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Trocafy, da Allied: como funciona a aposta em iPhone usado no Brasil

09/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 13 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Você já deve ter esbarrado, sem saber, com produtos da Allied. A empresa é a maior distribuidora de eletrônicos do Brasil, conecta fabricantes globais a redes de varejo e movimenta milhões de aparelhos por ano, embora seja pouco conhecida do consumidor final. Agora, a companhia aposta em dois negócios paralelos para crescer: a venda de smartphones usados e recondicionados, sob a marca Trocafy, e a expansão no mercado corporativo, com serviços de segurança digital, nuvem e gestão de equipamentos. Para quem trabalha com varejo, distribuição ou tecnologia, entender esse movimento ajuda a enxergar para onde vai o consumo de eletrônicos no país.

O que muda

A Trocafy nasceu em 2022 dentro da Allied com uma lógica simples: o iPhone e outros smartphones premium são caros demais para boa parte do público brasileiro, mas o desejo de tê-los continua alto. A solução é vender aparelhos usados recondicionados, com garantia, peças originais e bateria em bom estado, seguindo padrão parecido com o mercado de veículos seminovos vendidos por concessionárias. O preço menor amplia o público, a inspeção técnica reduz a insegurança e a garantia dá ao comprador uma proteção que normalmente não existe numa compra direta entre pessoas físicas.

O crescimento já aparece nos números: a Trocafy vendeu cerca de 95 mil aparelhos no primeiro semestre de 2026, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, e esse volume já representa 8% de tudo que a Allied comercializa em celulares. Ainda assim, o espaço para crescer é grande: nos Estados Unidos, os recondicionados respondem por 30% a 40% do mercado, enquanto no Brasil essa fatia gira em torno de 5%.

Trocafy em números
95 milaparelhos vendidosno primeiro semestre de 2026, com alta de 32% sobre o ano anterior.
8%participação nas vendasfatia que os recondicionados já ocupam nas vendas totais de celulares da Allied.
30% a 40%mercado dos EUAparticipação dos recondicionados nos Estados Unidos, ante cerca de 5% no Brasil.

Parte dos aparelhos usados vem de parcerias com operadoras, fabricantes e varejistas, incluindo o programa "iPhone para Sempre", feito com o Itaú, que permite ao cliente devolver o celular ao fim de um ciclo de pagamentos e trocar por um modelo novo. Esses aparelhos passam por recondicionamento em laboratórios homologados pelos fabricantes antes de voltar ao mercado com a marca Trocafy.

Quem é afetado

Esse movimento interessa diretamente a lojistas de eletrônicos, redes regionais de varejo e negócios que trabalham com celulares e acessórios, já que a Allied atua como intermediária entre fabricantes e essas empresas, cuidando de crédito, estoque e logística. Para quem revende eletrônicos, a entrada mais forte dos recondicionados no mercado brasileiro pode representar uma nova linha de produto, capaz de atrair consumidores que hoje não compram aparelhos novos por causa do preço.

A outra aposta da Allied, o mercado corporativo, já fatura cerca de R$ 300 milhões por ano e mira empresas que precisam de segurança digital, acesso à nuvem e gestão de equipamentos. A companhia passou a distribuir soluções de segurança para o ecossistema Apple, assumiu a representação de uma marca de acessórios e trouxe para o portfólio produtos de conectividade e redes sociais. Isso pode ampliar as opções disponíveis para empresas que buscam fornecedores desses serviços.

Vale notar que os juros altos seguram parte dessa expansão. O modelo de locação de equipamentos como serviço, por exemplo, exige que a empresa mantenha o ativo no balanço até recuperar o investimento ao longo do contrato, o que fica mais caro com a Selic elevada. O mesmo cenário de juros também pressiona o varejo tradicional, já que boa parte das vendas de eletrônicos é financiada em dez ou 12 parcelas, encarecendo o crédito e levando lojistas a operar com estoques menores e reposições mais frequentes.

Como isso se reflete no negócio

No balanço mais recente, a Allied reportou receita líquida de R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre, alta de 4,7% sobre igual período de 2025, com lucro líquido de R$ 36,6 milhões, mais que o dobro do ano anterior, e Ebitda de R$ 73,8 milhões, avanço de 37%. A margem bruta da distribuição chegou a 9,4%, com ganho de 1,2 ponto percentual, resultado atribuído à gestão de portfólio e à disciplina comercial em um ambiente de juros altos e cautela do consumidor.

Para empresários do setor de varejo e distribuição, o caso da Allied mostra que crescer em um mercado mais restrito não depende só de vender mais caro, mas de aproveitar melhor os ativos que já existem, como estoque, tecnologia e relacionamento com fabricantes, para abrir novas frentes de receita. Se você atua com eletrônicos, vale acompanhar o avanço dos recondicionados e dos serviços corporativos como possíveis oportunidades de diversificação, especialmente enquanto os juros altos continuam limitando o crédito ao consumidor final.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.