Venda de empresa: o que Patrícia Lima aprendeu ao negociar a CARE Beauty
21/09/2026 05:264 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Vender uma empresa que dá lucro pode parecer contraditório, mas foi exatamente essa decisão que Patrícia Lima tomou com a CARE Natural Beauty, marca de cosméticos que fundou do zero e levou a R$ 70 milhões de faturamento anual antes de negociá-la com o Grupo Granado. A trajetória, contada por ela em entrevista, traz lições práticas para qualquer empresário que administra um negócio saudável financeiramente e se pergunta se deveria vender, buscar investimento ou continuar sozinho no comando.
Como a rentabilidade virou poder de negociação
A CARE começou em 2017 com R$ 1 milhão de recursos próprios, divididos igualmente entre Patrícia e sua sócia, Luciana Navarro. Já em 2020, a empresa atingiu o ponto de equilíbrio, ou seja, as receitas passaram a cobrir os custos da operação. Entre 2021 e 2022, receberam um aporte externo de R$ 7 milhões, mas depois disso o crescimento seguiu sendo financiado com o próprio caixa gerado pelo negócio.
Esse histórico de solidez financeira, segundo Patrícia, foi decisivo no momento de negociar a venda. Ter caixa e lucro não é apenas um número bonito no balanço: é o que dá a você força para escolher com quem fechar negócio e em quais condições. "Se sustentar financeiramente faz com que você consiga ter poder de negociação e tomar melhores decisões", resume. Antes de fechar com a Granado, outras empresas fizeram propostas com valores financeiros parecidos, mas a escolha final levou em conta sinergia e o espaço que a marca teria dentro do grupo comprador, não apenas o valor do cheque.
Por que empresas lucrativas também são vendidas
Um ponto que chama atenção na história é o motivo da venda: não foi dificuldade financeira, mas a percepção de que crescer mais exigiria uma estrutura maior do que a que as próprias fundadoras conseguiriam construir sozinhas. Para Patrícia, a CARE precisava de escala, presença internacional e capacidade de investimento que só um grupo maior poderia oferecer. Depois do negócio, a marca já projeta expansão física, com plano de chegar a 28 lojas próprias e 35 quiosques até 2028, além de buscar entrada em mercados como Europa e Estados Unidos.
Essa reflexão serve de alerta para gestores de pequenas e médias empresas: ter um negócio saudável não significa que ele deva permanecer do mesmo tamanho para sempre. Em alguns casos, vender para um grupo maior, associar-se a um investidor estratégico ou buscar um sócio pode ser o caminho para que a empresa cresça mais do que conseguiria isoladamente. A decisão, segundo Patrícia, não veio de uma fórmula pronta, mas de observar como grandes players do setor operavam e comparar isso com a realidade da própria estrutura.
Cultura e governança antes da escala
Outro ponto prático da trajetória é a forma como a empresa foi organizada desde o início. Patrícia e Luciana trouxeram suas experiências corporativas anteriores (advocacia empresarial e marketing) para criar processos, governança e cultura organizacional antes mesmo de a empresa atingir grande porte. A intenção era construir algo que pudesse funcionar e crescer além das próprias fundadoras, o que se mostrou relevante justamente no momento de vender: uma empresa organizada, com processos claros, tende a ser mais atraente e mais fácil de avaliar por um comprador.
Para quem administra um negócio pequeno ou médio, a lição prática é simples: não espere ficar grande para organizar as contas, formalizar processos e criar uma estrutura de governança. Isso não só ajuda na gestão do dia a dia, como também prepara o terreno caso surja, no futuro, uma oportunidade de venda, parceria ou captação de investimento.
O que fica para quem pensa em vender ou crescer
Depois da venda, Patrícia passou a receber pedidos de orientação de outras empreendedoras que enfrentam decisões parecidas: continuar no comando, buscar capital ou preparar a empresa para uma venda. Ela hoje atua como investidora-anjo e também lecionando sobre varejo, transformando a própria experiência em um novo tipo de negócio.
Se você é gestor ou dono de empresa, o recado prático dessa história é que rentabilidade e organização financeira não são apenas metas internas: elas definem o tipo de negociação que você poderá fazer no futuro, seja para vender, buscar sócios ou simplesmente crescer com mais segurança. Cuidar do caixa e dos processos hoje é o que garante opções mais vantajosas quando a decisão de mudar de fase chegar.
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