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Fim da escala 6x1: o que muda na jornada de trabalho e quando

28/08/2026 10:304 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

A proposta que pode acabar com a escala 6x1 avançou mais uma etapa no Congresso Nacional. O senador responsável por analisar o texto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado apresentou parecer favorável à aprovação da PEC, mantendo integralmente a versão já aprovada pela Câmara dos Deputados. Isso significa que a proposta caminha para reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e proibir corte de salário em razão dessa redução. Mas atenção: nada muda na prática ainda. As regras atuais de jornada continuam valendo até que todo o processo legislativo seja concluído.

O que a PEC realmente propõe

O texto altera a Constituição para estabelecer três mudanças centrais na relação de trabalho: a jornada semanal máxima cai de 44 para 40 horas, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana (e não apenas um, como ocorre hoje) e os salários precisam ser mantidos mesmo com a redução de carga horária. Na prática, a ideia é permitir a substituição do modelo de seis dias trabalhados e um de descanso pela lógica de cinco dias de trabalho e dois de repouso, respeitadas algumas exceções previstas no próprio texto.

A mudança não seria imediata. Caso a PEC seja aprovada e promulgada, as empresas teriam um período de transição de 14 meses. Dois meses após a promulgação, o limite semanal cairia de 44 para 42 horas, já com o direito aos dois dias de descanso garantido, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Somente 12 meses depois dessa primeira etapa é que o limite definitivo de 40 horas passaria a valer.

Como seria a transição, se aprovada
44hjornada atualLimite semanal vigente hoje, sem mudanças até promulgação.
42h2 meses após promulgaçãoPrimeira etapa da redução, com dois dias de descanso garantidos.
40h14 meses após promulgaçãoLimite definitivo, ao final da transição completa.

A proposta não cria uma regra única e obrigatória para todas as relações de trabalho. Ela preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas e prevê situações diferenciadas para categorias com regimes específicos. Também há exceções para trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração elevada, conforme critérios definidos no texto, além de espaço para que leis específicas tratem de jornadas diferenciadas em determinadas atividades. Isso quer dizer que, se aprovada, a mudança não será igual para todas as empresas e categorias profissionais, e será preciso avaliar caso a caso como a nova regra geral se relaciona com normas coletivas já existentes.

Por que a tramitação ganhou velocidade

O relator rejeitou as 12 emendas apresentadas por outros senadores durante a análise na comissão, mantendo o texto exatamente como veio da Câmara. Essa decisão é estratégica: se o Senado aprovar a PEC sem qualquer alteração de conteúdo, não será necessário enviar o texto de volta para a Câmara dos Deputados, o que acelera bastante a tramitação. Se houver mudanças de mérito, porém, os trechos alterados precisarão retornar para nova análise dos deputados.

O relator argumenta que o limite de 44 horas semanais foi definido pela Constituição de 1988 e não sofre alteração há 38 anos, enquanto produtividade, tecnologia e organização do trabalho mudaram significativamente nesse período. Ele também associa o segundo dia de descanso à necessidade de ampliar o tempo de recuperação dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, o debate no Senado tem incluído discussões sobre os efeitos econômicos da medida, como custos empresariais, produtividade, necessidade de novas contratações e reorganização de escalas, temas que já foram pauta de uma sessão específica na Casa em julho.

O que falta e o que fazer agora

A entrega do parecer favorável não significa aprovação da PEC nem o fim da escala 6x1. O texto ainda precisa ser analisado pela CCJ, seguir para o Plenário do Senado e ser votado em dois turnos, com apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada votação, por se tratar de mudança na Constituição. Como a Câmara já aprovou a proposta nesses mesmos termos, se o Senado mantiver o texto sem alterações, a PEC pode seguir direto para promulgação. Qualquer mudança de conteúdo, porém, obriga o retorno à Câmara.

O que fazer agora
01
Não antecipe mudanças

A jornada de 44 horas continua valendo normalmente até a promulgação eventual da PEC.

02
Mapeie escalas próximas ao limite

Identifique setores e turnos que operam perto de 44 horas semanais para facilitar ajustes futuros.

03
Revise convenções coletivas

Verifique como acordos da sua categoria podem dialogar com a nova regra, caso ela seja aprovada.

04
Acompanhe a tramitação

Fique atento às próximas votações na CCJ e no Plenário do Senado para agir com antecedência se o texto avançar.

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