Pular para o conteúdo
VoltarEmpresarial

Simples Híbrido: Receita pode adiar prazos, mas regras atuais seguem valendo

19/08/2026 09:004 min de leituraAtualizado há 14 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem uma empresa no Simples Nacional, prepare-se para uma decisão importante em 2026: escolher se vai continuar recolhendo os novos tributos IBS e CBS dentro do Simples ou migrar essa parte para o regime regular, opção conhecida como Simples Híbrido. A Receita Federal e outros órgãos que tocam a Reforma Tributária estão estudando mudanças para tornar essa escolha menos arriscada, incluindo mais tempo para desistir da opção e o adiamento de uma nova exigência cadastral. Mas atenção: nada disso foi oficializado ainda, e as regras que valem hoje continuam sendo essas até que uma nova norma seja publicada.

O que está em discussão

O ponto central do problema é simples de entender: a partir de setembro de 2026, as empresas do Simples precisarão decidir se querem apurar IBS e CBS fora do Simples, no regime regular, para o primeiro semestre de 2027. O problema é que essa escolha depende de comparar quanto a empresa pagaria de um jeito e de outro, e essa conta só fecha se você souber qual será a alíquota da CBS. Só que essa alíquota pode não estar definida a tempo da decisão. Por isso, Receita e Comitê Gestor do IBS avaliam dar um prazo extra para desistir da escolha, caso as informações completas só apareçam depois da janela de setembro.

Outro assunto tratado foi o chamado CNPJ técnico, um identificador usado para reconhecer determinados estabelecimentos ou estruturas dentro do novo sistema tributário. Essa exigência já havia sido adiada uma vez, com data marcada para janeiro de 2027. Agora se discute empurrá-la para 2029, para evitar que as empresas precisem se adaptar a várias mudanças de uma vez só nos primeiros anos da reforma. Também está em análise um ajuste sobre como aproveitar créditos relacionados aos estoques que as empresas terão na virada para 2027, já que parte dessas mercadorias pode gerar direito a crédito quando o PIS e a Cofins migrarem para a CBS.

Quem precisa ficar atento

Essas discussões interessam diretamente às micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional, principalmente aquelas que vendem para outras empresas (modelo B2B), já que para elas o aproveitamento de créditos pelos clientes pode pesar bastante na decisão entre ficar no Simples tradicional ou migrar para o Simples Híbrido. Empresas voltadas ao consumidor final também precisam simular os dois cenários, porque o resultado pode ser diferente. A conta envolve faturamento, margem, compras, créditos de entrada, perfil de clientes, cadeia de fornecedores e o efeito da nova tributação no preço final.

Datas que continuam valendo
1º a 30/09/2026janela de opçãoperíodo para escolher o regime regular de IBS e CBS para o 1º semestre de 2027.
Até 30/11/2026prazo de desistênciaprazo atual para cancelar a opção, que pode ser ampliado se a alíquota da CBS não sair a tempo.
Jan/2027 → 2029CNPJ técnico em estudoexigência que pode ser adiada para reduzir o volume de mudanças simultâneas.

Vale destacar também que o fechamento contábil de 2026 vai ganhar peso extra. A regra de transição exige que o estoque existente em 1º de janeiro de 2027 seja levantado e valorado por inventário, incluindo mercadorias, produtos acabados, produtos em processo, matérias-primas e materiais de embalagem, tudo respaldado por documentação fiscal válida. Isso significa que, independentemente do que for decidido sobre os créditos do Simples, fazer um inventário bem-feito no fim de 2026 será importante para quem quiser aproveitar créditos na transição para a CBS.

Como se preparar agora

O recado principal é: não trate os estudos como se já fossem regra. Enquanto não sair uma norma oficial, o calendário vigente continua de pé, com a janela de opção em setembro de 2026 e o prazo de desistência até o fim de novembro do mesmo ano. A recomendação prática é usar as próximas semanas para montar simulações com diferentes cenários de alíquota da CBS, em vez de esperar por um número definitivo. Assim, quando a alíquota for confirmada, será possível ajustar rapidamente os cálculos e tomar a decisão com mais segurança, sem perder tempo com a análise do zero.

Esse movimento mostra que a Reforma Tributária está entrando em uma fase mais operacional, na qual problemas práticos aparecem conforme empresas, contadores e o próprio Fisco tentam transformar a lei em processos do dia a dia. Os possíveis adiamentos discutidos não indicam mudança na estrutura da reforma, mas sim ajustes de cronograma para tornar a transição mais viável. Por isso, o ideal é acompanhar de perto as próximas publicações oficiais e manter o planejamento tributário da sua empresa em andamento, já considerando os prazos atuais como referência até que algo mude oficialmente.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.