BNDES libera crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA
18/09/2026 12:093 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se sua empresa exporta ou depende de comércio internacional, há uma notícia que pode aliviar o caixa: o BNDES abriu o processo de habilitação para uma nova rodada de crédito voltada a negócios afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos efeitos dos conflitos no Oriente Médio. São R$ 22,6 bilhões disponíveis, somando recursos do Tesouro Nacional e do próprio banco, dentro do Plano Brasil Soberano.
O que muda
Essa é a terceira etapa de um programa que começou em 2025 e foi ampliado em março deste ano. A diferença agora é que o protocolo de habilitação está oficialmente aberto, ou seja, empresas interessadas já podem dar entrada no pedido e verificar se se encaixam nas condições exigidas. O objetivo é claro: reduzir o impacto financeiro de quem perdeu competitividade ou faturamento por causa das sobretaxas americanas e da instabilidade gerada pelos conflitos armados no Oriente Médio.
O dinheiro pode ser usado de formas bem práticas no dia a dia do negócio: reforço de capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, ou investimento em projetos de expansão. Isso significa que a linha não serve apenas para "tapar buraco", mas também para quem quer se reposicionar no mercado diante do cenário mais adverso.
Quem é afetado
O programa foi desenhado para três perfis diferentes de empresas. O primeiro grupo reúne exportadores e fornecedores que tiveram perdas diretas por causa das tarifas dos EUA. O segundo grupo é formado por setores industriais considerados estratégicos, como têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e minerais críticos, incluindo empresas ligadas à transição ecológica. Já o terceiro grupo é voltado a quem vende para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Irã.
Para conseguir acesso ao financiamento, é preciso comprovar que pelo menos 1% do faturamento da empresa vem do comércio com os países ou regiões afetados pelas sanções ou pelos conflitos. Essa exigência funciona como um filtro para garantir que o crédito chegue de fato a quem sofreu impacto real, e não a qualquer negócio que atue no comércio exterior de forma genérica.
Como se preparar
O primeiro passo é verificar se sua empresa se encaixa em algum dos três grupos descritos e se atinge o percentual mínimo de faturamento exigido. Essa consulta de enquadramento pode ser feita diretamente no portal do programa. Vale a pena reunir com antecedência documentos que comprovem a origem das receitas ligadas ao comércio exterior, já que isso será determinante na análise do pedido.
Também é importante avaliar antes qual finalidade o crédito terá dentro do seu negócio: se será usado para fôlego imediato no caixa, para renovar equipamentos ou para um projeto de expansão mais estruturado. Essa definição influencia diretamente na taxa de juros aplicada, já que o programa trabalha com uma faixa ampla, de 4,3% a 17,5% ao ano, dependendo do porte da empresa e do uso do dinheiro.
Como todo o processo de solicitação e a consulta das regras detalhadas acontecem pelo site oficial do BNDES, o ideal é já ir se organizando para reunir a documentação fiscal e contábil que comprove o enquadramento da empresa. Contar com o apoio de um contador nessa etapa pode evitar retrabalho e agilizar a liberação do crédito, especialmente na comprovação do percentual de faturamento exigido pelo programa.
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