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26/07/2026 08:06· 4 min de leitura· Curiosidades
Atualizado há 2 horas

“A Inclusão Não Muda Nada Se as Estruturas Forem as Mesmas”, Diz Angela Davis na Flip

“A Inclusão Não Muda Nada Se as Estruturas Forem as Mesmas”, Diz Angela Davis na Flip
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty reservou um dos momentos mais comentados da edição para um encontro fora da programação oficial: a conversa com a filósofa, escritora e ativista Angela Davis, realizada pelo Sesc RJ no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Aos 82 anos, ela lotou o painel em minutos e discutiu, ao lado da jornalista Flávia Oliveira, temas como racismo estrutural, violência de gênero e o futuro do trabalho. Uma frase resumiu o tom do debate: inclusão, por si só, não muda nada se as estruturas continuarem as mesmas.

Pode parecer um assunto distante da rotina de uma empresa, mas não é. A provocação de Angela Davis serve como um espelho incômodo para qualquer organização que já investiu em programas de diversidade, comitês de inclusão ou metas de representatividade. O ponto que ela levanta é simples de entender e difícil de resolver: adicionar pessoas diferentes a um sistema que não muda a forma como decide, promove e distribui poder tende a produzir pouco resultado real.

O que ela disse, na prática

No painel, batizado de "América e África: uma conversa Atlântica", Davis reconheceu que hoje existe mais inclusão do que no passado, mas insistiu que isso não é suficiente. Segundo ela, o problema aparece quando as estruturas de poder, aquelas que definem quem manda, quem é ouvido e quem tem acesso a recursos, permanecem intocadas mesmo depois que a empresa ou a instituição diversifica seu quadro. Ela também defendeu que mulheres negras têm uma força coletiva maior do que costumam perceber, justamente porque a ideia comum de poder se limita a cargos eleitos ou postos de comando formal.

Essa distinção entre presença e poder é o ponto que mais interessa a quem gerencia negócios. Uma empresa pode ter diversidade nos números de contratação e, ainda assim, manter os mesmos critérios de promoção, os mesmos círculos de decisão e as mesmas barreiras informais de sempre. O resultado é um discurso de inclusão que não se traduz em mudança de cultura, de liderança ou de resultado financeiro para quem foi incluído.

Por que isso importa para o seu negócio

Empresas que tratam diversidade como vitrine, sem rever processos internos de decisão, avaliação e ascensão, correm o risco de gastar recursos em ações que não geram retorno nem para o time nem para a reputação da marca. O recado de Angela Davis funciona como um convite à autocrítica: vale a pena olhar não apenas para quem entra na empresa, mas para quem realmente participa das decisões estratégicas, define orçamento e influencia o rumo do negócio.

A trajetória da própria Angela Davis reforça esse argumento. Perseguida politicamente nos Estados Unidos durante o regime de segregação racial, ela foi demitida da universidade onde lecionava, chegou à lista dos mais procurados do FBI e enfrentou a pena de morte antes de ser absolvida em 1972, graças a uma mobilização internacional. Ela mesma credita sua sobrevivência não a um esforço individual, mas à rede de pessoas que se organizou por fora das grades. É outro paralelo útil para gestores: mudança estrutural raramente é obra de uma pessoa isolada, ela depende de rede, de organização coletiva e de continuidade.

Como aplicar essa reflexão na gestão

Na prática, isso significa revisar critérios de promoção e remuneração para checar se favorecem sempre o mesmo perfil, ouvir quem está fora dos círculos de decisão sobre o que realmente trava o avanço deles na empresa, e tratar diversidade como parte da estratégia de longo prazo, não como uma campanha pontual de comunicação. Davis também apontou a arte e a literatura como ferramentas capazes de fazer as pessoas imaginarem um cenário diferente do atual, algo que empresas podem replicar ao usar histórias reais de colaboradores para entender onde a estrutura ainda barra o avanço, em vez de apenas celebrar números de contratação.

O fechamento do painel trouxe um recado direto sobre continuidade: celebrar conquistas é importante, mas elas devem servir de base para seguir avançando, não como ponto final. Para quem lidera uma empresa, a lição prática é clara: qualquer avanço em inclusão só se sustenta se vier acompanhado de mudança real na forma como o poder é distribuído dentro do negócio, do contrário, o discurso de diversidade continua sendo apenas discurso.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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