Reforma tributária: por que seu crédito de CBS pode demorar a entrar no caixa
27/10/2026 14:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Um levantamento recente acendeu um alerta importante para quem administra o caixa da empresa: com a reforma tributária, o crédito do novo imposto sobre consumo pode demorar bem mais para ficar disponível. Em alguns casos, esse atraso pode chegar a 63 dias, o que representa um fôlego a menos justamente para o capital de giro, aquele dinheiro que mantém o dia a dia do negócio funcionando.
O estudo foi feito pela Roit, empresa especializada em infraestrutura tributária, e analisou 65 grupos empresariais e 295 mil fornecedores, somando um volume anual de compras de R$ 608,8 bilhões. A conclusão é que descompassos entre os prazos de pagamento de fornecedores e compradores, somados a casos de inadimplência, podem travar o uso dos créditos tributários por semanas.
O que muda
Hoje, a lógica de aproveitamento de crédito tributário costuma ser mais simples. Com a reforma, o comprador só poderá usar o crédito da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) depois que o débito tributário da etapa anterior for considerado extinto, o que geralmente significa que o fornecedor precisa ter efetivamente recolhido o imposto.
Na prática, isso significa que sua empresa pode comprar um insumo, pagar por ele, mas só conseguir usar o crédito tributário correspondente depois que o fornecedor recolher o tributo devido. Se esse recolhimento atrasar, ou não acontecer, o crédito fica represado. O levantamento identificou que simples diferenças nos ciclos de faturamento entre as partes podem gerar um atraso médio de 33 dias. Quando o fornecedor simplesmente deixa de pagar o imposto, o prazo pode se estender até os 63 dias mencionados.
Quem é afetado
O impacto tende a ser mais sentido em cadeias de fornecimento onde os prazos de pagamento e faturamento não estão alinhados. Imagine uma situação em que sua empresa precisa pagar o fornecedor em 30 dias, mas só vai conseguir aproveitar o crédito tributário dessa compra depois de 60 ou 90 dias. Esse descompasso cria uma pressão extra sobre o caixa, especialmente para negócios que já trabalham com margens apertadas ou que dependem de capital de giro para manter as operações rodando.
Além do atraso em si, o estudo da Roit estimou que R$ 16,35 bilhões por ano em tributos pagos ao longo da cadeia poderiam não ser recuperados como crédito nas situações analisadas. Esse valor é uma projeção, não uma perda já confirmada para todas as empresas do país, mas serve como sinal de alerta: se não for possível recuperar o crédito, esse custo tende a ser embutido no preço dos insumos e repassado adiante, até chegar ao consumidor final.
Como se preparar
Diante desse cenário, a recomendação é agir antes que as novas regras entrem em vigor por completo. A Roit sugere que as empresas revisem contratos comerciais, políticas de compras e prazos de pagamento, e também ajustem seus sistemas de gestão para lidar com essa nova dinâmica. Isso exige diálogo entre as áreas fiscal, financeira, jurídica e comercial, que precisam trabalhar juntas para mapear riscos e evitar surpresas no fluxo de caixa.
Identifique quem tem histórico de atraso no recolhimento de tributos e avalie o risco de cada relação comercial.
Ajuste condições de pagamento e faturamento para reduzir o descompasso entre o que você paga e quando pode usar o crédito.
Prepare a gestão financeira e fiscal para acompanhar o recolhimento dos tributos pelos fornecedores em tempo real.
Fiscal, financeiro, jurídico e comercial precisam alinhar informações para evitar riscos de caixa.
O levantamento aponta 31 de dezembro de 2026 como data limite para esses ajustes: sistemas de gestão, renegociação de condições contratuais e organização dos procedimentos internos devem estar prontos antes do início da nova etapa da reforma. A CBS passa a integrar a transição tributária em 2027, e a implementação do IBS seguirá o cronograma já previsto em lei.
Para o seu negócio, a mensagem prática é clara: não espere o problema aparecer para agir. Entender como seus fornecedores recolhem seus tributos, renegociar prazos quando necessário e preparar os sistemas internos são passos que podem evitar que o caixa fique comprometido justamente no momento de transição para o novo modelo tributário.
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