Empresas familiares crescem menos: o que isso significa para seu negócio
19/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você comanda um negócio familiar e sentiu que 2025 foi um ano mais duro para crescer, os números confirmam essa percepção. Uma pesquisa global da PwC mostra que apenas 25% das empresas familiares registraram crescimento de dois dígitos nas vendas no ano passado, praticamente a metade do índice de dois anos antes. É o pior resultado do setor desde a pandemia de covid-19.
O levantamento, feito em parceria com a Northwestern University, ouviu empresas de diferentes portes ao redor do mundo, de negócios menores, com faturamento anual abaixo de US$ 10 milhões, a grandes grupos com receita superior a US$ 101 milhões. A maior parte das respostas veio da indústria manufatureira e do setor de bens de consumo, mas o cenário também abrange serviços financeiros, saúde e tecnologia. Ou seja, o recado vale para negócios de tamanhos e segmentos bem diferentes, o que reforça que não se trata de um problema isolado, mas de uma tendência mais ampla no mundo dos negócios familiares.
O que está travando o crescimento
Segundo a pesquisa, o setor está sendo pressionado por uma combinação de fatores: mudanças nas cadeias de suprimentos, custos mais instáveis, mercados saturados, falta de mão de obra qualificada e o avanço rápido da inteligência artificial generativa. Some-se a isso tensões geopolíticas, mudanças frequentes em políticas comerciais internacionais e a transição climática, que também está mudando prioridades de investimento dentro das empresas.
Diante desse cenário, muitas famílias controladoras optaram por uma postura mais defensiva, priorizando a preservação do patrimônio em vez de apostas arriscadas. Na prática, isso significa metas mais moderadas, parecidas com as adotadas em 2021 e 2023, e menos disposição para inovações radicais. Apenas 22% das empresas dizem inovar de forma ativa para repensar sua gestão, e só 3% buscam reinventar completamente o modelo de negócio.
Para Helena Rocha, sócia e líder de empresas familiares da PwC Brasil, esse conservadorismo tem um lado positivo, já que protege o caixa e garante liquidez no curto prazo, mas também traz um risco real: o de a empresa demorar demais para reagir e perder espaço para concorrentes mais ágeis. Segundo ela, o maior problema das lideranças familiares está no descompasso entre o discurso sobre inovação e os investimentos que de fato são feitos.
O cenário brasileiro é diferente
No Brasil, o clima entre os executivos de empresas familiares está mais otimista do que a média mundial. Enquanto 48% dos líderes globais esperam aceleração do crescimento, esse número sobe para 58% entre os gestores brasileiros. Por outro lado, a confiança no próprio desempenho financeiro é mais cautelosa: apenas 42% dos executivos brasileiros se dizem muito ou extremamente confiantes no resultado financeiro para os próximos 12 meses, e o mesmo índice se repete quando a pergunta é sobre os próximos três anos.
As preocupações também têm sotaque local. De acordo com Helena Rocha, a instabilidade macroeconômica lidera as preocupações do segmento no Brasil, seguida pela inflação, pela aceleração tecnológica e pela escassez de talentos qualificados. Mesmo assim, quase metade dos CEOs brasileiros ouvidos, 48%, afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos anos, um sinal de que buscam se adaptar e garantir continuidade para as próximas gerações, e não apenas resultados de curto prazo.
O que diferencia quem cresce mais
A pesquisa mostra que as empresas com melhor desempenho compartilham quatro características: propósito bem definido, agilidade nas decisões, capital paciente (uso de lucros reinvestidos para financiar inovação, mesmo assumindo riscos de longo prazo) e reputação sólida. Vale destacar que 80% das lideranças conseguem hoje resumir o propósito da empresa em uma única frase, e 85% das companhias financiam inovação reinvestindo seus próprios lucros.
Na prática, para o seu negócio, isso significa que ter clareza sobre o propósito da empresa e tomar decisões rápidas, mesmo em tempos de incerteza, pode ser mais decisivo para o crescimento do que grandes apostas isoladas. Também vale ficar atento aos investimentos em tecnologia: 65% das empresas familiares já priorizam avanços tecnológicos, e 60% dos líderes veem na inteligência artificial generativa uma oportunidade real de crescimento, com ganhos em produtividade e no relacionamento com clientes. Reservar tempo e orçamento para modernizar processos, mesmo que de forma gradual, pode ser o diferencial entre acompanhar o mercado ou ficar atrás dele.
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