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Reforma Tributária: apenas 1% das empresas tem TI pronta para 2027

21/08/2026 12:004 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Faltam poucos meses para o início de uma nova fase da Reforma Tributária, e uma pesquisa recente escancarou um problema que pode pegar muitas empresas de surpresa: a tecnologia. Um levantamento feito pela Roit entre maio e junho de 2026, com 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas, mostrou que apenas 1% considera sua área de TI pronta para conviver com o sistema tributário atual e o novo, ao mesmo tempo. As empresas ouvidas somam juntas mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais, o que dá peso ao resultado.

O problema não é só de sistemas. A pesquisa revela que uma parcela relevante das empresas ainda nem sabe, na prática, como a mudança vai afetar seu caixa, seus preços e sua margem de lucro. Isso significa que, para muitos negócios, a Reforma Tributária ainda é uma incógnita financeira, não apenas um desafio técnico de adaptação de sistemas.

O que muda para o seu negócio

A partir de 2027, a CBS vai substituir o PIS e a Cofins, enquanto o ICMS e o ISS serão trocados gradualmente pelo IBS nos anos seguintes, até o fim da transição. Na prática, isso quer dizer que sua empresa vai precisar operar com dois sistemas tributários funcionando ao mesmo tempo, por um bom período. Não se trata apenas de trocar códigos de impostos no sistema: será preciso lidar com mudanças em faturamento, emissão de documentos fiscais, apuração de tributos, aproveitamento de créditos, cadastros de produtos e integração entre diferentes sistemas.

Vale lembrar que essa adaptação já começou, mesmo que a maior parte das mudanças só valha para 2027. Ao longo de 2026, as notas fiscais eletrônicas já passaram a receber novos campos e regras ligados ao IBS e à CBS, além de novos leiautes, arquivos e sistemas relacionados aos tributos que estão chegando. Ou seja, se sua empresa ainda não mexeu no ERP ou no emissor de notas fiscais pensando nisso, o relógio já está correndo.

O que a pesquisa revelou
1%TI prontaApenas 1% das empresas considera sua área de tecnologia preparada para os dois sistemas tributários.
24%sem simulaçãoNão fizeram nenhuma simulação dos impactos financeiros da Reforma.
37%capital de giroAinda não avaliaram o efeito do split payment sobre o caixa da empresa.
34%preços incertosNão sabem se seus produtos ficarão mais caros, mais baratos ou estáveis em 2027.

Quem é afetado e onde estão os riscos

O levantamento mostra que 40% das empresas ainda estão apenas planejando as adequações de TI, 31% já começaram a fazer ajustes, 14% se consideram despreparadas e 13% nem sequer discutiram o assunto internamente. Isso significa que a grande maioria ainda está longe de ter tudo pronto, o que é preocupante diante da proximidade do prazo.

Outro ponto sensível é o split payment, mecanismo que vai separar automaticamente o valor dos tributos no momento do pagamento de uma venda. Como 37% das empresas ainda não avaliaram esse impacto, muitas podem ser pegas de surpresa por mudanças no fluxo de caixa: o dinheiro que hoje entra integralmente na conta da empresa passará, em parte, direto para o pagamento de tributos. Isso exige planejamento de tesouraria, e não apenas ajustes fiscais.

A precificação também está no radar: 34% das empresas não sabem como seus preços vão se comportar em 2027, e 27% não sabem se a margem de lucro vai subir, cair ou ficar igual. Some-se a isso o fato de que 37% ainda não revisaram contratos à luz das novas regras tributárias, o que é especialmente arriscado em contratos de longo prazo, cujos preços foram calculados com base no sistema tributário atual. A pesquisa ainda aponta que a maioria das empresas enxerga seus fornecedores como pouco ou nada preparados, o que é um risco a mais, já que o novo modelo depende fortemente da qualidade das informações fiscais ao longo de toda a cadeia.

Como se preparar

Diante desse cenário, a mensagem central é que a preparação para a Reforma Tributária não pode ficar restrita ao setor fiscal da empresa. Ela precisa envolver tecnologia, financeiro, contabilidade e até a área comercial, já que decisões sobre preços e margens dependem diretamente de como os novos tributos vão impactar cada produto ou serviço.

Se sua empresa ainda não simulou os impactos financeiros da Reforma, não avaliou o efeito do split payment no capital de giro nem revisou seus contratos, o momento de agir é agora. Buscar orientação contábil especializada pode ajudar a transformar as mudanças tributárias em informações práticas para tecnologia, compras, comercial e gestão financeira, evitando que sua empresa chegue a 2027 sem saber qual será, de fato, sua margem de lucro no novo sistema.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.