Mercado Livre e Shopee Locam Milhões de m² e Mercado de Galpões Logísticos Bate Recorde de Vacância e Abosrção

Se a sua empresa depende de um galpão para armazenar estoque, montar um centro de distribuição ou operar logística de e-commerce, preste atenção: o espaço está ficando cada vez mais escasso e caro. Dados da JLL mostram que o mercado de galpões logísticos de alto padrão no Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com a menor taxa de vacância já registrada, 5,5%. Ao mesmo tempo, o volume de locações no período já supera dois terços do melhor ano da história do setor, sinalizando que 2026 pode bater um novo recorde de ocupação.
Por trás desse movimento estão gigantes do varejo online. Mercado Livre e Shopee protagonizaram boa parte das locações do trimestre, reservando juntas 1,1 milhão de metros quadrados só para o segundo semestre deste ano. Esse apetite das grandes plataformas de e-commerce está reduzindo a oferta disponível para outras empresas, o que muda a lógica de quem precisa buscar espaço para operar.
O que muda para quem precisa de espaço logístico
Com menos galpões vagos, a disputa por bons imóveis fica mais acirrada e o poder de negociação passa para o lado dos proprietários. Segundo André Romano, gerente da JLL, o mercado vive um momento de escassez de oferta, o que torna os imóveis estratégicos mais concorridos e obriga as empresas a planejar suas movimentações com antecedência. Quem demora para fechar uma locação corre o risco real de perder o espaço para um concorrente.
O preço médio pedido de aluguel também reflete esse aperto. No Brasil, ficou em R$ 30,4 por metro quadrado ao mês, com alta de 2,2% em 12 meses. Em São Paulo, o valor sobe para R$ 33,8 por metro quadrado, avanço de 4,4% no mesmo período. Ou seja, mesmo com uma leve acomodação trimestre a trimestre, a tendência de médio prazo é de valorização, especialmente nas regiões mais disputadas.
| Região | Vacância | Preço médio (R$/m²/mês) |
|---|---|---|
| Brasil | 5,5% | 30,4 |
| São Paulo (estado) | 5% | 33,8 |
| Minas Gerais | 4,5% | 30 |
| Rio de Janeiro | 9,2% | Até 40 (capital e região) |
Quem sente mais o aperto
São Paulo continua concentrando a maior parte da movimentação, com 46% da absorção líquida nacional no trimestre e vacância recorde de baixa, 5%. Cidades como Guarulhos, com apenas 1% de vacância, e Cajamar, com 5%, praticamente não têm espaço livre para novos entrantes. Isso significa que empresas que buscam se instalar ou expandir na Grande São Paulo precisam agir rápido e, possivelmente, considerar alternativas em outras regiões.
É aí que entram estados como Pernambuco e Santa Catarina, que ganharam força no trimestre. Santa Catarina, inclusive, registrou o maior volume de novo estoque entregue no país, superando até São Paulo. Minas Gerais também aparece como opção interessante, com vacância de 4,5%, a menor entre os três maiores mercados do país, e preço competitivo de R$ 30 por metro quadrado. Já o Rio de Janeiro, embora ainda tenha vacância mais alta (9,2%), vem melhorando: a taxa caiu 2,2 pontos percentuais em 12 meses, com destaque para Duque de Caxias, onde o preço subiu 58% no período.
Como se preparar
Para o empresário que planeja expandir operações, abrir um novo centro de distribuição ou simplesmente renovar um contrato de locação, o recado é claro: não dá mais para deixar essa decisão para a última hora. Com apenas 2,7 milhões de metros quadrados previstos para entrar no mercado até o fim do ano, e metade desse espaço já pré-locado, a oferta futura também está sob pressão. A recomendação prática é mapear com antecedência as regiões com vacância mais baixa e negociar contratos antes que o espaço disponível se esgote ou o preço suba ainda mais.
Vale também considerar mercados alternativos aos tradicionais polos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Estados que estão recebendo investimento em novo estoque, como Santa Catarina e Pernambuco, podem oferecer condições mais vantajosas de preço e disponibilidade, principalmente para empresas que não dependem estritamente de proximidade com a capital paulista. Se a logística é parte estratégica do seu negócio, este é o momento de rever o planejamento imobiliário com calma e dados na mão, antes que a decisão seja tomada pela falta de opções.
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