Reforma tributária: como o novo imposto muda a precificação da sua empresa
04/11/2026 06:443 min de leituraAtualizado há 1 hora
Vale para: Simples Nacional
Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
A reforma tributária vai mudar a forma como pequenas empresas calculam seus custos e definem preços. Com a chegada do novo IVA Dual, formado pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal), o imposto passa a incidir apenas sobre o valor que sua empresa realmente agrega ao produto ou serviço. Na prática, isso significa mais clareza na hora de montar a tabela de preços e menos dinheiro parado em impostos pagos antecipadamente.
O que muda para quem compra e revende
Se o seu negócio é indústria ou comércio, o impacto tende a ser mais direto. Hoje, o modelo de Substituição Tributária obriga a empresa a recolher impostos com base em margens de lucro estimadas pela Receita Federal, mesmo antes de vender o produto. Isso trava capital que poderia estar no caixa. Com o novo sistema, o imposto pago na compra de insumos vira crédito automático, usado depois para abater o imposto devido na venda final.
Um exemplo ajuda a entender: se você compra um insumo por R$ 100 e paga R$ 26 de imposto nessa compra, e depois revende o produto por R$ 150, o imposto final incide sobre os R$ 150, mas você pode descontar aqueles R$ 26 já pagos. Ou seja, você paga imposto apenas sobre o valor que de fato agregou ao negócio, e não mais sobre uma margem presumida pelo governo.
Como fica o setor de serviços
Para empresas de serviços, o cenário é diferente, já que o principal custo costuma ser a folha de pagamento, que não gera crédito de imposto pela regra geral da reforma. Para evitar perda de competitividade, a legislação previu reduções específicas: 30% de desconto para 18 profissões regulamentadas e 60% para saúde e educação. Na prática, se a alíquota padrão for de 20%, o setor de saúde e educação pagaria 8%, por causa dessa redução.
Escolas, clínicas e escritórios que atendem diretamente o consumidor final ou que permanecem no Simples Nacional tradicional continuam com o recolhimento unificado pelo DAS e as alíquotas reduzidas já conhecidas. Por isso, antes de decidir mudar de regime, vale calcular com calma: olhar a margem de lucro e o peso dos insumos usados na prestação do serviço faz toda a diferença na conta final.
Prazos para decidir
A transição começa em 2027, mas só com a entrada em vigor da CBS, a parte federal do novo imposto. Isso dá um tempo de adaptação para ajustar sistemas de gestão sem sobressaltos. Além disso, a empresa vai poder revisar sua escolha de regime duas vezes por ano, em março e em setembro, optando entre continuar no Simples tradicional ou migrar para o chamado regime híbrido.
| Período | O que acontece |
|---|---|
| 01/09 a 30/10 | Empresas do Simples Nacional escolhem entre Simples Híbrido ou Simples Tradicional |
| 03/11 a 20/12 | Prazo para cancelar a escolha pelo Simples Híbrido |
| 01/01/2027 | Começam a valer os efeitos da opção feita (somente CBS e IS entram em vigor neste ano) |
| 01 a 31/03/2027 | Nova janela de opção para ajustes referentes ao 2º semestre de 2027 |
| 01/07/2027 | Começam a valer os efeitos práticos da escolha feita em março |
Como se preparar
O primeiro passo é mapear a estrutura de custos da empresa, separando quanto pesa a folha de pagamento em relação às compras de insumos e matérias-primas que geram crédito fiscal. Depois, vale simular os dois cenários possíveis: o recolhimento sobre o faturamento bruto, como no Simples tradicional, e a apuração sobre o valor adicionado, como propõe o regime híbrido.
Também é importante usar as janelas de março e setembro para reavaliar o regime tributário conforme o mercado muda, e verificar se o sistema de emissão de notas fiscais da empresa já está preparado para destacar corretamente os campos de CBS e IBS. Converse com seu contador e use simuladores disponíveis para tomar essa decisão com segurança, já que o impacto pode variar bastante conforme o perfil de custos do seu negócio.
Com prazos definidos e regras específicas por setor, a recomendação é não deixar para a última hora. Avaliar com antecedência a estrutura de custos e simular os cenários de tributação pode evitar surpresas na margem de lucro e garantir uma transição mais tranquila para o novo modelo.
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