Quem é Paula Cosenza, produtora de "100 Dias" com Amyr Klink
28/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O filme "100 Dias", que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), retrata a travessia solitária do navegador Amyr Klink e chega às telas depois de quase dez anos de articulações. Por trás dessa jornada está a produtora Paula Cosenza, nome que conecta investidores, estúdios internacionais e talentos criativos para transformar uma ideia em produto final. Embora o episódio seja sobre cinema, a trajetória dela carrega lições válidas para qualquer gestor: paciência, articulação de parcerias e visão de longo prazo são ingredientes tão importantes quanto o capital investido.
Uma década de negociação por trás das câmeras
Cosenza conta que adquiriu os direitos da história ainda com Marina Klink, esposa de Amyr e fotógrafa, e que desde o início sabia estar diante de um projeto de grande porte. O desafio inicial não era financeiro, mas estratégico: encontrar um diretor capaz de contar uma história genuinamente brasileira para uma audiência global. Essa definição aconteceu quando o projeto se associou a Carlos Saldanha, o que abriu espaço para a entrada da Disney como parceira. O longa reúne ainda coprodução de outras empresas brasileiras e internacionais, incluindo uma produtora finlandesa, mostrando como um projeto de cinema pode funcionar como uma rede de negócios com múltiplos sócios e investidores.
Para ela, embora as filmagens em si tenham durado poucas semanas, em 2024, o trabalho real de uma produtora se estende por anos antes e depois das gravações. Isso envolve montar a estrutura financeira do projeto, combinando recursos públicos e privados, recrutar parceiros criativos e conduzir negociações comerciais com distribuidores e investidores em diferentes países. É uma rotina que lembra, guardadas as proporções, a de um gestor que precisa equilibrar captação de recursos, formação de equipe e relacionamento com fornecedores e clientes ao mesmo tempo.
Da formação em teatro à liderança de grandes coproduções
A trajetória de Cosenza começou longe dos bastidores de produção: ela estudou teatro antes de migrar para funções por trás das câmeras, decisão que, segundo ela, não foi recebida com entusiasmo pela família no início. Ainda assim, foi até Londres, onde viveu por dez anos e se formou em produção de cinema. Foi lá que percebeu, fazendo curtas-metragens, que a função de produtor é tão criativa quanto a de diretor, atuando desde a primeira ideia até a venda final em festivais internacionais.
De volta ao Brasil em 2006, ela encontrou um ambiente favorável ao crescimento de produtoras independentes, impulsionado pela estruturação da Ancine. Com experiência internacional, passou a enxergar o mercado externo não apenas como fonte de dinheiro, mas como uma rede de parceiros estratégicos capazes de dar visibilidade a projetos brasileiros. Essa visão resultou em filmes que ganharam espaço em festivais como Sundance, Berlim e Cannes, consolidando sua atuação como ponte entre produções nacionais e o circuito internacional.
Novos negócios e um olhar mais plural para o cinema nacional
Hoje à frente da Trema, produtora sediada em Recife e fundada em parceria com o diretor Gabriel Mascaro, Cosenza aposta em talentos latino-americanos e em parcerias internacionais mesmo para projetos menores, como séries independentes, um modelo de negócio ainda incomum no mercado brasileiro. Outra prioridade declarada é descentralizar as histórias contadas pelo cinema nacional, levando narrativas para além do eixo Rio-São Paulo e valorizando talentos e paisagens de outras regiões do país.
Cosenza também se posiciona como defensora da presença de mulheres em funções-chave da produção audiovisual, como direção e fotografia, áreas historicamente dominadas por homens. Ela cita como exemplo prático a série "João Sem Deus", produzida com equipes femininas de roteiro, direção e fotografia, e defende que mulheres que ingressam na carreira busquem atuar como parceiras criativas, e não apenas como executoras de tarefas operacionais.
Para empresários e gestores de qualquer setor, a trajetória de Cosenza reforça um ponto prático: projetos de grande porte raramente dependem de um único fator de sucesso. Combinam paciência para negociações longas, capacidade de montar parcerias complementares e disposição para buscar mercados além do óbvio, seja um festival internacional, seja um novo polo regional de produção. É esse conjunto de decisões estratégicas, mais do que um único acerto pontual, que sustenta negócios duradouros em qualquer indústria.
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