Gripen F: caça de dois lugares com participação brasileira faz 1º voo
03/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha os investimentos do país em defesa e indústria de alta tecnologia, há uma novidade que vale entender: o Gripen F, versão de dois lugares do caça sueco Gripen, decolou pela primeira vez no dia 28 de agosto, na Suécia. O voo durou 40 minutos e foi conduzido por um piloto da Saab e um piloto de testes da Força Aérea Brasileira. Mais do que um teste técnico, o episódio marca uma nova fase de um contrato bilionário que já trouxe transferência de tecnologia e produção de caças para o Brasil.
O que é o Gripen F e por que ele importa
O Gripen F não é um simples avião de treino. Ele tem duas cabines totalmente independentes, o que permite que um instrutor conduza missões reais junto com outro piloto, dentro de um caça com capacidade operacional completa. Na prática, isso significa formar pilotos mais rápido e, ao mesmo tempo, ganhar um avião que pode ser usado em combate, já que a divisão de tarefas entre os dois ocupantes ajuda na condução de missões mais complexas.
Esse modelo existe por causa do contrato assinado pelo Brasil em 2014 com a Saab, que prevê a compra de 36 caças Gripen: 28 do modelo de um lugar (Gripen E) e oito do modelo de dois lugares (Gripen F). O Brasil foi o primeiro país a demonstrar interesse nessa versão biposto e, por isso, participou do seu desenvolvimento desde o início, o que trouxe benefícios que vão além da simples compra de equipamento militar.
O que o Brasil ganhou com a parceria
Para você que atua em setores ligados à indústria, engenharia ou tecnologia, o dado mais relevante talvez seja este: mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram de treinamentos ligados ao desenvolvimento, produção, testes em voo e manutenção do caça. Isso significa capacitação de mão de obra qualificada dentro do país, algo que tende a gerar efeitos econômicos além do setor de defesa, como formação de fornecedores locais e absorção de conhecimento técnico avançado.
Essa transferência de conhecimento já resultou em produção local. Em março de 2026, foi apresentado o primeiro caça supersônico produzido inteiramente no Brasil, o F-39E Gripen, fabricado no complexo da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A unidade usa uma cadeia de suprimentos que combina fornecedores brasileiros, como a fábrica da Saab em São Bernardo do Campo, e internacionais. Isso coloca o país em um grupo restrito de nações capazes de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade, algo inédito na América Latina.
Até agora, 11 unidades do Gripen E já operam no Brasil, integrando o Alerta de Defesa Aérea a partir da Base Aérea de Anápolis desde fevereiro, responsável pela proteção do espaço aéreo sobre o Distrito Federal. Outros 14 caças previstos no contrato atual devem seguir o mesmo modelo de produção nacional, o que reforça a continuidade do investimento em manufatura avançada dentro do país.
Uma possível nova etapa industrial
Para quem enxerga oportunidades de negócio na cadeia produtiva ligada à defesa e à aviação, há um movimento que merece atenção: Saab e Embraer assinaram um memorando para a potencial produção de mais 20 aeronaves Gripen no complexo de Gavião Peixoto, com a Embraer responsável pela montagem dessas unidades. Isso reforça o papel do polo brasileiro como centro de manufatura avançada, capaz de atender também à demanda internacional pelo caça sueco, e não apenas ao contrato firmado com a Força Aérea Brasileira.
O primeiro voo do Gripen F confirma que o contrato assinado em 2014 segue gerando desdobramentos concretos para a indústria brasileira, com produção local, capacitação de profissionais e possibilidade de expansão da manufatura no país. Se sua empresa atua em cadeias de fornecimento industrial, engenharia ou serviços técnicos especializados, vale acompanhar de perto os próximos passos desse programa, já que ele tende a abrir novas frentes de trabalho e qualificação nos próximos anos.
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