Inflação para quem ganha mais é quase o dobro da oficial: entenda
03/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário, sócio ou executivo com renda mais alta, é bem provável que sinta o aumento do custo de vida de forma mais intensa do que os números oficiais mostram. Um levantamento da fintech Zeom aponta que, nos 12 meses até julho de 2026, famílias com renda a partir de R$ 30 mil por mês tiveram uma inflação de 8,19%, quase o dobro dos 4,44% registrados pelo IPCA, o índice oficial usado pelo Banco Central para medir a meta de inflação no Brasil.
Por que a conta é diferente para quem ganha mais
O IPCA é calculado pelo IBGE e representa uma média do consumo de todo o país. O problema é que essa média não reflete bem o padrão de gasto de famílias de renda mais alta. Segundo Rafael Pereira, fundador da Zeom, essas famílias gastam a mesma fatia do orçamento com moradia, escola e saúde que a média nacional, mas escolhem produtos de padrão mais elevado: plano de saúde premium em vez de básico, escola particular de mensalidade mais cara, eletrônicos de ponta. É essa diferença de produto, e não de proporção do orçamento, que explica a distância entre os dois índices.
No último resultado do IPCA, os grupos que mais pesaram na conta foram Habitação, com alta de 0,99% puxada pelo reajuste da energia elétrica residencial, e Saúde e cuidados pessoais, com avanço de 0,40%, influenciado pelo reajuste de planos de saúde autorizado pela ANS, que chegou a até 5,11% para contratos mais novos. Já os preços de Alimentação e bebidas recuaram 0,67% no período. Essa combinação, moradia e saúde subindo acima da média enquanto alimentos caem, favorece justamente as famílias de renda mais baixa, que gastam proporcionalmente mais com comida, e penaliza mais as famílias de renda mais alta, que sentem com mais força os reajustes de saúde e educação.
O que o estudo mostra no acumulado
A distância entre os dois indicadores fica ainda mais clara quando se olha para um período mais longo. Desde 2018, o Índice Zeom de Alto Padrão acumula alta de 83,5%, enquanto o IPCA soma 55,2% no mesmo intervalo. Na prática, isso significa que uma família que gastava R$ 100 mil por mês em 2018 para manter seu padrão de vida precisaria hoje de cerca de R$ 183,5 mil para consumir a mesma cesta de bens e serviços. Se essa mesma família tivesse reajustado seu orçamento apenas pela inflação oficial, chegaria a algo próximo de R$ 155,2 mil, uma diferença de quase R$ 28 mil por mês.
O que isso muda na prática para o seu negócio e seu patrimônio
Para quem administra empresa ou lida com folha de pagamento de executivos, esse dado é um alerta importante: reajustes de salário, pró-labore ou distribuição de lucros baseados apenas no IPCA podem estar deixando o poder de compra real dessas pessoas para trás. O mesmo vale para o planejamento pessoal do empresário: se as despesas da família incluem plano de saúde de padrão mais alto, escola particular cara e consumo frequente de eletrônicos, a inflação sentida no dia a dia tende a ser bem maior do que a divulgada pelos jornais.
Segundo Pereira, o objetivo do estudo não é substituir o IPCA como referência oficial, mas evidenciar que diferentes faixas de renda convivem com dinâmicas de preços distintas. Isso tem implicações diretas para decisões de investimento: segundo ele, a preservação do patrimônio de famílias de renda mais alta exige uma diversificação maior, já que aplicações que apenas acompanham a inflação oficial podem não ser suficientes para manter o padrão de vida ao longo do tempo.
Na prática, isso reforça a importância de revisar periodicamente o planejamento financeiro e tributário da empresa e da família, considerando não apenas os índices oficiais, mas o comportamento real dos gastos que mais pesam no seu orçamento. Se saúde, educação e bens de consumo de padrão mais alto ocupam uma fatia relevante das suas despesas, vale conversar com seu contador ou assessor financeiro sobre como ajustar reajustes contratuais, projeções de custo e estratégias de investimento para não perder poder de compra ao longo dos próximos anos.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
