Reforma Tributária: 5 assuntos que sua pequena empresa deve levar ao contador
19/09/2026 12:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Vale para: Lucro Presumido · Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
A Reforma Tributária está mudando a forma como as micro e pequenas empresas se relacionam com a contabilidade. Com a chegada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), não basta mais esperar o contador emitir notas e guias no fim do mês. Segundo o Sebrae Nacional, esse é o momento de sentar com seu contador e revisar pontos que vão além da rotina fiscal, envolvendo decisões que afetam diretamente o caixa e a competitividade do seu negócio.
Por que o contador vai além das notas fiscais
De acordo com Edgard Fernandes, analista de Competitividade e especialista em Direito Tributário do Sebrae Nacional, o papel do contador está mudando. Ele deixa de ser apenas quem cuida das obrigações fiscais e passa a participar ativamente do planejamento tributário e operacional da empresa. Isso significa ajudar você a escolher o regime mais vantajoso, revisar documentos fiscais e entender como os tributos impactam os custos e a competitividade do seu negócio.
Para orientar essa conversa, o Sebrae listou cinco temas que merecem atenção especial durante a fase de adaptação às novas regras.
Os cinco pontos que merecem atenção
O primeiro tema é a escolha do regime tributário. Com o IBS e a CBS, permanecer no Simples Nacional não deve ser uma decisão automática. É preciso considerar o perfil do seu negócio: se você vende para outras empresas (B2B) ou diretamente para o consumidor final (B2C), o efeito sobre a geração de créditos tributários pode ser diferente. A recomendação é simular cenários com o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o regime regular para descobrir qual opção reduz custos e melhora a competitividade.
O segundo ponto é a classificação fiscal dos produtos e serviços que sua empresa vende. Códigos como CST, Classtrib, NBS e NCM vão ser essenciais para calcular os novos tributos e gerar créditos corretamente. Um erro de classificação pode causar dupla tributação ou até multas, por isso vale revisar esse cadastro com atenção junto ao contador.
O terceiro tema envolve a tecnologia usada no dia a dia. O sistema de emissão de notas fiscais da sua empresa precisa estar atualizado para calcular e destacar corretamente o IBS e a CBS nas operações. Confirme com a contabilidade se o software já passou por essas adaptações, já que isso afeta diretamente a rotina fiscal do negócio.
Simule cenários entre Simples Nacional, Lucro Presumido e regime regular conforme o perfil B2B ou B2C do negócio.
Revise códigos como CST, Classtrib, NBS e NCM aplicados aos seus produtos e serviços.
Confirme se o software de emissão de notas já calcula e destaca IBS e CBS corretamente.
Entenda quanto do preço final é produto e quanto é tributo, avaliando o impacto na margem.
Entenda o funcionamento do split payment e as novas datas e guias de recolhimento.
O quarto assunto é a formação de preços. Com a nova tributação, é importante entender quanto do valor cobrado corresponde de fato ao produto ou serviço e quanto é tributo. Essa separação ajuda a enxergar como a nova carga tributária pode afetar sua margem de lucro e o preço final praticado no mercado, tornando o planejamento tributário parte da estratégia de precificação.
O quinto ponto trata do recolhimento dos tributos e do impacto no fluxo de caixa. O novo sistema traz mudanças no calendário de pagamentos, incluindo o split payment, mecanismo que recolhe o imposto automaticamente no momento da transação. Você vai precisar entender como isso afeta o fluxo financeiro da empresa, as guias unificadas e as datas de recolhimento, para evitar surpresas entre o valor projetado e o que realmente será devido.
Como se preparar
Na prática, a adaptação à Reforma Tributária exige mais diálogo entre você e seu contador, e não apenas o cumprimento de obrigações. As decisões sobre regime tributário, cadastro de produtos, sistemas, preços e planejamento financeiro precisam ser avaliadas de forma individualizada, já que cada negócio tem características próprias que influenciam esses cálculos. Manter-se informado, pedir simulações e revisar os processos fiscais com antecedência são atitudes que ajudam sua empresa a atravessar essa transição com menos riscos e mais previsibilidade.
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