Saudade da Copa? Brasil Recebe Mundial Feminino em Menos de um Ano

Menos de um ano depois do fim da Copa do Mundo masculina, o Brasil já entra em outra contagem regressiva: em 2027, pela primeira vez, o país vai sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA. O torneio começa em 24 de junho e termina em 25 de julho daquele ano, reunindo 32 seleções em oito cidades brasileiras. Para quem administra empresa, esse tipo de evento não é só uma pauta esportiva: é uma oportunidade concreta de movimento de caixa, geração de renda e crescimento em setores que vão muito além do futebol.
Um estudo da FGV Projetos, encomendado pela Embratur, estima que a competição deve gerar cerca de R$ 8,8 bilhões em impacto econômico no país, considerando tanto os gastos de preparação quanto a realização do evento em si. A projeção também aponta um acréscimo de R$ 3,8 bilhões ao PIB brasileiro e a criação de 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Isso significa contratação temporária, prestação de serviços, fornecimento de produtos e aumento de demanda em cidades que vão receber jogos e público.
O que muda para quem empreende
O impacto econômico da Copa Feminina se divide em duas frentes principais. A primeira vem do público que vai circular pelo país: a expectativa é de 2 milhões de pessoas, entre moradores e turistas, durante o mês de competição. Esse fluxo deve gerar R$ 4,7 bilhões em impacto econômico, sustentar 45,7 mil empregos e gerar R$ 2,4 bilhões em renda. Na prática, é comércio, hotelaria, alimentação, transporte e serviços em geral sentindo o efeito de um público maior circulando nas cidades-sede.
A segunda frente vem dos investimentos necessários para organizar o torneio. O orçamento global fixado pela FIFA é de US$ 800 milhões, dos quais 43% ficam reservados para premiações internacionais e não entram na conta nacional. O restante representa uma injeção direta de R$ 2,3 bilhões no mercado brasileiro, cobrindo logística, transmissão, segurança e saúde, e deve sustentar cerca de 28 mil vagas de trabalho. Empresas ligadas a esses setores, mesmo as de médio e pequeno porte que prestam serviços terceirizados, podem sentir esse movimento de perto.
| Indicador | Valor projetado |
|---|---|
| Impacto econômico total | R$ 8,8 bilhões |
| Acréscimo ao PIB | R$ 3,8 bilhões |
| Empregos gerados | 73,7 mil |
| Renda distribuída (salários e lucros) | R$ 4,5 bilhões |
| Arrecadação tributária | R$ 928 milhões |
Quem é afetado e onde
As cidades-sede são Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, todas com experiência prévia por já terem recebido jogos da Copa masculina de 2014. Empresários dessas regiões, especialmente nos setores de turismo, alimentação, transporte, eventos e serviços de apoio, têm um horizonte de quase dois anos para se organizar e captar parte desse movimento. Vale lembrar que o efeito não fica restrito ao período do torneio: obras, contratações e preparação logística já geram demanda antes mesmo da bola rolar.
Como se preparar
Com um prazo de quase um ano até o início da competição, o momento é de planejamento. Negócios que atuam nas cidades-sede podem avaliar se há espaço para ampliar capacidade de atendimento, revisar contratos de fornecimento, planejar contratações temporárias e organizar o fluxo de caixa para os meses de maior movimento. Setores de hospedagem, alimentação e transporte tendem a sentir o efeito mais direto, mas cadeias de fornecimento locais, prestadores de serviço e comércio em geral também podem se beneficiar do aumento de circulação de pessoas e recursos.
Além do impacto financeiro, o torneio reforça a posição do Brasil no calendário esportivo internacional, o que tende a atrair atenção de investidores e parceiros comerciais para os próximos anos. Para o empresário atento, entender esses números com antecedência ajuda a tomar decisões melhores sobre investimento, contratação e planejamento tributário diante de um evento que deve movimentar a economia local de forma significativa até 2027.
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