Pix mais seguro em setembro: o que muda para empresas e como se proteger
17/08/2026 14:514 min de leituraAtualizado há 16 dias
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
O Banco Central vai colocar em prática, a partir de setembro, um conjunto de mudanças no Pix voltado a dificultar a ação de golpistas e facilitar a recuperação de dinheiro em casos de fraude. Para você que usa o Pix no dia a dia da empresa, seja para receber de clientes, pagar fornecedores ou movimentar o caixa, isso significa mais segurança nas transações, mas também mais atenção redobrada com o cadastro de chaves e com os alertas emitidos pelos bancos.
O que muda
O centro das mudanças é o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, ferramenta usada pelos bancos para bloquear valores quando uma transação é contestada por fraude ou erro. Com as novas regras, as instituições financeiras terão acesso ao histórico completo e à posição exata de uma transação dentro da cadeia de movimentações no momento em que uma notificação de infração é aberta. Na prática, isso deve tornar mais rápida a identificação de para onde o dinheiro foi, mesmo depois de passar por várias contas, uma estratégia comum de criminosos para dificultar o rastreamento de golpes.
Além disso, o Banco Central está desenvolvendo um indicador de risco de fraude que usará inteligência artificial e aprendizado de máquina para calcular, em tempo real, a probabilidade de uma transação ser irregular. Esse score ajudaria os sistemas antifraude dos bancos a interromper transferências suspeitas antes mesmo de serem concluídas. Ainda assim, essa ferramenta depende de avaliações técnicas e jurídicas em andamento, ou seja, não tem data certa para funcionar plenamente.
Situação atual
- Rastreamento de fraudes mais lento entre contas
- Sem indicador de risco em tempo real
- Poucas restrições a instituições com falhas de segurança
Com as novas regras
- Bancos acessam histórico completo da transação na hora da notificação
- Score de risco por IA em avaliação para uso pelos bancos
- Possibilidade de bloqueio de chaves e suspensão de acesso ao Pix para instituições frágeis
Quem é afetado
As mudanças afetam diretamente bancos, fintechs e instituições de pagamento, que precisarão se adaptar aos novos requisitos de rastreabilidade e segurança. Mas o reflexo chega até você: empresas que recebem pagamentos via Pix podem notar mais rigor na abertura de novas chaves, além de alertas de fraude padronizados e mais claros. O Banco Central também estuda aplicar medidas cautelares contra instituições financeiras com fragilidades de segurança, como bloqueio temporário de novas chaves Pix, limitação de horários ou valores para transferências e até suspensão do acesso à infraestrutura do sistema. Se o banco ou a fintech que você usa estiver entre os alvos dessas medidas, sua operação pode sofrer restrições temporárias.
Outro ponto de atenção é a atuação mais direta do Banco Central no bloqueio ou exclusão de chaves Pix associadas a ilícitos ou com dados divergentes na Receita Federal. Empresas que mantêm cadastros desatualizados ou com inconsistências correm o risco de ter chaves suspensas. Por isso, vale a pena revisar se os dados cadastrados nas chaves Pix da empresa, como CNPJ, endereço e informações do responsável legal, estão corretos e batendo com o que consta na Receita Federal.
Como se preparar
Ainda está em estudo, por um grupo de trabalho do Fórum Pix, uma regra para coibir o uso de transferências de baixo valor, como R$ 0,01, usadas por golpistas para testar contas ou enviar mensagens fraudulentas. Isso pode significar, no futuro, mais barreiras para esse tipo de prática, sem prejudicar a agilidade do sistema para quem usa o Pix de forma legítima. Também está prevista a inclusão de iniciadores de pagamentos no ecossistema do MED, o que amplia a rede de proteção para quem usa esse tipo de serviço integrado a plataformas de vendas ou aplicativos financeiros.
Diante desse cenário, o mais importante para sua empresa é manter os cadastros de chaves Pix sempre atualizados e corretos, orientar a equipe financeira a redobrar a atenção com alertas de possíveis fraudes emitidos pelo banco e agir rapidamente caso identifique qualquer transação suspeita, contestando o quanto antes junto à instituição financeira. Quanto mais rápida a notificação de uma fraude, maior a chance de recuperação do valor com o novo funcionamento do MED.
Vale acompanhar também as comunicações do seu banco ou fintech sobre eventuais mudanças no processo de cadastro de chaves e nos limites de transferência, já que essas alterações podem impactar diretamente a rotina de recebimentos e pagamentos da empresa. A GL Inteligência Contábil segue de olho nessas atualizações e vai manter você informado sobre qualquer novidade que afete diretamente a gestão financeira do seu negócio.
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