Pular para o conteúdo
VoltarGestão

Selic fica em 13,75%: o que muda para empresas após pausa do Copom

04/11/2026 18:334 min de leituraAtualizado há 58 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Banco Central decidiu parar o ciclo de queda dos juros. Depois de reduzir a Selic ao longo do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa em 13,75% ao ano na penúltima reunião de 2025. Para você, empresário, isso significa que o crédito deve continuar caro por mais tempo do que muitos esperavam, e que o planejamento financeiro precisa levar em conta juros elevados por um período mais longo.

A pausa surpreende porque, na reunião anterior, em setembro, o Comitê havia cortado a taxa em 0,25 ponto percentual, dando sinais de que o ciclo de alívio monetário continuaria. O cenário mudou, principalmente, por causa do aumento das incertezas econômicas e fiscais depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação dos investidores a esse resultado mexeu com o câmbio e com a forma como o mercado passou a enxergar os próximos passos da política de juros.

O que muda

Até a eleição, o mercado financeiro apostava que o Banco Central seguiria cortando os juros nas próximas reuniões. Depois do resultado eleitoral, essa expectativa mudou: agora, os investidores trabalham com a possibilidade de uma pausa mais longa no ciclo de cortes. Na prática, isso quer dizer que financiamentos, empréstimos e linhas de crédito para empresas devem continuar com taxas elevadas, sem perspectiva imediata de alívio.

O comunicado do Banco Central trouxe um diagnóstico mais pessimista sobre a economia. Mesmo com sinais de desaceleração mais forte em setores sensíveis aos juros, como os que dependem de financiamento, a inflação voltou a acelerar. As medidas que indicam a tendência de preços no médio prazo também pioraram, e as expectativas de inflação para os próximos anos se afastaram ainda mais da meta perseguida pelo governo.

Expectativas de inflação em alta
5,2%projeção do mercado para 2026segundo o Boletim Focus, bem acima da meta de inflação.
4,8%projeção do mercado para 2027mostra que a melhora esperada é lenta.
3,5%estimativa do Copom para 2º trimestre de 2028horizonte relevante para a política monetária, também em alta.

Esse descolamento das expectativas em relação à meta preocupa porque pode contaminar a forma como empresas reajustam preços e negociam salários, tornando o processo de controle da inflação mais lento e mais caro. Some-se a isso fatores externos, como o prolongamento de conflitos no Oriente Médio, que afetam os preços do petróleo, e a expectativa de juros mais altos nas economias desenvolvidas, o que aumenta a pressão sobre países emergentes como o Brasil.

Quem é afetado

Empresas que dependem de crédito para capital de giro, investimento ou expansão sentem diretamente o efeito da Selic alta: o custo de tomar dinheiro emprestado continua elevado. Negócios ligados a setores mais sensíveis a juros, como construção civil, bens duráveis e varejo que trabalha com financiamento ao consumidor, tendem a notar a desaceleração mencionada pelo Banco Central. Já empresas que aplicam recursos em renda fixa continuam se beneficiando de uma taxa básica ainda alta.

O Banco Central também citou riscos adicionais que podem afetar custos para as empresas: eventuais problemas climáticos na produção agrícola, aumento nos custos de energia e pressão persistente nos preços de serviços. Uma desvalorização mais longa do câmbio e estímulos que mantenham o consumo aquecido também entram na lista de fatores que podem dificultar a queda da inflação, e, por consequência, adiar novos cortes de juros.

Como se preparar

O que fazer diante do cenário
01
Revise o fluxo de caixa

Considere que o custo do crédito deve continuar alto por mais tempo do que o previsto antes da eleição.

02
Evite dívidas desnecessárias

Com juros elevados, financiamentos novos ficam mais caros; priorize negociações e renegociações antes de novas tomadas de crédito.

03
Acompanhe os sinais fiscais

Decisões sobre o ministério da Fazenda e o ajuste fiscal devem influenciar diretamente os próximos passos do Banco Central.

O próprio Banco Central reconhece que vive um dilema: de um lado, a atividade econômica mais fraca poderia justificar juros menores; de outro, a combinação de pressões externas, expectativas de inflação fora de controle e incertezas sobre as contas públicas torna qualquer corte mais arriscado neste momento. O mercado aguarda definições sobre o próximo ministro da Fazenda e sobre os planos de ajuste fiscal do governo, fatores que devem pesar diretamente nas próximas decisões sobre a Selic.

Para o seu negócio, o recado prático é de cautela. Não há sinal de alívio imediato nos juros, e o cenário de incertezas fiscais e inflacionárias pode se estender pelos próximos meses. Manter um planejamento financeiro conservador, evitar o endividamento desnecessário e acompanhar de perto as próximas sinalizações do Banco Central e do governo são atitudes importantes para atravessar esse período sem sobressaltos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.