Shopee amplia logística no Brasil e espera a Anvisa para vender remédios
27/10/2026 16:523 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de E-commerce e Marketplace, atualizado a cada mudança de norma.
A Shopee anunciou a abertura de quatro novos centros de distribuição no Brasil e uma ampliação significativa de sua estrutura em Piracicaba (SP). Com isso, a empresa aumentou em 60% sua capacidade de processar pedidos no último ano. Para quem vende pela plataforma ou pensa em vender, a mudança significa mais agilidade na entrega e espaço para crescer nas datas de maior movimento, como Black Friday e o 11/11, a principal data promocional da Shopee no país.
O que muda na estrutura da Shopee
As novas unidades foram instaladas em Recife, Rio de Janeiro, Vitória e Blumenau (SC). Somadas à expansão em Piracicaba, elas acrescentaram capacidade para processar 2,4 milhões de pedidos por dia. Com isso, o número total de centros de distribuição da Shopee no Brasil saltou de 16, há um ano, para 30 atualmente. Desse total, 25 operam no modelo de passagem rápida, conhecido como cross-docking, e cinco funcionam como centros de armazenamento completo, nos quais a empresa guarda os produtos dos próprios vendedores até a venda.
Na prática, isso significa que o lojista que vende pela Shopee pode contar com mais capilaridade logística pelo país, o que tende a reduzir prazos de entrega e aumentar a confiabilidade da operação em períodos de pico de vendas.
Quem é afetado por essa expansão
A expansão interessa especialmente a pequenos e médios empresários que vendem pela plataforma. A Shopee afirma ter mais de 3 milhões de vendedores locais cadastrados e disputa o mercado brasileiro de comércio eletrônico diretamente com Amazon e Mercado Livre. Quanto maior a capacidade logística da plataforma, menor a chance de atrasos e cancelamentos em períodos de alta demanda, como o fim de ano.
Para dar uma ideia do volume de negócios envolvido, a empresa informou que vendeu mais de 20 milhões de itens no último 11 de novembro, superando inclusive o volume da Black Friday no país.
Venda de medicamentos ainda depende da Anvisa
Um ponto de atenção para farmácias que vendem pela Shopee é a possibilidade de incluir medicamentos no catálogo. A empresa afirmou que vai esperar a conclusão da regulamentação da Anvisa antes de liberar essa categoria em sua plataforma. Segundo a Shopee, ainda falta clareza sobre a legislação para que a empresa avance nesse sentido.
O tema ganhou relevância porque uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada neste ano já autorizou a venda de medicamentos em marketplaces, e o Mercado Livre começou a vender remédios no mês passado, tanto por farmácia própria quanto por farmácias parceiras. A Anvisa, no entanto, ainda prepara as regras específicas sobre como essa venda deve funcionar.
Como a Shopee não possui operação própria de varejo, uma eventual venda de medicamentos na plataforma dependeria exclusivamente de farmácias terceiras. A empresa avalia que os remédios precisariam ser enviados diretamente da farmácia ao consumidor, modelo que poderia ser atendido pela operação Turbo, lançada em agosto em São Paulo e que promete entregas em até quatro horas. Atualmente, mais de 40 redes de farmácias já vendem outros produtos, como cosméticos, na Shopee.
Para empresários do setor farmacêutico e de outros segmentos que operam pela plataforma, o momento pede atenção às próximas movimentações regulatórias. Enquanto a Anvisa não define as regras, a venda de medicamentos segue fora do alcance da Shopee, mas a expansão logística já é uma realidade que pode beneficiar quem vende outros tipos de produto, especialmente diante do forte investimento em cupons de desconto para Black Friday e 11/11 neste ano.
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