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Uso de IA na criação divide opiniões: o que empresas podem aprender com isso

31/08/2026 13:543 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um debate que ganhou força no festival Burning Man, nos Estados Unidos, expõe uma tensão que também chega às empresas brasileiras: até que ponto o uso de inteligência artificial substitui o trabalho humano sem perder credibilidade e identidade. A discussão, que começou em torno de arte e criatividade, traz um alerta prático para negócios que estão adotando IA generativa em suas comunicações, produtos e processos.

O caso ficou conhecido por conta de cartazes e materiais promocionais feitos com IA generativa que circularam entre participantes do evento, reconhecíveis por características típicas dessas ferramentas, como tipografias distorcidas e excesso de efeitos visuais. Parte do público reagiu mal, considerando esse tipo de material genérico e sem identidade. Outra parte defendeu a tecnologia como um recurso legítimo para quem tem menos tempo, dinheiro ou habilidade técnica para produzir conteúdo.

O que está em jogo

Para o seu negócio, o ponto central não é o debate artístico em si, mas o que ele revela sobre percepção do público diante de conteúdos gerados por IA. Quando clientes, fornecedores ou parceiros percebem que um material foi produzido de forma automática, sem cuidado ou personalização, a credibilidade da marca pode ser afetada. Isso vale para peças publicitárias, comunicados institucionais, atendimento ao cliente e até para materiais internos.

O episódio da organização do evento mostra um caminho possível: em vez de proibir o uso de IA, a entidade responsável pelo festival optou por exigir transparência. Artistas que usam ferramentas de inteligência artificial em projetos financiados precisam informar esse uso e, quando possível, apresentar também versões feitas manualmente. Essa lógica pode ser adaptada por empresas que usam IA em campanhas, relatórios ou comunicação com clientes: informar quando a tecnologia foi utilizada tende a gerar mais confiança do que tentar disfarçar.

Como aplicar isso no seu negócio

Outro ponto de atenção veio de um relato dentro da própria reportagem: uma artista que se posicionava contra o uso excessivo de IA acabou tendo um problema em uma viagem e precisou lidar com um atendimento automatizado que, segundo ela, tornou a solução do problema mais difícil, e não mais rápida. O caso reforça um ponto prático para qualquer empresa que usa chatbots ou atendimento automatizado: a tecnologia só funciona bem quando existe um caminho claro para o cliente chegar a um atendente humano quando o processo automatizado não resolve.

O que fazer
01
Seja transparente sobre o uso de IA

Informe quando um material, texto ou imagem foi produzido com apoio de inteligência artificial, especialmente em comunicação externa.

02
Use IA para tarefas operacionais

Aplique a tecnologia em agendamentos, orçamentos e organização de tarefas repetitivas, liberando tempo da equipe para atividades que exigem contato humano.

03
Garanta saída para atendimento humano

Em canais automatizados de atendimento, deixe sempre um caminho simples para falar com uma pessoa quando o problema não for resolvido pela IA.

04
Avalie o impacto na percepção da marca

Antes de automatizar totalmente peças criativas ou institucionais, considere se isso pode afetar a forma como clientes percebem a autenticidade do seu negócio.

O episódio mostra ainda que a resistência à IA não é unânime nem definitiva: parte do público via a tecnologia como aliada, e não como ameaça, especialmente quando usada para reduzir trabalho burocrático e dar mais tempo para o que realmente importa em um projeto ou evento. Para empresas, essa divisão de opiniões é um retrato realista do que também acontece internamente em equipes e entre clientes: a IA pode ser bem recebida quando resolve um problema prático, mas gera desconfiança quando parece substituir o cuidado humano em pontos sensíveis do relacionamento com o público.

No fim, o caso reforça uma lição simples e aplicável a qualquer negócio: a tecnologia funciona melhor como apoio, não como substituição total do julgamento humano em decisões que envolvem confiança, atendimento e identidade da marca. Empresas que conseguirem equilibrar esses dois lados, usando IA para ganhar eficiência sem perder transparência e proximidade com o cliente, tendem a sair na frente nesse debate que, cada vez mais, também chega ao dia a dia corporativo brasileiro.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.