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Economia de São Paulo é a maior do país, mas enfrenta dívida e desigualdade

24/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 48 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem negócio em São Paulo, já sabe: estar no estado mais rico do país não significa operar num ambiente sem entraves. Levantamento do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) mostra que, apesar de responder por 31,5% do PIB brasileiro, o estado carrega problemas estruturais que vão continuar na pauta da próxima gestão estadual, a partir de 2027, e que afetam diretamente quem produz, contrata e investe por aqui.

O IMDS Eleições 2026 é uma plataforma que reúne 228 indicadores dos 27 estados brasileiros, organizados em 12 áreas, como situação fiscal, mercado de trabalho, educação, pobreza e ambiente de negócios. A ferramenta não dá uma nota única para cada estado: em cada indicador, os estados são divididos em três grupos, os nove melhores em verde, os nove intermediários em amarelo e os nove piores em vermelho. É esse retrato detalhado que revela onde São Paulo se destaca e onde precisa avançar.

Onde São Paulo vai bem e onde tropeça

Em educação, segurança e boa parte dos indicadores de mercado de trabalho, o estado aparece entre os melhores do país. Um exemplo concreto: em 2023, São Paulo teve a menor taxa de homicídios entre todos os estados, 6,4 mortes por 100 mil habitantes. Já no quesito fiscal, o cenário se inverte: de sete indicadores analisados, seis colocam São Paulo entre os nove piores resultados do Brasil, e apenas um fica no grupo intermediário.

A boa notícia, segundo especialistas ouvidos pela reportagem original, é que São Paulo consegue manter serviços públicos de qualidade mesmo com dívida alta, algo que não acontece em outros estados, onde o aperto fiscal já compromete diretamente a prestação de serviços à população. Ainda assim, isso não elimina o problema: ao fim de 2025, a dívida consolidada líquida do estado somava R$ 328,7 bilhões, equivalente a 123,55% da receita corrente líquida ajustada, ou seja, aproximadamente R$ 1,24 em dívida para cada R$ 1 arrecadado. O percentual está abaixo do limite de 200% definido para os estados, mas ainda representa um compromisso financeiro pesado.

O retrato fiscal e social de São Paulo
31,5%do PIB nacionalSão Paulo segue como a maior economia estadual do Brasil.
R$ 328,7 bidívida líquida em 2025Equivale a 123,55% da receita corrente líquida ajustada do estado.
62,21%despesas com pessoalFatia das despesas primárias em 2024, o que reduz espaço para investimento.

Para quem administra uma empresa, essa margem fiscal apertada importa porque limita a capacidade do estado de investir em infraestrutura, segurança e outros serviços que afetam diretamente a operação dos negócios. Segundo economista ouvido pela reportagem original, o desafio da próxima gestão será reduzir o custo da dívida e alongar seus prazos, liberando recursos para investimento e ganhos de produtividade.

Desigualdade também pesa no ambiente de negócios

Outro ponto de atenção é a distribuição de renda. Mesmo com uma economia forte, São Paulo ainda apresenta desigualdade relevante entre regiões e grupos da população. O Índice de Gini, que mede concentração de renda, recuou de um pico de 0,54 em 2018 para cerca de 0,49 em 2024, o menor nível desde 2012, com leve alta em 2025. Ou seja, houve melhora em relação ao período pré-pandemia, mas a desigualdade continua sendo um desafio real para quem pensa em expandir negócios no interior ou em regiões menos favorecidas do estado.

Essa desigualdade se conecta ao mercado de trabalho: o estado tem bons indicadores de formalização, especialmente no interior, onde a atividade econômica é forte. Mas a redução consistente da informalidade depende de crescimento econômico regular, o que reforça a importância de políticas que sustentem a atividade a médio e longo prazo, e não apenas picos pontuais de crescimento.

Reforma tributária muda a disputa por investimentos

A partir de 2027, a nova gestão estadual vai lidar com um cenário tributário diferente. A reforma do consumo extingue PIS e Cofins, substituídos pela CBS já naquele ano, enquanto ICMS e ISS são gradualmente trocados pelo IBS entre 2029 e 2032, com o novo modelo valendo integralmente em 2033. Na prática, isso tende a reduzir a chamada guerra fiscal entre estados baseada em benefícios de ICMS, um mecanismo que, até hoje, pesa na decisão de onde empresas instalam operações.

Com menos espaço para competir por incentivos fiscais, fatores como infraestrutura, mão de obra qualificada, segurança e conectividade devem ganhar mais peso na hora de atrair investimentos, áreas em que São Paulo já parte na frente, por concentrar universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia. O desafio, segundo especialistas, é transformar essa estrutura em mais produtividade real, incluindo o uso de tecnologia e inteligência artificial tanto na administração pública quanto nas empresas. Para quem planeja investir ou expandir operações em São Paulo, entender essas mudanças ajuda a antecipar como o cenário competitivo vai se reorganizar nos próximos anos, e onde o estado ainda precisa evoluir para manter sua liderança econômica.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.