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Reforma Tributária: o que o contador precisa fazer agora nas empresas

17/07/2026 16:074 min de leituraAtualizado há 44 dias

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A Reforma Tributária já está em curso e vai substituir tributos antigos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Na prática, isso significa que a forma como sua empresa calcula, paga e aproveita créditos de impostos vai mudar de maneira profunda, e o período de transição, com os dois sistemas convivendo ao mesmo tempo, é justamente onde mora o risco de erros caros. Por isso, o contador que atende seu negócio precisa agir agora, e não esperar a implementação completa para começar a se organizar.

Mais do que calcular guias e cumprir obrigações acessórias, o profissional contábil está sendo chamado a atuar como consultor estratégico. Isso quer dizer que ele deve ajudar você a entender como a mudança afeta o fluxo de caixa, a formação de preços e até a escolha de fornecedores, muito antes de qualquer alíquota nova entrar em vigor de fato.

O que muda na relação com o contador

Com a unificação dos impostos e o avanço da automação, tarefas puramente operacionais tendem a perder espaço. O que ganha relevância é a capacidade do contador de simular cenários futuros e mostrar, com números concretos, o impacto da transição no caixa da sua empresa. Isso inclui revisar o cadastro de mercadorias, mapear toda a cadeia de fornecedores e entender como o fim de incentivos fiscais regionais pode afetar a rentabilidade do negócio.

Um exemplo prático: se sua empresa de serviços hoje recolhe 3,65% de PIS/Cofins no regime cumulativo mais 5% de ISS, o contador precisa te mostrar como fica o caixa quando a alíquota migrar para a faixa estimada de 26% a 28%, considerando que esse novo modelo passa a gerar créditos sobre os insumos comprados. Esse tipo de simulação é o que permite decidir com antecedência se é hora de rever preços, renegociar contratos ou buscar novos fornecedores.

Ações que já podem sair do papel

Existem frentes de trabalho que não dependem da regulamentação final da reforma para começar. A primeira é o diagnóstico de impacto financeiro, pegando o faturamento dos últimos 12 meses e aplicando as alíquotas estimadas do IBS e da CBS para antecipar o novo custo tributário do negócio.

A segunda frente é o saneamento do cadastro de produtos e serviços, já que o novo sistema é fortemente baseado no tipo de item vendido. Produtos da cesta básica nacional terão alíquota zero, itens como saúde e educação devem ter redução de 60%, e bens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente entram no chamado imposto seletivo. Erros de classificação fiscal que hoje passam despercebidos podem se tornar bem mais custosos nesse novo cenário.

A terceira frente envolve a cadeia de fornecedores. Como o novo modelo funciona por créditos financeiros, ou seja, sua empresa só aproveita o crédito se o fornecedor anterior tiver efetivamente recolhido o imposto, comprar de empresas do regime regular tende a gerar mais crédito do que comprar de optantes do Simples Nacional. Isso pode significar renegociar preços com fornecedores atuais ou até trocar parceiros comerciais para manter a competitividade.

AçãoO que verificarPor que importa
Simulação de cenáriosFaturamento e alíquotas estimadas de IBS/CBSAntecipa o novo custo tributário do negócio
Cadastro de produtosClassificação fiscal (NCM) de cada itemEvita erros que geram cobrança indevida
Cadeia de fornecedoresRegime tributário de cada fornecedorDefine quanto de crédito a empresa vai gerar
Contratos de longo prazoCláusulas de reajuste por mudança tributáriaEvita prejuízo sem necessidade de disputa judicial

Outro ponto que merece atenção é a criação de um espaço de diálogo entre o contador e as demais áreas da empresa, como comercial, compras e TI. A reforma não é uma questão só do departamento fiscal: o time de compras vai precisar entender como funcionam os créditos tributários, e o comercial terá que repensar a tabela de preços, já que o imposto deixa de ser calculado "por dentro", ou seja, imposto incidindo sobre imposto.

Por fim, vale revisar contratos de prestação de serviço ou fornecimento que se estendem por vários anos e vão atravessar o período de transição. Incluir cláusulas de equilíbrio econômico-financeiro garante que, se a carga tributária mudar por causa do IBS/CBS, o preço combinado possa ser reajustado de forma legal, sem precisar recorrer à Justiça.

Como se preparar

Se você é empresário ou gestor, o momento é de cobrar do seu contador uma postura mais ativa: peça simulações de cenário, revise junto com ele o cadastro de produtos e a lista de fornecedores, e coloque na agenda uma conversa sobre os contratos de longo prazo que sua empresa mantém. Também vale adequar os sistemas de gestão internos, já que a transição vai exigir que sua empresa opere com o modelo antigo e o novo ao mesmo tempo por um período. Quem começar essa organização agora chega à implementação da reforma com menos sustos e mais capacidade de manter margem de lucro.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.