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IA no trabalho: o que muda para contratação e demissão de funcionários

03/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 21 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você é dono de empresa ou responsável por contratações, provavelmente já sentiu o efeito da inteligência artificial no dia a dia da equipe. Dados recentes mostram que as vagas de entrada, aquelas para quem está começando a carreira, estão diminuindo e mudando de perfil. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para que gestores repensem como treinam, contratam e mantêm talentos. Entender esse movimento agora pode evitar decisões precipitadas e ajudar a aproveitar oportunidades reais de eficiência.

O que muda nas contratações

Um estudo do FGV Ibre mostrou que jovens de 18 a 29 anos que atuam em áreas mais expostas à tecnologia têm 5% menos chance de conseguir emprego e ganham quase 7% menos que a média de outros setores. Os setores mais afetados são serviços financeiros, informação e comunicação, justamente áreas onde tarefas repetitivas e operacionais vinham sendo, tradicionalmente, o ponto de entrada de profissionais recém-formados.

Isso não significa que as vagas de entrada vão desaparecer. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem original, as empresas continuam precisando formar uma base de talentos para o futuro. O que muda é o perfil exigido: cargos iniciais estão passando por um processo batizado de "seniorização", em que se busca nos recém-formados competências como liderança, criatividade e visão estratégica, habilidades que antes só eram cobradas de profissionais mais experientes. Desde 2019, esse tipo de vaga "seniorizada" cresceu 35%, enquanto as vagas de entrada tradicionais encolheram 10%.

O cenário em números
35%crescimento de vagas "seniorizadas"desde 2019, cargos de entrada passaram a exigir competências mais avançadas.
40%das habilidades vão mudaraté o fim da década, segundo o Fórum Econômico Mundial.
78 milhõessaldo positivo de empregos até 203092 milhões de vagas devem desaparecer, mas 170 milhões novas devem surgir.

Cuidado com a justificativa fácil

Um ponto que merece atenção de quem gerencia pessoas: nem toda demissão atribuída à inteligência artificial tem, de fato, a ver com ela. Uma consultoria de tecnologia identificou que nove em cada dez empresas que anunciaram cortes relacionados à IA ainda não têm sistemas maduros o suficiente para substituir de verdade as funções eliminadas. Em muitos casos, a tecnologia virou uma explicação conveniente para reestruturações e cortes de custos que já estavam planejados por outros motivos.

O risco de exagerar na automação sem preparo adequado é real e já gerou casos de recontratação. A montadora Ford, por exemplo, chamou de volta alguns engenheiros neste ano depois de perceber que a IA não estava entregando os resultados esperados. Esse tipo de situação reforça um alerta importante para gestores: antes de cortar posições apostando só na tecnologia, é preciso avaliar se as ferramentas realmente substituem o conhecimento e a experiência que aquele profissional carrega sobre o negócio.

Como se preparar na prática

Para empresários e gestores, o caminho mais seguro passa por investir em requalificação constante da equipe, e não apenas em cortes ou substituições. Especialistas apontam que a verdadeira vantagem competitiva está em ter uma força de trabalho capacitada para usar a IA como ferramenta de ampliação, e não como substituta total do trabalho humano. Um experimento com candidatos a emprego mostrou que quem inclui habilidades em inteligência artificial no currículo tem mais chances de ser chamado para entrevistas, às vezes até mais valorizado do que quem tem diploma de instituição renomada.

Também vale ficar atento ao risco de aumento de desigualdade dentro da própria empresa. Estudos mostram que mulheres usam menos ferramentas de IA no trabalho e, mesmo quando usam, recebem menos reconhecimento por isso. Isso pode ampliar diferenças já existentes entre equipes, algo que gestores atentos devem monitorar ao planejar treinamentos e promoções.

No fim das contas, o ganho mais relevante da inteligência artificial para uma empresa não está em cortar pessoal, mas em abrir novos mercados, criar serviços e ampliar o potencial de quem já trabalha com você. Antes de decisões drásticas, vale perguntar: quantos problemas reais a IA está ajudando a resolver na sua operação? Essa pergunta, mais do que o medo do corte de vagas, deve guiar o planejamento de contratação e treinamento nos próximos anos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.