do IBS e da CBS. O recado principal é que, em 2027, decidir a forma de tributação olhando só para o valor do imposto pode significar ignorar efeitos importantes sobre preço, margem e caixa do seu negócio. Antecipar essa análise é o caminho mais seguro para não ser pego de surpresa.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
