Plano econômico de Flávio Bolsonaro: o que prevê e o que falta explicar
05/10/2026 17:044 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você é empresário ou gestor, provavelmente já ouviu falar do plano econômico apresentado por Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. O documento, chamado "Para o Brasil Vencer o Atraso", promete cortar ministérios, rever a reforma tributária, retomar privatizações e turbinar investimentos em infraestrutura. A meta declarada é fazer a economia crescer 4% ao ano, bem acima do ritmo atual. Mas vale entender o que o plano realmente detalha e onde ele ainda deixa lacunas importantes para quem precisa planejar o futuro do negócio.
O que muda, segundo o plano
A proposta central é reduzir o tamanho do governo e abrir espaço para o setor privado crescer. Isso inclui cortar pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas, além de combater o que o documento chama de "penduricalhos e supersalários" no serviço público. Na prática, a ideia é gastar menos com a máquina pública para equilibrar as contas do governo.
No campo tributário, o plano não propõe abandonar a reforma que já está em andamento, mas sim revisá-la. A proposta é reduzir a carga sobre produção e consumo, diminuir exceções tributárias, unificar a legislação e garantir que não se cobre imposto sobre imposto. O texto também fala em reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis, e em eliminar aos poucos o IOF, o imposto que incide sobre operações financeiras e de câmbio.
Para empresas que dependem de infraestrutura, como transporte e logística, o plano anuncia R$ 900 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos, somando dinheiro privado, concessões, parcerias com o governo e financiamento do BNDES. Entre os projetos citados estão a Ferrogrão, a Transnordestina e o Trem do Nordeste, além de corredores logísticos para ligar áreas produtoras aos portos.
Quem é afetado
Empresários de setores que dependem de infraestrutura e logística podem ser beneficiados caso os investimentos prometidos de fato saiam do papel. Já quem recolhe tributos sobre produção e consumo pode sentir impacto direto se a revisão da reforma tributária avançar, especialmente nos pontos de não cumulatividade e redução de exceções. Negócios que movimentam recursos em operações de câmbio também acompanham de perto a promessa de extinção gradual do IOF.
Servidores públicos e empresas que prestam serviços para o governo também são afetados pela proposta de reforma administrativa e corte de ministérios, já que isso pode mudar a estrutura de contratações e gastos públicos. Quem negocia com estatais deve observar a proposta de recrutamento por critérios de mercado para cargos de comando e o fortalecimento da Lei das Estatais.
O que o plano promete
- Corte de pelo menos 10 ministérios
- Revisão da reforma tributária em curso
- R$ 900 bilhões em infraestrutura em 4 anos
- Retomada de privatizações
- Eliminação gradual do IOF
O que o plano não detalha
- Quais ministérios seriam extintos
- Alíquota pretendida para o novo IVA
- Como seria dividido o investimento entre fontes
- Lista ou cronograma de privatizações
- Metas numéricas de superávit fiscal
Prazos e contexto econômico
É importante colocar as metas do plano ao lado dos números atuais da economia. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, e no primeiro semestre de 2026 o avanço foi de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, números bem distantes da meta de 4% ao ano proposta pelo plano. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar em cinco anos, segundo o Banco Central. A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco cortes seguidos neste ano, e o IPCA acumulou alta de 4,22% em 12 meses até agosto.
Sobre a reforma tributária, vale lembrar que 2026 é o ano de testes da CBS e do IBS, os novos tributos que vão substituir PIS, Cofins e outros impostos sobre consumo. A troca de PIS e Cofins pela CBS está prevista para 2027, e o novo modelo só valerá integralmente em 2033. O plano de Flávio propõe mexer nesse sistema, mas não diz se pretende alterar esse calendário de transição, nem qual seria a alíquota final do novo imposto.
Como se preparar
Para o empresário, o mais importante agora é entender que boa parte dessas propostas ainda não tem detalhamento suficiente para virar planejamento concreto. O documento não traz estimativa de custos, de economia com os cortes de gastos, nem de impacto na arrecadação com as mudanças tributárias. Também não há cronograma de privatizações, fórmula para a nova regra fiscal ou trajetória esperada para a Selic. Isso significa que, por enquanto, essas são diretrizes gerais de governo, não um plano executável com prazos e números fechados. Antes de tomar decisões de investimento com base nessas promessas, o mais prudente é acompanhar os próximos desdobramentos da campanha e, se o candidato for eleito, aguardar a conversão dessas ideias em medidas concretas, com metas e prazos definidos.
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