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Tédio no trabalho: por que ele afeta a saúde e como reverter

01/09/2026 16:223 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Você já notou algum colaborador desanimado, disperso ou sem energia mesmo cumprindo bem suas tarefas? Pode não ser falta de compromisso. Pesquisas recentes na área de saúde ocupacional identificaram um fenômeno chamado tédio no trabalho, um estado de desinteresse e dificuldade de concentração que surge quando a pessoa sente que está subutilizada ou que não há mais novidade nem desafio em sua função. Para você que gerencia pessoas, entender esse comportamento pode ser a diferença entre reter talentos ou perder produtividade sem nem perceber o motivo.

O que é o tédio no trabalho

Segundo estudiosos do tema, o tédio não é simplesmente a rotina natural de qualquer profissão, mesmo as mais qualificadas têm parcelas de repetição. O problema surge quando existe um descompasso constante entre o que a pessoa é capaz de entregar e o que o trabalho realmente exige dela. Ou seja, o colaborador tem mais capacidade do que está sendo aproveitada, e isso gera um desgaste silencioso.

Ao contrário do que se imagina, ficar mentalmente ocioso por longos períodos não é descanso, é desgaste. Um estudo de 2024 com trabalhadores jovens mostrou que níveis mais altos de tédio no trabalho estão relacionados, mais adiante, a queda na satisfação com a vida e aumento de sintomas de ansiedade e depressão. Isso significa que o problema não fica restrito ao ambiente profissional: ele pode se espalhar para a saúde mental do colaborador como um todo.

Quem é afetado

O tédio no trabalho pode atingir qualquer nível hierárquico ou tipo de função, de operacional a altamente qualificada. O fator determinante não é o tipo de cargo, mas sim a percepção de que as habilidades da pessoa não estão sendo bem aproveitadas. Isso é especialmente relevante para você que lidera equipes: um funcionário competente pode estar entediado justamente porque está abaixo de sua capacidade, e isso muitas vezes passa despercebido, já que ninguém costuma relatar esse tipo de desconforto espontaneamente.

O que fazer diante do tédio no trabalho
01
Abra espaço para o diálogo

Muitos líderes não sabem que um colaborador está subutilizado simplesmente porque ninguém fala sobre isso. Criar canais de conversa já ajuda a identificar o problema.

02
Reorganize funções

Avalie se é possível redistribuir tarefas para aproveitar melhor o que cada colaborador tem de melhor.

03
Estimule o job crafting

Incentive o colaborador a moldar parte do próprio trabalho, oferecendo-se para projetos novos ou ensinando colegas, por exemplo.

A boa notícia é que existe saída, e ela não passa necessariamente por pedir demissão ou substituir a pessoa. Pesquisas mostram que, em muitas culturas organizacionais, é possível moldar o próprio trabalho, uma prática conhecida como job crafting. Isso significa fazer pequenos ajustes na rotina para se reaproximar daquilo que mais motiva o profissional, como se envolver em um projeto desafiador ou assumir a orientação de um colega mais novo. Cada pessoa pode encontrar sua própria forma de reengajamento.

Como se preparar

Seria injusto colocar toda a responsabilidade sobre o colaborador. O tédio no trabalho quase nunca é resultado apenas de uma atitude individual, muitas vezes ele denuncia ambientes que subaproveitam o potencial das pessoas. Por isso, cabe também à liderança da sua empresa observar como reorganizar funções e processos de forma a extrair o melhor de cada talento disponível.

Assim como a dor física é um sinal de que algo não está bem no corpo, o tédio pode ser um aviso de que há capacidades e talentos dentro da sua empresa que ainda não estão sendo bem utilizados. Ficar atento a esse sinal, e agir sobre ele, pode ajudar a reter profissionais valiosos e melhorar o clima organizacional antes que o problema se transforme em queda de produtividade, afastamentos ou pedidos de demissão.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.