Redução de impostos sobre combustíveis: o que muda para sua empresa
18/08/2026 12:003 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
O Senado aprovou o Projeto de Lei Complementar 114/2026, que dá ao governo federal uma ferramenta extra para lidar com altas repentinas no preço dos combustíveis. O texto agora vai para sanção presidencial. Se sancionado, permitirá reduzir ou até zerar tributos federais sobre diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação em momentos de forte pressão internacional, como a gerada pelo conflito no Oriente Médio. Para você, empresário, isso pode significar menos volatilidade nos custos de combustível no futuro, mas não é algo automático nem imediato.
O que muda na prática
É importante entender que a lei não reduz preços por conta própria. Ela apenas autoriza o governo a agir quando julgar necessário, diante de choques externos que empurrem os preços para cima. Ou seja, cria-se um mecanismo de resposta, mas o uso dele depende de decisão política e, principalmente, de haver dinheiro disponível para cobrir a perda de arrecadação que a redução de impostos causaria.
A lógica escolhida foi vincular esse alívio tributário às receitas extras que a União recebe quando o petróleo se valoriza no mercado internacional. Explicando de forma simples: quando o preço do petróleo sobe lá fora, o governo também arrecada mais com o setor de petróleo e gás. Essa arrecadação adicional pode ser usada para financiar a redução de tributos sobre os combustíveis aqui dentro, sem precisar buscar dinheiro em outro lugar do orçamento.
Quem é afetado
O projeto foi crescendo durante a tramitação no Congresso e hoje vai muito além dos combustíveis. Setores como o de etanol ganharam medidas de apoio direto, incluindo subvenção e créditos tributários. Também houve mudanças na tributação de insumos agropecuários, ligadas à regulamentação da Reforma Tributária, o que afeta produtores e empresas do agronegócio. Se seu negócio depende de combustíveis, etanol ou insumos agrícolas, vale acompanhar como essas regras serão detalhadas depois da sanção.
Além disso, o texto trouxe mecanismos que tentam equilibrar a concessão de novos benefícios fiscais com regras para conter o crescimento de despesas públicas obrigatórias a partir de 2027. Esse ponto gerou debate justamente por combinar desoneração de um lado com controle de gastos de outro, e pode influenciar o cenário fiscal do país nos próximos anos, algo que impacta indiretamente juros, câmbio e o ambiente de negócios em geral.
Como se preparar
Por enquanto, não há motivo para esperar queda imediata nos preços dos combustíveis na sua empresa ou no seu posto de abastecimento. A aplicação do mecanismo depende de decisão do governo e da disponibilidade de recursos compensatórios. O caminho mais seguro é acompanhar a sanção presidencial e as normas que devem detalhar como e quando a redução de tributos poderá ser acionada. Se você atua nos setores de combustíveis, etanol, fertilizantes, minerais estratégicos ou agropecuária, o ideal é ficar atento às regulamentações específicas que vierem a seguir, já que elas podem trazer benefícios ou obrigações adicionais para o seu negócio.
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