Reforma Tributária: por que tantas empresas ainda não sabem o impacto
22/08/2026 10:003 min de leituraAtualizado há 10 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Mesmo com a Reforma Tributária já em curso, boa parte das empresas brasileiras ainda não sabe como as mudanças vão afetar o próprio negócio. Uma pesquisa da Roit, feita entre maio e junho de 2026 com 70 gestores de médias e grandes empresas, mostrou que 24% delas nem chegaram a simular os efeitos financeiros da reforma. E o problema não para na carga tributária: envolve fluxo de caixa, formação de preços, margens, contratos e até os sistemas usados no dia a dia da operação.
O que muda e por que isso preocupa
A reforma cria a CBS, tributo federal, e o IBS, dividido entre estados e municípios, substituindo gradualmente o modelo atual de tributação sobre o consumo. Essa transição vai até 2033, com os dois sistemas convivendo por um bom tempo. Na prática, isso significa que as empresas precisarão operar em paralelo com regras antigas e novas, o que exige ajustes em vários fronts ao mesmo tempo, não apenas no cálculo de impostos.
Um dos pontos mais sensíveis é o split payment, mecanismo que separa automaticamente os tributos no momento do pagamento de uma operação. Segundo a pesquisa, 37% das empresas ainda não avaliaram como isso pode afetar o capital de giro. Como o dinheiro do imposto sai do fluxo antes mesmo de chegar ao caixa da empresa, a disponibilidade de recursos pode mudar de forma significativa, especialmente para quem trabalha com margens apertadas ou prazos longos de recebimento.
Além disso, 34% dos gestores consultados disseram não saber como a reforma vai impactar preços e margens de lucro. Esse é um ponto central para qualquer negócio: sem entender como a nova tributação altera o custo final de produtos e serviços, fica difícil planejar reajustes, negociar com fornecedores ou manter a competitividade.
Quem é afetado e onde estão os principais gargalos
A pesquisa mostra que a preparação tecnológica é um dos pontos mais frágeis. Apenas 1% das empresas se considera pronta para operar com os dois sistemas tributários ao mesmo tempo durante a transição, e 27% ainda nem discutiram internamente os impactos na tecnologia. Isso é preocupante porque a mudança exige ajustes em sistemas de gestão, emissão de notas fiscais, cadastro de produtos e processos internos, tarefas que costumam levar tempo para serem implementadas com segurança.
A parte jurídica também está atrasada: 37% das empresas ainda não revisaram contratos considerando os efeitos da reforma, e outras 36% apenas começaram esse processo. Cláusulas sobre preços, reajustes, responsabilidade tributária e reequilíbrio econômico-financeiro podem precisar ser repensadas, já que a forma de cobrar e aproveitar créditos tributários vai mudar ao longo da transição.
Essa combinação de fatores explica a cautela dos gestores: 54% acreditam que a reforma traz hoje mais riscos do que oportunidades, e 83% acham que a posição competitiva da empresa pode ser alterada com as novas regras. São números que refletem incerteza, mas também um alerta importante: quem não se antecipa corre o risco de ser pego de surpresa justamente quando a transição avançar e o tempo para ajustes ficar mais curto.
Como se preparar
O primeiro passo é tratar a Reforma Tributária como um assunto que vai além do fiscal. Ela afeta finanças, contabilidade, área jurídica, comercial, tecnologia e gestão como um todo. Simular o impacto na carga tributária é importante, mas não suficiente: é preciso olhar também para a formação de preços, o aproveitamento de créditos, o fluxo de caixa e a relação com fornecedores e clientes.
Empresas que ainda não iniciaram essa avaliação devem priorizar isso o quanto antes. Quanto mais cedo os impactos forem mapeados, mais tempo sobra para ajustar contratos, adaptar sistemas e revisar a política de preços sem pressa e sem prejuízo. Contar com apoio contábil especializado nesse momento pode fazer diferença para transformar a reforma em um processo organizado, em vez de uma corrida contra o tempo.
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