Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem um aplicativo de pagamentos, uma carteira digital ou qualquer produto financeiro com base de usuários ativa, existe uma forma relativamente simples de criar uma nova fonte de receita: oferecer a troca de criptomoedas dentro do próprio app, sem precisar montar uma operação financeira complexa. O modelo funciona por meio de parceria com um provedor de API de criptomoedas, que cuida de toda a parte técnica e de risco, enquanto você recebe uma fatia da comissão de cada operação concluída.
Na prática, o provedor é quem assume o estoque de ativos e o risco de variação de preço. Seu aplicativo apenas oferece a função de troca para o usuário, e quando a operação é concluída, uma parte da taxa cobrada pelo provedor é repassada para você. Quanto mais seus usuários trocam, maior a receita. É um modelo que recompensa volume, não exige grande investimento inicial e pode ser colocado no ar em poucas semanas, caso a integração seja bem documentada.
Como funciona o repasse na prática
O funcionamento é direto: você se cadastra no programa de parceiros do provedor e recebe uma chave de acesso. Toda operação feita através do seu aplicativo fica registrada com essa identificação, o que permite ao provedor saber exatamente quanto repassar a cada período. Para o usuário final, nada muda: ele escolhe os ativos, vê o valor da troca na tela e confirma, sem perceber que existe um acordo comercial por trás daquela operação.
Na maioria dos programas, a base de repasse fica próxima de 0,4% do valor de cada troca, podendo variar conforme o ativo ou o par negociado. Além dessa base fixa, muitos provedores permitem que o próprio aplicativo adicione uma taxa extra, que entra no preço final mostrado ao usuário antes da confirmação. Aqui vale cautela: taxas muito altas podem afastar usuários que comparam preços, então o recomendado é começar apenas com a base do provedor e, depois de alguns meses de dados, testar um acréscimo pequeno nos pares mais procurados.
Confira prazo e valor mínimo para o pagamento do repasse.
Verifique se a taxa pode mudar durante o contrato e com qual aviso prévio.
Faça trocas reais com poucos usuários antes de liberar para toda a base.
Defina com a equipe contábil como os ganhos recebidos em cripto serão registrados.
Onde colocar a função de troca
A localização da função de troca dentro do aplicativo influencia diretamente o resultado. Um botão de conversão na tela de saldo costuma ser o ponto de maior uso, assim como o momento logo após um depósito, quando o usuário quer trocar o ativo recebido por outro. Pagamentos com stablecoin também são um uso frequente: uma empresa que precisa pagar um fornecedor no exterior pode fazer a conversão dentro do próprio app, gerando repasse a cada operação.
Quanto maior a variedade de ativos e redes oferecidas pela API, maior a chance de o usuário resolver tudo dentro do seu produto, em vez de buscar outro serviço externo. Cada conversão feita no aplicativo é receita para você; cada saída para fora é receita perdida. Por isso, mostrar o valor final com todas as taxas incluídas antes da confirmação ajuda a manter a confiança do usuário e reduz chamados de suporte, que consomem tempo da equipe.
Controle financeiro e contabilização
Os repasses costumam ser pagos em criptomoeda, em uma carteira indicada pela empresa, geralmente após atingir um valor mínimo de saque. O acompanhamento é feito por um painel de parceiro, onde é possível ver volume e ganho acumulado em cada período. Esse registro ajuda na conciliação, já que cada pagamento corresponde a operações identificadas, mas é importante combinar com o contador, desde o início, como esses valores em cripto entrarão nos registros contábeis da empresa, evitando retrabalho no fechamento do mês.
Dois indicadores merecem acompanhamento constante: a taxa de conclusão, que mostra quantas trocas iniciadas realmente se completam, e o repasse por usuário ativo, que indica se a função está crescendo junto com a base de clientes. Vale observar também o desempenho por par de ativos, já que normalmente poucos pares concentram a maior parte do volume, e é justamente ali que ajustes de taxa ou de interface trazem mais resultado.
O retorno desse modelo varia conforme o tamanho e o engajamento da base de usuários: aplicativos com uso intenso tendem a ver o repasse crescer rápido, enquanto produtos com pouco movimento podem levar meses até o valor se tornar relevante. De qualquer forma, trata-se de uma forma de gerar receita adicional sem exigir estrutura própria de operação financeira, desde que a integração funcione bem e o acompanhamento dos números seja feito com regularidade.
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