Adecoagro compra terras da Benetton na Argentina: o que isso muda no setor
03/11/2026 14:503 min de leituraAtualizado há 41 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o agronegócio sul-americano, vale ficar de olho neste movimento: a Adecoagro, grande grupo agroindustrial com operações também no Brasil, fechou acordo para comprar os ativos rurais que o grupo italiano Benetton mantinha na Argentina. São cerca de 900 mil hectares espalhados por quatro regiões do país vizinho, em uma das maiores concentrações de terras produtivas sob uma única empresa.
O que muda
A operação envolve a compra de duas empresas, a Compañía Tierras del Sud e a Ganadera Cóndor, que eram os braços agropecuários da Benetton na Argentina. Essas propriedades ficam no sul da província de Buenos Aires e nas regiões de Río Negro, Chubut e Santa Cruz, na Patagônia. A atividade principal por lá é a criação de ovinos, com um sistema que vai da criação de mais de 250 mil animais até a produção de mais de 880 mil quilos de lã por ano, o que faz da operação a maior produtora de lã do país. Já nas terras da província de Buenos Aires, o destaque é a produção de batata, milho e trigo.
Para quem lida com o dia a dia de uma empresa, a lição prática aqui é sobre como negócios de diferentes portes conduzem processos de aquisição: a gestão atual, comandada pelo executivo Agustín Dranovsky, vai continuar à frente das operações mesmo sob o novo controle. Isso mostra uma estratégia comum em compras desse tipo, manter quem conhece a operação no dia a dia para reduzir riscos durante a transição.
Quem é afetado
A negociação encerra um ciclo histórico: a Benetton, mais conhecida pela marca de roupas com o slogan "United Colors of Benetton", entrou no setor agropecuário argentino em 1991, quando comprou a Compañía de Tierras Sud Argentino. De lá para cá, o grupo expandiu a atividade na Patagônia, incluindo projetos florestais com pinheiro e planos para uma serraria na região. Agora, encerra essa frente de negócios no país, enquanto mantém outras áreas do seu portfólio global, como imóveis, rodovias, aeroportos e moda.
Do lado da Adecoagro, a compra representa um salto relevante: antes da aquisição, a empresa tinha cerca de 210.400 hectares em operação. Fundada em 2002 e presente na Argentina, no Brasil e no Uruguai, a companhia atua em diversas frentes, como produção de alimentos, leite, arroz, grãos, açúcar, etanol e energia renovável. No Brasil, ela tem presença forte no setor sucroenergético e em culturas como arroz e grãos, com unidades em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Essa compra não é um caso isolado. Nos últimos meses, a Adecoagro também assumiu o controle da Profertil, única fabricante de ureia granulada da Argentina, além de comprar a usina Caarapó, no Brasil, que pertencia à Raízen, reforçando sua presença no setor açucareiro. A empresa ainda demonstra interesse em duas companhias de laticínios em processo de falência, a SanCor e a ARSA. Ou seja, trata-se de uma estratégia deliberada de crescimento em várias etapas da cadeia agroindustrial, não apenas um movimento pontual.
Outro ponto que chama atenção é a mudança no controle acionário da própria Adecoagro: no ano passado, a Tether, empresa por trás da criptomoeda estável USDT, ampliou sua participação na companhia para mais de 70%, tornando-se acionista controladora. Antes, detinha pouco mais de 19%. Esse tipo de movimento mostra como empresas de tecnologia financeira têm buscado ativos ligados ao agronegócio físico, um sinal de interesse crescente por setores produtivos tradicionais.
Para empresários e gestores brasileiros que acompanham o setor agroindustrial, especialmente aqueles com negócios conectados à cadeia argentina ou que competem com grupos regionais, essa movimentação reforça uma tendência: a consolidação de terras e ativos produtivos sob poucos grandes grupos tende a continuar. Vale acompanhar como esses movimentos impactam preços de commodities como lã, grãos e açúcar, já que operações desse porte podem alterar a dinâmica de oferta regional nos próximos anos.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
