CBS em 2027 ou 2028? Entenda o pedido de adiamento e o que fazer agora
04/11/2026 17:044 min de leituraAtualizado há 51 minutos
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Um grupo de entidades que representa empresas e profissionais da área tributária enviou, no início de novembro, uma carta aberta pedindo que o início efetivo da cobrança da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) seja adiado de 2027 para 2028. A ideia é transformar 2027 em um ano extra de testes, dando mais tempo para empresas, contadores e órgãos públicos ajustarem sistemas antes de o novo tributo passar a valer de fato. Até agora, porém, nada mudou oficialmente: o calendário continua prevendo a cobrança da CBS a partir de 2027, com a extinção do PIS e da Cofins.
Isso significa que, se você é empresário ou gestor, não deve parar os preparativos da sua empresa com base apenas nesse pedido. Ele ainda precisa passar por decisão formal do governo e do Congresso para virar realidade. Enquanto isso não acontece, vale a pena entender por que as entidades estão preocupadas e o que isso pode representar para o seu negócio.
Por que pedem mais tempo
O principal motivo do pedido é a falta de clareza sobre alguns pontos essenciais para o novo sistema funcionar bem. Um deles é a alíquota de referência da CBS para 2027: um cálculo do Tribunal de Contas da União apontou um percentual de 11,3%, bem acima da estimativa anterior de 9,21%. Esse número ainda não é definitivo, pois depende de etapas legais que envolvem o Senado. Para as entidades, descobrir a alíquota final muito perto da data de início da cobrança dificulta o planejamento de preços, a revisão de contratos e as negociações com fornecedores.
Outro ponto de atenção é o chamado sistema de apuração assistida, que vai usar as informações das notas fiscais e demais documentos para ajudar no cálculo dos tributos. Segundo as organizações, essa estrutura ainda precisa evoluir para permitir testes mais seguros antes de entrar em operação real. Some-se a isso a necessidade de adaptar sistemas de gestão, emissão de notas fiscais e controles de créditos tributários, além da preocupação com o fato de a CBS e o IBS terem administrações diferentes, o que pode gerar decisões divergentes sobre situações parecidas.
Calendário oficial (vale hoje)
- CBS substitui PIS e Cofins a partir de 2027
- IBS segue cronograma próprio
- Imposto Seletivo também começa em 2027
- ICMS e ISS migram para o IBS entre 2029 e 2032, com conclusão em 2033
Proposta das entidades (ainda não aprovada)
- 2027 vira ano de testes e ajustes
- Cobrança efetiva da CBS passa para 2028
- Mais tempo para definir a alíquota com segurança
- Sistema de apuração assistida mais testado antes de valer
O que muda para a empresa, se o pedido for aceito
Caso o adiamento seja aprovado, sua empresa ganharia um ano extra para organizar pontos que impactam diretamente o caixa e a operação. Entre eles estão a adaptação dos sistemas usados para emitir notas fiscais e apurar tributos, o recálculo dos preços praticados considerando a nova tributação, a revisão de contratos com cláusulas sobre impostos e reajustes, a organização dos controles de créditos tributários previstos no novo modelo e o treinamento das equipes fiscal, contábil, financeira, comercial e de tecnologia. Esse tempo extra tenderia a ajudar especialmente empresas menores, que muitas vezes não têm equipe interna especializada nem recursos para fazer mudanças tecnológicas rapidamente.
Ainda assim, é importante reforçar: esses benefícios só valem se a proposta for de fato aprovada. Por ora, tudo isso continua sendo uma possibilidade, não uma regra em vigor.
O que fazer enquanto não há decisão
Independentemente do desfecho do pedido de adiamento, a orientação prática é não parar a preparação da sua empresa. Organizar processos internos agora evita correria e erros depois, seja a cobrança efetiva em 2027 ou em 2028.
Verifique se os programas de emissão de notas, escrituração e apuração de impostos já estão sendo atualizados para o novo modelo.
Mantenha cadastros de produtos e serviços atualizados e acompanhe mudanças nos leiautes e regras de apuração.
Avalie como a nova tributação pode afetar preços, custos, contratos e o aproveitamento de créditos, para proteger sua margem.
Fique de olho nas decisões do governo e do Congresso: só uma mudança formal na lei pode alterar o calendário previsto.
O pedido de adiamento da CBS mostra que ainda há pontos em aberto na Reforma Tributária, principalmente sobre a definição da alíquota e a maturidade dos sistemas que vão apoiar o cálculo dos novos tributos. Mas, enquanto não houver uma mudança oficial no calendário, vale a regra de sempre: planejar com antecedência, revisar processos internos e manter contato próximo com a contabilidade. Assim, seja qual for a decisão final sobre o prazo, sua empresa chega preparada, sem depender de ajustes de última hora.
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