Trigo argentino pode ficar mais caro para o Brasil em 2026? Entenda
04/11/2026 04:423 min de leituraAtualizado há 49 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se o seu negócio depende de farinha de trigo, seja na panificação, massas ou alimentos industrializados, vale ficar de olho no que está acontecendo na Argentina. O país vizinho começou a colher sua safra de trigo 2026/27 e os primeiros sinais indicam uma produção menor que a do ano passado, mas ainda assim robusta. O motivo pelo qual isso interessa diretamente ao empresário brasileiro é simples: o Brasil deve precisar comprar mais trigo argentino do que o habitual, e isso pode influenciar preços ao longo dos próximos meses.
O que está acontecendo
O El Niño, fenômeno climático que costuma trazer mais chuva e calor para parte da América do Sul, tem se comportado de forma inesperada na Argentina: ao invés de calor excessivo, o país registrou temperaturas baixas e geadas em outubro, o que não chegou a prejudicar a lavoura de trigo. Já no Brasil, o efeito foi o oposto do esperado pelos produtores argentinos: chuvas fortes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, os principais estados produtores de trigo nacional, prejudicaram tanto a quantidade quanto a qualidade do grão colhido por aqui.
Na prática, isso significa que o trigo nacional pode não atender totalmente à demanda da indústria brasileira de alimentos, abrindo espaço para a entrada de mais trigo importado. E como os Estados Unidos não têm um grande excedente disponível para exportar neste momento, a Argentina se posiciona como fornecedora natural para suprir essa lacuna.
Quanto o Brasil pode importar
Segundo estimativas de analistas de mercado citadas na reportagem original, o Brasil pode importar neste ciclo quase 9 milhões de toneladas de trigo argentino, valor bem acima da média histórica, que gira em torno de 6 milhões de toneladas por ano. Esse aumento de demanda ocorre justamente num momento em que a produção argentina, embora menor que a do ano anterior, ainda deve ser a segunda maior da história do país.
Essa quantidade maior de trigo circulando entre os dois países tem relação direta com os preços praticados no mercado internacional. Nas últimas semanas, o valor do trigo caiu um pouco, muito por causa de notícias sobre uma possível redução nas tensões entre Rússia e Ucrânia, região que concentra boa parte da produção mundial do grão. Ainda assim, especialistas apontam que, entre agosto e outubro, o volume de negócios ficou em patamares mais altos, o que mostra que o mercado segue aquecido.
Para o empresário brasileiro que compra farinha, massas ou insumos derivados de trigo, esse cenário merece atenção em dois sentidos. Primeiro, a menor qualidade do trigo nacional pode significar que fornecedores internos terão menos produto disponível em condições ideais, o que tende a direcionar a demanda para o produto importado. Segundo, mesmo com a leve queda recente nos preços internacionais, o aumento da necessidade de importação pelo Brasil pode pressionar os valores novamente, especialmente se a colheita argentina sofrer novos atrasos por conta das chuvas que já vêm retardando os trabalhos no campo.
Como se preparar
Se o seu negócio depende de trigo ou derivados, é hora de acompanhar de perto a evolução da safra argentina, que deve ganhar ritmo total a partir de meados de dezembro, quando a colheita avança para a região de maior produtividade do país vizinho. Negociar contratos com fornecedores, avaliar estoques e considerar alternativas de fornecimento são medidas que podem ajudar a reduzir o impacto de eventuais oscilações de preço nos próximos meses. Vale lembrar que o cenário ainda pode mudar conforme o clima evolui tanto no Brasil quanto na Argentina, então manter-se informado sobre o andamento das colheitas é a melhor forma de antecipar decisões de compra.
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