Pular para o conteúdo
VoltarGestão

5 indicadores contábeis que toda empresa deveria acompanhar

18/09/2026 10:594 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Simples Nacional, atualizado a cada mudança de norma.

Decidir com base no saldo da conta bancária no fim do mês é um risco que muitas empresas correm sem perceber. Os números da contabilidade, quando bem interpretados, mostram muito mais do que isso: revelam se o negócio está saudável, se está endividado demais ou se está deixando dinheiro na mesa. Cinco indicadores, calculados a partir do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado, concentram essa análise e merecem acompanhamento constante por parte de qualquer gestor.

O que esses indicadores mostram

O primeiro deles é a liquidez corrente, que compara o que a empresa tem disponível no curto prazo (caixa, estoques, contas a receber) com o que ela precisa pagar no mesmo período. Quando o resultado é maior que 1, a empresa tem mais recursos do que dívidas imediatas; quando fica abaixo de 1, é sinal de alerta, porque pode faltar dinheiro para cobrir compromissos e a empresa acabar recorrendo a empréstimos. Vale lembrar que liquidez alta demais também não é necessariamente boa notícia: pode indicar dinheiro parado em caixa ou estoque acumulado sem giro.

O segundo indicador é a margem líquida, que mostra quanto realmente sobra de lucro para cada real vendido, depois de pagar custos, despesas e tributos. É comum uma empresa faturar recordes e, ainda assim, reter pouco valor no final. Quando isso acontece, o caminho costuma passar por revisar preços, cortar custos ou renegociar com fornecedores.

Já o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) mede quanto lucro a empresa gera em relação ao capital que os sócios investiram nela. Esse número é especialmente observado por investidores, porque compara o retorno do negócio com alternativas de menor risco, como títulos públicos ou renda fixa. Se o ROE ficar abaixo da Selic, o capital aplicado na empresa pode estar rendendo menos do que renderia em investimentos mais seguros, algo que merece atenção de qualquer sócio.

Os 5 indicadores em resumo
Liquidez correnteacima de 1,0 é saudávelcompara o que a empresa tem a receber com o que precisa pagar no curto prazo.
Endividamento geralacima de 60% é sinal de alertamostra a parte do patrimônio financiada por bancos, fornecedores e obrigações fiscais.
ROEcomparar com a Selicse o retorno da empresa for menor que a taxa básica de juros, o capital pode estar perdendo valor.

Endividamento e uso dos ativos

O grau de endividamento geral revela qual proporção dos ativos da empresa é financiada por capital de terceiros, e não por recursos próprios. Usar dinheiro de bancos ou fornecedores para crescer faz parte da estratégia de muitos negócios, mas quando esse indicador passa de 60%, significa que a maior parte do patrimônio da empresa pertence a terceiros. Isso reduz a margem de manobra em momentos de crise, já que a empresa fica mais exposta a cobranças e menos livre para tomar decisões.

Por fim, o giro do ativo mostra o quanto a empresa consegue gerar de receita a partir de tudo o que possui: máquinas, estoques, instalações. Ter uma estrutura moderna não vale de nada se ela não estiver produzindo vendas. Quanto maior o giro, mais eficiente é o uso do capital investido; quando o giro é baixo, é sinal de que há ativos parados ou subutilizados, o chamado capital ocioso.

Como usar isso na prática

Olhar para esses cinco números de forma isolada já ajuda, mas o ganho real vem de acompanhá-los ao longo do tempo, comparando um período com o outro e cruzando as informações. Uma margem líquida em queda associada a um endividamento crescente, por exemplo, pode ser o primeiro sinal de que a empresa está indo em direção a uma crise de caixa antes que ela apareça no extrato bancário. Da mesma forma, um giro de ativo baixo pode indicar que é hora de vender equipamentos ociosos ou repensar investimentos que não estão trazendo retorno.

Esses indicadores não substituem a análise completa do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado, mas funcionam como um painel rápido de saúde financeira. Empresas que acompanham esses números com regularidade conseguem antecipar problemas, ajustar a estrutura de custos com mais precisão e planejar expansões com base em dados reais, e não apenas em expectativa. Se você ainda não recebe esse tipo de análise do seu contador, esse é um bom momento para pedir.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.