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Fim da escala 6x1: o que sua empresa precisa fazer antes do Natal

29/10/2026 08:444 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem um comércio, bar, restaurante ou supermercado, prepare-se: a partir de 16 de dezembro de 2026 entra em vigor a primeira etapa do fim da escala 6x1, bem no período em que seu negócio provavelmente mais fatura no ano. A mudança reduz a jornada semanal máxima e exige que as empresas reorganizem horários, escalas e, em muitos casos, contratem mais gente, tudo isso sem tempo de sobra, já que o prazo coincide com o auge das vendas de Natal.

A alteração vem da Emenda Constitucional nº 141/2026, que estabelece a transição da escala 6x1 (seis dias trabalhados, um de descanso) para a 5x2 (cinco dias trabalhados, dois de descanso). Na primeira fase, a jornada semanal máxima cai de 44 para 42 horas, sem redução de salário. A meta final é chegar a 40 horas semanais em dezembro de 2027. Ou seja, é uma mudança gradual, mas que já começa a exigir ação agora.

Quem é mais afetado

O impacto é maior para negócios que dependem de atendimento presencial contínuo, como lojas, supermercados, bares e restaurantes. Um levantamento do Sindilojas-SP mostra que cerca de 8 em cada 10 estabelecimentos do varejo paulista têm até nove funcionários, ou seja, operam com equipes enxutas e pouca margem para remanejar pessoas sem afetar o atendimento.

O mesmo levantamento estima que seriam necessárias 52 mil novas contratações apenas na cidade de São Paulo para compensar a redução da carga horária individual. O número ajuda a dimensionar o tamanho do desafio: contratar mais funcionários aumenta despesas com salários, encargos e treinamento, mas manter a equipe do jeito que está pode sobrecarregar os trabalhadores, aumentar o tempo de espera e prejudicar as vendas justamente no período de maior movimento.

O desafio em números
8 em 10lojas pequenasestabelecimentos do varejo paulista têm até nove funcionários.
52 milnovas contratações estimadasseria o número necessário só na capital paulista para compensar a redução de jornada.
44 para 42hjornada semanal máximaé a mudança já na primeira etapa, sem redução salarial.

Bares e restaurantes vivem uma situação parecida. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor já enfrenta dificuldade para preencher vagas em condições normais. Com a nova exigência de reorganizar escalas justamente na época de confraternizações de fim de ano, quando a receita costuma crescer, o desafio de montar equipes suficientes fica ainda maior.

Como se preparar antes do Natal

A recomendação é simples: não espere o prazo chegar. Deixar a adequação para os últimos dias antes do Natal reduz suas opções de contratação, dificulta a negociação de acordos coletivos e atrasa a implantação de novos controles de ponto. O primeiro passo é entender exatamente como sua operação funciona hoje para depois decidir o que muda.

O que fazer
01
Mapeie a jornada atual

Identifique quais funcionários e equipes ainda trabalham na escala 6x1.

02
Calcule a cobertura necessária

Veja quantas pessoas são necessárias para cobrir os dois dias de descanso sem deixar o atendimento descoberto.

03
Simule os custos

Compare o impacto financeiro de contratar mais gente, redistribuir horários ou ajustar o funcionamento da empresa.

04
Confira acordos coletivos

Verifique as convenções da sua categoria antes de definir compensações ou escalas especiais.

05
Organize contratações temporárias

Se vai reforçar a equipe para o fim de ano, inicie o processo com antecedência, respeitando as regras trabalhistas.

Vale lembrar que a mudança não é só sobre dar mais um dia de folga. Uma loja que funciona todos os dias pode precisar de mais funcionários para cobrir as folgas. Um restaurante precisa conciliar os horários de maior movimento com a disponibilidade da equipe. Um supermercado precisa redimensionar turnos para não descumprir os limites de jornada. Cada tipo de negócio vai sentir o impacto de um jeito diferente, por isso a análise precisa ser feita caso a caso.

O papel do contador no processo

Esse é um momento em que o contador e o setor de Departamento Pessoal da sua empresa deixam de ser apenas suporte operacional e passam a ser parceiros estratégicos. Cabe a esses profissionais revisar contratos e escalas, conferir acordos e convenções coletivas, atualizar os controles de ponto e simular como a redução de jornada afeta a folha de pagamento, as horas extras e os períodos de compensação e descanso.

Se sua empresa funciona aos domingos, feriados ou mantém atendimento por longos períodos do dia, essa atenção precisa ser redobrada, já que a organização dos turnos precisa respeitar reg

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.