Por que investidores estrangeiros estão saindo da bolsa brasileira em 2026
13/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
A bolsa brasileira viveu um ciclo de euforia e reversão em 2026. Depois de se aproximar dos 200 mil pontos, impulsionada por uma onda de capital estrangeiro, o Ibovespa perdeu força e recuou 15,5% em relação à máxima do ano. Para Eric Hatisuka, CIO do Mirabaud Family Office Brasil, esse movimento confirma um diagnóstico mais amplo: o Brasil está perdendo espaço nas decisões de alocação dos grandes investidores internacionais, e isso tem consequências diretas sobre o custo do dinheiro e o ambiente de negócios por aqui.
Se você administra uma empresa no Brasil, esse debate importa porque está diretamente ligado ao nível dos juros, ao câmbio e à disposição do mercado de financiar projetos locais. Entender esse cenário macroeconômico ajuda a antecipar decisões de investimento, precificação e endividamento. É também nesse contexto que ganha peso a discussão sobre a reforma tributária e seus efeitos práticos para as empresas, tema que aparece como um dos fatores que pode tanto aliviar quanto agravar a competitividade do país.
Por que o Brasil perdeu atratividade
Segundo Hatisuka, o problema não é apenas conjuntural. O Brasil representa uma fração muito pequena dos principais índices globais de investimento, o que significa que grandes gestores conseguem entrar ou sair do mercado brasileiro sem que isso afete de forma relevante suas carteiras internacionais. Foi o que aconteceu em 2026: o capital entrou rápido no início do ano, atraído por preços baixos e pelo apetite geral por mercados emergentes, e começou a sair com a mesma velocidade, sem que houvesse uma mudança estrutural que justificasse permanência.
Mesmo os juros altos no Brasil, hoje um dos mais elevados do mundo, não são suficientes para reverter esse quadro. O risco de uma forte desvalorização do real pode anular, em pouco tempo, anos de ganhos obtidos com a taxa Selic. Esse tipo de risco cambial faz com que o investidor estrangeiro simplesmente prefira não se expor ao país, mesmo com retornos nominais atrativos.
O impacto para empresas brasileiras
Para quem empreende no Brasil, o diagnóstico aponta para uma combinação difícil: juros altos, carga tributária em elevação e um câmbio que reduz a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Segundo Hatisuka, o empresário nacional está pressionado nessas três frentes ao mesmo tempo, o que limita a capacidade de investimento e encarece o crédito.
A reforma tributária aparece nesse cenário como uma oportunidade parcial de alívio, ao simplificar parte do sistema. Mas o excesso de exceções e regimes diferenciados pode reduzir o ganho de eficiência esperado, segundo a avaliação do CIO. Além disso, a manutenção de créditos tributários tende a preservar parte dos conflitos entre empresas e o fisco, um problema que já consome tempo e recursos das companhias brasileiras.
O resultado dessa combinação, segundo a análise da Mirabaud, é uma perda progressiva de competitividade. Quando os custos internos sobem mais rápido que a produtividade, o mercado tende a corrigir isso por meio da desvalorização cambial, tornando o país mais barato em dólar, mas também menos previsível para quem planeja investimentos de longo prazo.
Como isso se reflete nas estratégias de investimento
Diante desse cenário, a Mirabaud tem adotado uma postura mais conservadora nas carteiras brasileiras, priorizando títulos pós-fixados e reduzindo a exposição a créditos privados considerados mais arriscados. A lógica é evitar ativos de empresas mais alavancadas, que podem enfrentar dificuldades para rolar dívidas em um ambiente de juros elevados por período prolongado.
Para o empresário brasileiro, o recado prático é claro: o custo do crédito deve continuar pressionado enquanto esse quadro de incerteza fiscal e cambial não se resolver, e a competição por capital com a renda fixa tende a permanecer alta. Acompanhar de perto como as mudanças tributárias afetam a carga efetiva do seu negócio, e ajustar o planejamento financeiro considerando um cenário de juros elevados por mais tempo, é uma forma concreta de se proteger nesse ambiente mais desafiador.
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